25 anos do primeiro gol de Maradona em 1986 Tiago de Melo Gomes - 7/06/2011 - 01:12

Domingo se completaram 25 anos da partida entre Argentina e Itália pelo mundial de 1986. Naquele dia, as seleções que haviam vencido as duas copas do mundo anteriores empataram por 1 a 1. Os gols foram marcados por Altobelli e Maradona. O dez argentino marcava ali o primeiro de seus gols naquele mundial que o consagrou.

Após sofrer para se classificar para o mundial, a albiceleste havia estreado com uma vitoria tranquila sobre os sul-coreanos por 3 a 1, com grande atuação de Maradona. Mas ainda era pouco: o rival era fraco, e Bilardo ainda não havia encontrado sua equipe definitiva. Naquele dia, a Argentina ainda jogou no 4-4-2, com Maradona atuando na armação, enquanto Valdano fazia dupla de ataque com Claudio Borghi, o substituto de Pasculli, que não havia tido uma boa estréia. Em relação ao jogo anterior, a outra alteração era o ingresso de Cuciuffo no lugar de Clausen.

Pelo lado italiano a situação era mais perigosa. A azzurra defendia seu título com uma equipe muito distinta daquela que havia feito o Brasil chorar quatro anos antes. Aquele time de 1982 já tinha uma média de idade bastante alta, e poucos sobreviveram até o mundial seguinte. No time titular havia quatro remanescentes: o zagueiro Scirea, o lateral Cabrini e os atacantes Conti e Altobelli. Paolo Rossi, o carrasco do Brasil, estava decadente, e embora estivesse no grupo, não desempenhou nenhum papel. Se aposentadoria um ano depois.

Os italianos começaram mal a defesa de seu título, sofrendo um empate contra os búlgaros nos últimos minutos da partida que abriu aquele mundial. Uma derrota contra os argentinos poderia significar uma vexaminosa eliminação precoce. Mas as coisas começaram bem para os comandados de Enzo Bearzot, e aos 5 minutos o árbitro marcou um penal, originário de uma questionável bola na mão do lateral Garré, em jogada de Bruno Conti. Altobelli cobrou e marcou o gol, seu segundo no mundial. Sairia do México como o único jogador italiano a anotar um tento naquela copa (marcou 4 dos cinco gols italianos; o outro foi um gol contra marcado por um sul-coreano na partida seguinte).

Mas aquela equipe argentina não se deixava abater fácil, e o duro golpe inicial não foi o suficiente para derrubá-la. Os argentinos logo botaram os nervos no lugar e rapidamente começaram a fazer o seu jogo, visando a sempre difícil tarefa de buscar um resultado negativo contra os italianos. Aos poucos, Maradona começou a comandar a equipe, e acabaria por empatar o jogo. Aos 34 minutos, uma troca de passes que começou com Checho Batista e passou por Giusti chegou a Valdano, que deu lindo passe em profundidade para Diego. O craque argentino, sem ângulo e marcado de perto por um defensor italiano tocou com grande classe, sem dominar a bola, no contra pé de Galli. A Argentina havia encontrado o empate em um jogo decisivo em uma jogada genial de seu craque.

O segundo tempo foi equilibrado, mas no fundo as duas equipes mantinham uma postura de respeito pela grandeza do adversário. Para os argentinos, o empate encaminhava a liderança do grupo, enquanto que para os italianos, a esperança de classificação aumentava (mais tarde, naquele mesmo dia, os búlgaros não saíram de um empate contra a Coréia do Sul, fazendo que uma vitória simples dos italianos contra o mesmo adversário lhes assegurasse a vaga). Em uma partida em que o empate não é mau resultado para nenhuma das duas equipes, é natural que esse resultado acabe chegando, em especial quando se enfrenta um gigante. O 1 a 1 se manteve até o fim.

A partir dali as equipes tiveram destinos bem distintos. Os italianos seguiram sem convencer ninguém, e após bater os sul-coreanos com dificuldades por 3 x 2, foram totalmente suplantados pelos franceses, perdendo merecidamente por 2 a 0. Já aquela Argentina ainda precisaria se ajustar para chegar ao time ideal. Naquela partida, Olarticochea substituiu Batista, e mostrou que vinha para ficar. Acabaria roubando a vaga do lateral Garré, com a mudança do sistema para o 3-5-2.

A outra substituição (Enrique substituindo Borghi) apontava para uma mudança essencial: o fim do sistema com dois centroavantes. Após testar Pasculli e Borghi, sem se satisfazer com o desempenho de nenhum dos dois, Bilardo resolveu mudar o sistema. Maradona foi adiantado e seu posto no meio foi ocupado por Enrique. A Argentina encontraria finalmente sua equipe ideal, mas isso só aconteceria depois. A 05 de junho de 1986, quando os argentinos enfrentaram os italianos (os gols voce vê ), as escalações foram:

Argentina: Pumpido, Cuciuffo, Brown, Ruggeri e Garré; Batista (Olarticochea), Giusti, Burruchaga e Maradona; Borghi (Enrique) e Valdano.

Itália: Galli, Bergomi, Vierchowood, Scirea e Cabrini; De Napoli (Baresi), Bagni e Di Gennaro; Conti (Vialli), Altobelli e Galderisi.

 

 

 

Tiago de Melo Gomes

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Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.


 
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