Sergio Batista: “ninguém pede Tevez hoje em dia” Tiago de Melo Gomes - 21/12/2011 - 17:29

Encerrando um período de reclusão após a demissão do cargo de treinador da seleção argentina, Sérgio Batista deu uma entrevista ao canal ESPN+, na qual falou bastante. No menu, criticas a German Lerche e Carlos Bilardo e o ressentimento pela imagem que ficou do episódio Tevez.

“Quando tive de lidar com o assunto Tevez queriam me matar, que isso, que aquilo. Agora não joga e ninguém o pede. São coisas que acontecem no futebol. Ele não estava por coisas que haviam acontecido, mas ele se desculpou e o convoquei. E ficou como se eu tivesse feito um trabalho sujo para queimá-lo na seleção”, disse Checho.

Batista também se queixou pelo que julga ser uma impaciência dos dirigentes com seu trabalho na albiceleste: “Me fui aborrecido da seleção pela maneira que as coisas aconteceram. Falam da mística uruguaia, mas essa mística tem uma base de anos, de vitórias e derrotas. Perdi um jogo no Japão e fui demitido por não ter alcançado o objetivo na Copa América. Não gostei de ter saído assim”.

Palavras mais duras foram direcionadas a Carlos Bilardo, seu treinador na seleção de 1986 e diretor de seleções durante sua passagem pela albiceleste: “que uma pessoa como Bilardo me diga ‘Checho, assino um papel dizendo que se você for demitido vou junto’, aí vou embora e ele continua lá. A mesma coisa aconteceu com Maradona. Bilardo diz que é preciso defender a geração de 86, mas quando estamos lá dentro ele não nos defende, e eu digo que algo está acontecendo”.

Mas isso foi apenas o aperitivo. Mais fortes ainda foram as palavras dirigidas ao presidente do Colón, German Lerche, que para muitos foi vital na demissão de Batista: “Há pessoas que só matando mesmo. Dirigentes, como o presidente do Colón. Você não pode me abraçar um dia, e no outro, só porque não porque não te deixei entrar com mais 40 pessoas no vestiário para abraçar Messi, deixar de me abraçar, telefonar ou me demitir. As coisas não funcionam assim”.

 

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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