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Árbitro brasileiro dá vexame no Chile e quase leva uma surra de Santiago Silva

Trata-se do árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio, um menino de 32 anos que foi colocado de forma equivocada para arbitrar um jogo de homens. E foi um fiasco. Apitou mal, escolheu e trocou faltas sem nenhum critério. Inventou pênalti. Sentiu a pressão. No seu rosto o susto estava estampado feito tatuagem; nos seus olhos o medo. Na boca o apito. E por apitar inúmeras vezes de forma estranha, quase apanhou dentro de campo. Foi na cancha da Celeste de Chile, o O´Higgins de Rancágua. No fim do jogo, por muito pouco Tanque Silva não surrou Wilton Pereira da Silva. Ele não tem culpa de seu um menino. Culpa foi de quem colocou um menino para apitar um jogo de homens.

Tratava-se de uma decisão. Em campo O´Higgins e Lanús brigavam por vaga na pequena cancha da Celeste chilena. De um lado, uma das equipes mais experientes e cascudas do Continente, o Lanús; do outro, uma equipe recheada de argentinos, treinada por um argentino, Eduardo Berizzo, e salvaguardando certo espírito chileno que se espalha pelas tribunas do estádio, por Rancágua e pelo Chile: certo ódio declarado – e de fundo racista – aos argentinos. Isso mesmo, chilenos não escondem seu preconceito não só por argentinos, mas também por peruanos e bolivianos. Duvida? Vai lá pra ver. Este problema era mais uma personagem em campo ontem, no cotejo em Rancágua. Mas havia outros.

Havia a raiva dos granates em ter de atuar sobre o arbítrio de mais um brasileiro. Foi assim na primeira partida da Libertadores, em Cali, contra o Deportivo. Na ocasião, o péssimo Leandro Pedro Vuadén teve uma atuação desastrosa. Até o sereno Marchesín foi expulso da partida. Dos instantes pós fim da partida até os dias de hoje, Guillermo Schelotto vem dizendo: “quando um brasileiro apita, o Lanús sempre é prejudicado”. Havia certa rivalidade entre Berizzo e o próprio técnico do Granate, que não escondem suas origens. As de um, ligadas ao Boca; as de outro, ao Newell´s. Havia dois elencos recheados de feras, de jogadores cascudos, encrenqueiros e aguerridos. Dentro de campo, houve mais que um jogo; houve uma guerra.

Houve jogador do Lanús com corte e sangue no rosto. Houve cotoveladas, xingos, safanões e pontapés. E para apitar tudo isso, havia Wilton Pereira Sampaio. Certo que o moço ligado à Federação de Goiás, e que tem 32 anos, foi eleito o melhor árbitro do Brasileirão em 2012. Certo que em 2013 ele foi eleito para o quadro da FIFA. Errado que ele tenha ido para o jogo. No seu rosto dava para ver o susto e o medo com os acontecimentos da partida. Era digno do mais profundo dó que habita os corações dos humanos. O dó era tão profundo que superava a revolta por sua arbitragem incompetente. Mas isto por fora, para quem não participava do jogo dentro de campo. Lá dentro, a coisa fervia e todo mundo queria surrar o juiz.

Sem saber como se livrar do problema, Wilton começou a distribuir cartões amarelos. Tirou do próximo jogo do Lanús, Izquierdóz e Somoza, que desfalcarão uma defesa que já sofre por ausências profundas, como a do capitão Paolo Goltz. Tirou também Santiago Silva, que foi expulso após comemorar a defesa de um pênalti olhando e dizendo: “temos huevos, ninguém consegue nos prejudicar”.

O lance ocorreu aos 39 minutos do segundo tempo. Após sofrer muito dentro de campo, tudo indicava que o Lanús conseguiria segurar a pressão e levar a vaga para casa. Foi então que Wilton viu pênalti de Somoza dentro da área. Fica difícil dizer que não foi, pois a FIFA liberou os árbitros para esse tipo de lance. Então, algumas vezes manda o bom-senso; noutras, a pressão e o medo do momento. Só isso explica que Wilton tenha visto pênalti num lance em que claramente Somoza não quis levar a mão à pelota. Sequer havia chance de gol e o volante grenate estava prestes a afastar a bola da área. Confirmado o pênalti, Wilton precisou dar cartão amarelo para Silva, que imediatamente, e antes disso, lhe deu um “vermelho”.

Após a defesa de Marchesín, e das palavras de Silva, Wilton simplesmente o expulsou. Então foi preciso que um time inteiro segurasse um verdadeiro “Tanque de Guerra”. O atacante uruguaio, tido pelos seus companheiros como um irmão generoso, leal e educado, simplesmente foi para cima do árbitro brasileiro disposto a surrá-lo de qualquer forma.

Sua raiva era tamanha que é bem possível a conclusão de que não foram os companheiros, mas alguma voz repentina em seu coração que acenou para sua mente e o desarmou. Dois minutos depois, o árbitro brasileiro expulsou Pablo Hernández, do O´Higgins. Expulsou, vejam vocês, por aplicar o segundo amarelo por simulação. Num jogo como o de ontem, e após tantas confusões, um experiente árbitro olharia para o relógio e relevaria a atitude do jogador local. Wilton não o fez, pois é inexperiente e despreparado para certos tipos de jogos.

E a Conmebol, como fica nessa história. Vai ficar como sempre, pois seus dirigentes vivem em outro mundo. Só que terão de ouvir o que Schlotto já está falando: “foram três árbitros brasileiros apitando jogos do Lanús; três pênaltis que não existiram e várias expulsões”. De cert forma, ele tem toda a razão.

Joza Novalis

Mestre em Teoria Literária e Lit. Comparada na USP. Formado em Educação e Letras pela USP, é jornalista por opção e divide o tempo vendo futebol em geral e estudando o esporte bretão, especialmente o da Argentina. Entende futebol como um fenômeno popular e das torcidas. Já colaborou com diversos veículos esportivos.

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