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Argentinos Jrs. comemora 25 anos do título da Libertadores

Hoje é dia de festa em La Paternal. Além da vitória em casa sobre o arquirrival, os torcedores do Bicho ainda comemoram uma data muito especial. Há 25 anos a equipe derrotava o América de Cali nos penaltis e se sagrava campeão da Libertadores de 1985.

E o título foi valorizado pelo fato de o Bicho ter enfrentado muitos times fortes nessa campanha. Logo na primeira fase o time caiu na chave de Ferrocarril, Vasco e Fluminense. Detalhe importante: apenas o campeão do grupo se classificaria para a segunda fase. A expectativa era de grande equilíbrio.

Mas na prática isso não aconteceu. A superioridade dos dois clubes argentinos sobre os brasileiros foi gigantesca. Fluminense e Vasco empataram os confrontos diretos, e cada um conseguiu apenas mais um empate nas partidas contra os argentinos. Argentinos Jrs. e Ferrocarril terminaram a primeira fase com a mesma campanha: 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota.

Segundo o regulamento da época, isso levava a um jogo extra em campo neutro para decidir o classificado. E em partida realizada no estadio do Velez, o Bicho se impôs por 3 a 1. Mas as coisas não seriam fáceis na segunda fase, já que os adversários eram os bolivianos do Blooming e o Independiente, que havia vencido a última edição do torneio. Novamente apenas o melhor sobreviveria.

Os clubes argentinos chegaram empatados à última rodada, que previa um confronto direto entre os dois dentro de Avellaneda. Mas mesmo fora de casa o Bicho não se intimidou e fez 2 a 1 no Rojo. O Argentinos Jrs. havia chegado à decisão da Libertadores pela primeira vez.

A decisão, contra o bom time do América de Cali, foi duríssima. A primeira partida, no Monumental de Nuñez, terminou com vitória de 1 a 0 do Bicho, gol de Commisso. No jogo de volta, em Cali, Ortiz abriu o placar para os colombianos nos primeiros minutos de jogo, dando números finais ao placar. Novamente seria necessária uma partida de desempate em campo neutro.

E há 25 anos Argentinos Jrs. e América de Cali entravam no gramado do estádio Defensores del Chaco, em Assunção, para decidir a Libertadores. Aos 38 do primeiro tempo Commisso marcou o gol que parecia ser o do título. Mas nos últimos minutos o argentino Ricardo Gareca (atual treinador do Velez) empatou a partida.

A Libertadores acabou decidida nos pênaltis. O Bicho não desperdiçou nenhuma de suas cobranças, e se sagrou campeão graças à cobrança desperdiçada por De Ávila. O América perdia a primeira de três finais de Libertadores consecutivas (perderia ainda em 1986 para o River Plate e em 1987 para o Peñarol). Já o Argentinos Jrs. chegava ao maior momento de sua história. E ainda protagonizaria um jogaço contra a Juventus de Platini em Tóquio. Mas essa é outra história.

Aquele time do Bicho não entrou para a história apenas pelo título. A equipe de Jose Yudica também mostrava um belo futebol, e tinha em Claudio Borghi, atual treinador do Boca, seu melhor jogador. Borghi, que depois teve uma fracassada passagem pelo Flamengo, era um talentoso centroavante, que fez parte do grupo campeão mundial de 1986. Outros campeões mundiais que faziam parte daquela equipe eram o então veterano Olguín, lateral-direito da equipe de 1978, e Checho Batista, titular das copas de 1986 e 1990 e atual treinador interino da albiceleste.

Há 25 anos o Argentinos Jrs. se sagrava campeão da América com a seguinte equipe: Vidallé, Villalba (Mayor), Pavoni, Pelegrini (Lemme) e Domenech; Olguín, Batista e Commisso; Videla, Borghi e Corsi. Técnico: José Yudica.

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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