Com justiça, Brasil vence Argentina e fatura Superclássico das Américas Joza Novalis - 29/09/2011 - 00:28

Em Belém uma partida movimentada sobretudo no segundo tempo. Em campo a voluntariedade da Argentina contra a faísca de brilho de algumas individualidades da seleção canarinho. Deu Brasil porque chegou poucas vezes com efetivas chances de gol e soube aproveitá-la justamente por dispor de maior habilidade em campo. Também porque seu arqueiro soube aparecer com competência nas duas únicas boas jogadas da Argentina. E por fim podemos acrescentar que o Brasil venceu porque quando fez o primeiro gol a Argentina, configurada para se defender, ficou instável, se perdeu em campo e a atitude ofensiva lhe pareceu algo estranho e desconhecido. Com o resultado o Brasil leva a primeira edição do Superclássico das Américas.

No início muita disposição e vontade de ambas as equipes. Na Argentina surpreendeu a boa saída de bola na defesa e uma aparente tranquilidade na cancha. Proposta: a de esfriar o Brasil. No conjunto local surpreendeu a grande disposição de resolver o cotejo a partir sobretudo das jogadas ensaiadas em treinos. Proposta: a de fazer um gol rápido para ratificar o favoritismo. Entre as duas propostas um elo: a surpresa de Menezes em colocar Lucas na equipe e ampliar a qualidade ofensiva do conjunto canarinho.

Somente aos 12 é que alguém chegou com perigo. O Brasil, com Neymar que arriscou de fora da área e obrigou Orión a fazer a primeira boa defesa da partida. O toque de bola do Brasil era bonito. Atrás. No meio-de-campo e na frente o Brasil sofria uma forte marcação albiceleste que não permitia aos canarinhos que pensassem muito nas articulações de suas jogadas.

Pouco a pouco a Argentina começou a alternar os locais em que marcava sobre pressão ao selecionado verde-amarelo. Ora no campo de ataque, ora no campo de defesa. E o cadeado argentino foi cerrando as boas ações dos locais. O responsável por isso? Guiñazú. Com um excelente deslocamento pela cancha o meia do Inter foi levando a Albiceleste a um domínio racional da partida.

Uma Saída para a Argentina? A avenida Cortês. O lateral do Botafogo atacava feito um foguete e retornava feito um fusca. Apesar disso, a Albiceleste insistia muito pelo outro setor; o mais congestionado. Justamente aquele em que Danilo, até por não subir ao ataque, se posicionava bem no bloqueio. Uma saída para o Brasil? As cobranças de falta com Ronaldinho Gaúcho; a maioria das quais cavadas por Borges e frontais ao arco de Orión.

Outra saída para ambos era a criatividade. Ela saiu para o Brasil aos 38. Em ótima articulação que envolveu Lucas, Borges e Neymar, o melhor atacante santista furou na conclusão com o arco praticamente vazio e à sua disposição. Em vez de se utilizar também da criatividade a Argentina se valeu dos levantamentos de bola à área de Jefferson, na tentativa de aproveitar a impulsão e o bom cabeceio principalmente de seus zagueiros. Como nenhuma das duas saídas resultou em gols, o primeiro tempo terminou 0×0.

A segunda etapa começou com as mesmas características da primeira, mas com uma diferença: a presença de Danilo nas jogadas do Brasil. A Argentina, ainda que timidamente, tentava ir ao ataque. Foi aos sete minutos, em jogada que começou com Montillo ainda no balão do meio-de-campo. A pelota sobrou para Fernández que arrematou rasteira e Jefferson mandou para corner. Na cobrança todo mundo foi para o ataque. A bola sobrou para o contra-ataque e onde estavam os zagueiros da Albiceleste? Todos na área do Canário. O contragolpe foi fulminante e articulado com primazia em apenas 11 segundos. De repente cara a cara com Orión o jovem Lucas não teve trabalho para bater cruzado e abrir o marcador: 1×0 para o Brasil.

Configurada para se defender a Argentina se viu de repente na obrigação de atacar. Não sabia como. Ficou perdida. Tentou se reencontrar pelo caminho da voluntariedade. Contudo, Sabella colocou em campo um jogador que pouco contribuiu para isso, Bolatti. O meia do Inter não atacava e tampouco dava a proteção que Canteros oferecia à retaguarda argentina. Os espaços sobravam e o Brasil se aproveitava com a habilidade de seus atacantes, mas também com a então boa participação de Cortês no apoio.

Aos 30 o domínio brasileiro resultou no segundo gol. Após boa jogada que começou no meio, com a retomada da pelota, ela sobrou na esquerda para Diego Souza, que a cruzou rasteira para a conclusão de Neymar, 2×0.

Na base da vontade a Argentina chegou ainda aos 31 com Pillud e aos 37 com Viatri. Em ambas as jogadas o arqueiro Jefferson fez boas intervenções e mandou a pelota para escanteio. A partir daí o que se viu foi a Argentina tentando as jogadas de ataque, mas sem a consistência de uma equipe tranquila e com recursos, e bem à semelhança de um filme que já virou pesadelo para os seus torcedores: a impressão de que a coisa só se resolve mesmo na base da individualidade. Como ela estava ausente na partida de Belém a Albiceleste não conseguiu sequer descontar o placar e ainda teve de assistir a certo exagero de habilidade tanto de Neymar quanto de Ronaldinho Gaúcho. Nada de mais, mas algo que poderia ser evitado quando vencia a partida uma vez que não foi nem um pouco praticado quando a empatava duramente nos dois encontros. No fim das contas, a vitória brasileira foi justa. Além disso, ela deu razão aos pedidos de Lucas na formação titular e mostrou que ao menos no futebol local, de ambas as seleções, o Brasil por enquanto se mostra superior.

Formações:

Brasil: Jéfferson; Danilo, Rever, Dedé e Cortês (Kléber); Ralf, Rômulo e Lucas (Diego Souza); Ronaldinho Gaúcho, Borges (Fred) e Neymar. Técnico: Mano Menezes

Argentina: Orión; Desabato, Cellay e Sebá Dominguez, Pillud (Mouche) e Papa; Canteros (Bolatti)Fernández, Guiñazú e Montillo; Viatri. Técnico Alejandro Sabella

Mestre em Teoria Literária e Lit. Comparada na USP. Formado em Educação e Letras pela USP, é jornalista por opção e divide o tempo vendo futebol em geral e estudando o esporte bretão, especialmente o da Argentina. Entende futebol como um fenômeno popular e das torcidas. Já colaborou com diversos veículos esportivos.

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