Vasco e Lanús. A coragem precisa entrar em campo para um e para outro. Mas, que bicho vai dar? Joza Novalis - 2/05/2012 - 11:52

Muito tem se falado sobre as formações para o duelo de hoje à noite pela Copa Libertadores entre Vasco e Lanús. Difícil é se deparar com ao menos duas prévias que apontem uma formação realmente corajosa de uma equipe ou de outra para o jogo. Independentemente das formações ou fato é que as duas equipes precisam de coragem para vencer o confronto. Para o Vasco é essencial que este sentimento já entre em campo na data de hoje; para o Lanús, pode ser um grande risco acreditar que basta colocá-lo em campo na partida de volta, em La Fortaleza.

O risco para o Vasco da Gama

As várias prévias indicam que Cristóvão Borges pode atuar com Eduardo Costa no lugar de Rômulo. Seria um erro absurdo e um atestado de incompetência e burrice. Não que o treinador vascaíno tenha motivos para ignorar a força do rival, mas o fato é que o duelo precisa ser decidido em São Januário, caso o Gigante da Colina queira passar à próxima fase da Libertadores. Rômulo é uma ótima opção de saída de bola, além de ser um alívio ou alternativa para quando for complicado a saída pelas laterais. Seu passe dá qualidade ao meio-de-campo e fortalece a criatividade cruz-maltina pelo setor. Já Eduardo Costa não passa de um destruidor de jogadas que tem enormes dificuldades para dar um passe vertical.

Algumas prévias colocam Juninho Pernambucano como alternativa a Felipe. Este é mais um erro e tomara que ele não frequente a cabeça do treinador vascaíno. Difícil imaginar que os dois possam atuar juntos durante os noventa minutos. Porém, se é para abafar o Granate, que os dois jogadores estejam em campo já no primeiro tempo. No segundo, convém que o treinador opte pela permanência de Felipe e a entrada de Bastos no setor.

Para aqueles que veem em Juninho uma ótima alternativa para a segunda etapa eu diria que o raciocínio é conservador e medroso. Além de ser irmão gêmeo da pouca confiança no elenco vascaíno. Até se desconta que o torcedor pense desta forma, mas seria inadmissível que Cristóvão também engrossasse a fila.

O risco para o Lanús

São muitas as prévias que apontam o possível ingresso de Teo Gutiérrez no lugar de Camoranesi, caso o ítalo-argentino não possa atuar. Essa visão demonstra pouco entendimento sobre a equipe do Sul da Grande Buenos Aires e sobre o seu treinador. O ingresso de Teo faria os argentinos atuarem com três atacantes, ainda que Regueiro tentasse voltar para compor a meia cancha. Jamais Schurrer faria isso, pois é um técnico inteligente e estudioso. Já sabe que o rival deverá explorar os lados do campo e sempre chegar ao ataque com no mínimo mais um meia para fortalecer a pressão.

Schurrer poderia até priorizar a marcação na saída de bola do Vasco. O problema é que a proposta implicaria em um jogo extremamente franco, o que não seria o mais recomendado para o Lanús. Além disso, seria imaturo, já que não costuma ser essa a postura vencedora da maioria das equipe na Copa Libertadores. A imaturidade estaria ainda em pressupor que uma atitude vencedora passa apenas por uma formação e atuação extremamente ofensiva na casa do rival. Jogar no ataque não é a única forma de se ganhar uma partida de futebol. Mas que isso, mesmo o jogo bonito e eficiente não precisa ter o ataque como a única opção. O treinador granate sabe disso e por esta razão não seria louco de colocar Gutiérrez no lugar do franco-argentino.

Algumas prévias colocam apontam Luciano Balbi ou Maxi Velázquez na lateral-esquerda. Schurrer pode entrar com um ou outro e estaria tudo bem. Velázquez é mais marcador que Balbi, contudo tem dificuldades para sair para o jogo. Balbi é mais habilidoso e eficiente. Trata-se de um ótimo ala que oferece a Schurrer várias modificações no esquema, sem alteração de jogadores. O jovem atleta pode atuar no meio e fortalecer Diego Valeri na criação e distribuição de jogadas. Além disso, pode atuar como um típico ponta e fazer uso da ótima qualidade de seus cruzamentos e passes curtos na proximidade da área. Balbi arremata bem de perto e de longa distância e por isso poderia ser o homem da bola reboteada na área de Fernando Prass.

Porém, a opção por Velázquez não seria de todo ruim, pois o treinador determinaria que a criatividade da equipe teria um outro local do campo para ser executada. A ausência de Balbi seria uma lástima pela qualidade de seu futebol, mas não seria um absurdo se acontecesse.

O problema para o Vasco

O problema principal é a ausência de Dedé. O jogador não tem substituto na equipe e, dependendo de como o Lanús atue na primeira etapa, é bem capaz que Cristóvão Borges seja obrigado a queimar uma substituição neste setor da equipe. Digo uma lástima, pois a substituição se chocaria com a preocupação e proposta ofensiva; seria um desvio de rota dessa proposta.

Convém ao Vasco que não permita ao Lanús que fique muito tempo com a bola no pé. Principalmente no meio-de-campo, onde os argentinos tem uma destacada qualidade. Isto não é tão simples assim, chegar lá e tirar a bola do Granate. Até por isso convêm aos vascaínos que não demorem para bloquear essa proposta assim que ela der sinais de que vai aparecer. Disto resulta a eficiência da proposta de decidir o jogo em São Januário. Se não for assim, dificilmente o Gigante da Colina vai dar o troca na Argentina. Em La Fortaleza, o Lanús é outro time e não deve perder sua classificação de levar alguma vantagem para lá.

O problema para o Lanús

O principal deles é a ausência de Camoranesi. Isto porque o ítalo-argentino é a voz da experiência no Lanús. O jogador é acusado, com justiça, de praticar entradas duras e desleais. Porém, até nisso ele é importante para o Granate. Os adversários sabem da fama de Camora, assim como da qualidade de seu futebol e de sua vasta experiência internacional. O jogador assusta aos adversários e tranquiliza os companheiros.

Mas o principal problema para o Lanús é deixar a decisão para La Fortaleza. Gabriel Schurrer já deu indícios de que pretende buscar os três pontos em São Januário. Para tanto, faz bem em armar uma equipe que não saia para o jogo franco e arriscado. Só que essa postura tem limites, assim como o revelou a derrota para o Flamengo no Engenhão. O Granate tem uma fama justa de às vezes parecer que não se interessa muito pelo jogo. Essa atitude não pode ser repetida em São Januário caso a equipe queira superar os brasileiros na atual etapa da Copa Libertadores.

Joza Novalis

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Mestrando em Teoria Literária e Lit. Comparada na USP. Formado em Educação e Letras pela USP, é jornalista por opção e divide o tempo vendo futebol em geral e estudando o esporte bretão, especialmente o da Argentina. Entende futebol como um fenômeno popular e das torcidas. Já colaborou com diversos veículos esportivos.