Blog FP – Boca: um favoritismo relativo Tiago de Melo Gomes - 16/05/2012 - 23:29

As ausências de Deco e Fred fazem com que muitos considerem o Boca Juniors como franco favorito no confronto contra o Fluminense. Mas as coisas não são tão simples, não apenas pelos bons valores tricolores como também pelos desfalques xeneizes.

É impossível deixar de considerar que os desfalques tricolores farão diferença. No entanto, o Fluminense tem ainda jogadores capazes de conduzir sua equipe a um bom resultado. Mas talvez o principal seja que o Boca Juniors também tem seus problemas.

Para começar, o Boca não terá Leandro Somoza na partida de hoje. O experiente volante é pouco notado, mas faz a importante função de xerifão que protege a insegura defesa xeneize. E é consenso no “mundo Boca” que o jovem Cristian Erbes não tem sido capaz de desempenhar a função com a mesma qualidade do titular.

Talvez mais importante, a equipe de Julio Cesar Falcioni não terá Santiago Silva e Pablo Ledesma. Os dois jogadores chegaram no início do ano ao clube, e rapidamente mudaram as características do Boca. Mesmo marcando poucos gols, Silva fez boas partidas, e desempenha o papel de “parede” para a chegada dos jogadores que vêm de trás como nenhum outro jogador do elenco conseguiu fazer.

E o ótimo Ledesma se enquadra exatamente nisso. Ganhou a titularidade do eficiente Burrito Rivero exatamente por sua capacidade de chegar ao ataque na surpresa. Enquanto Silva preocupa os zagueiros e prende a bola com eficiência, Ledesma chega rapidamente para marcar gols e dar passes decisivos.

Esses dois jogadores foram importantes para diminuir a previsibilidade que foi a grande fraqueza do Boca no Apertura 2011. Aquela equipe marcava muito bem, protegia a defesa, tinha a posse da bola, mas tinha dificuldades de penetrar na defesa inimiga. Com Silva e Ledesma os xeneizes tomaram mais gols, mas também encontraram mais facilmente o caminho da meta inimiga.

O Boca que o Fluminense encontrará é uma equipe forte. É bem montada, possui uma defesa bem protegida, e certamente será dura de superar, inclusive porque entrará praticamente com a formação que venceu o último Apertura (com Erbes no lugar de Somoza). A equipe é sólida, marca forte no meio campo e tem um Riquelme que sempre pode fazer a diferença. Além disso, a dupla formada por Mouche (no melhor momento de sua carreira) e Cvitanich se movimenta muito e atormenta as defesas inimigas.

Mas os pontos negativos também existem. Os xeneizes possuem uma defesa insegura, protegida por um Erbes que é questionado por todos os lados, e tem muita dificuldade quando precisa buscar o resultado. A equipe é forte, mas se o Fluminense souber explorar as dificuldades defensivas da equipe e abrir vantagem, poderá explorar a dificuldade xeneize quando se vê na obrigação de partir para cima.

Mas vale notar uma grande vantagem do Boca. Mesmo que o Flu consiga um bom resultado em Buenos Aires a fatura não estará liquidada. Nada impede que um placar desfavorável possa ser revertido no Rio de Janeiro. Os xeneizes tem um longo histórico nesse sentido. O Boca só poderá ser considerado eliminado quando os 180 minutos terminarem.

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

 
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