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Carlos Peucelle, El Maestro de La Máquina de River Plate

Carlos Peucelle, capa da Revista El Gráfico, em 21 de novembro de 1941

Para aqueles que torcem para El más grande, Carlos Desiderio Peucelle é um nome guardado nas estantes do rol da fama. Um entre os grande nomes que deram o seu sangue vermelho para colorir la banda roja que está na camisa do River Plate.

Nascido em 13 de setembro de 1908, Peucelle começou no futebol no San Telmo em 1925.

Em 1927, joga no já extinto Sportivo Buenos Aires e, por 10 mil pesos, é contratado pelo River Plate em 1931, ano do profissionalismo na Argentina. Foi essa contratação recorde para a época que gerou o apelido Los Millonarios para o River Plate.

Sua contratação foi justificada porque Peucelle participou da delegação argentina vice-campeã do mundo em 1930. Peucelle fez o quarto e o quinto gols na semifinal contra o Estados Unidos e o gol do empate provisório em 1 a 1 na final contra o Uruguai, que seria o campeão por 4 a 2. Além disso, era um jogador versátil na linha delantera podendo jogar, principalmente pela direita, tanto na meia quanto na ponta.

No entanto, mesmo com essa derrota, a carreira de Peucelle decolou no River Plate. Em 1932, foi campeão argentino e fez o 2º gol da vitória por 3 a 0 no playoff contra o Independiente que decidiu o título. Lembrando que o time de Avellaneda era o favorito ao título com a grande linha delantera com Porta, Sastre, Seone, Ramos e Betinotti.

Em 1936, quando Peucelle ganha o seu segundo título argentino com o River Plate, ele, como o jogador mais experiente, participa do protótipo da La Máquina compondo a linha delantera com José Manuel Moreno e Adolfo Pedernera. Além disso, consegue o bicampeonato legítimo em 1937, também fazendo parte do onze titular.

Em 1941, o ano de sua aposentadoria, ele ganha o seu quarto título argentino. Na partida contra o Estudiantes que decidiu o título, ele jogou na delantera formada por Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e ele. Assim, em 1942, bastou el maestro sair para a entrada do jovem estreante de 20 anos, Félix Loustau, para que a Lá Máquina fosse montada: Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Loustau.

Carlos Peucelle fez 407 partidas e 143 gols com a camisa do River Plate. Foi técnico da equipe em 1945-46 e em 1966. Além disso, pela seleção argentina, foi campeão da Copa América de 1929 e 1937.

Peucelle também foi um dos pioneiros do futebol de base colombiano. Entre as equipes que treinou, destaque para Deportivo Cali (Colômbia), Deportivo Saprissa (Costa Rica), Sporting Cristal (Peru), Olimpia (Paraguai). Na Argentina, além do River, treinou o San Lorenzo.

Em 1975, escreve o livro Futbol Todotiempo e Historia de La Máquina, um clássico sobre o futebol argentino das décadas de 1930-1940.

Morre no dia 1º de abril de 1990, aos 81 anos, deixando o futebol sem sua sabedoria, mas o seu legado está sempre vivo quando alguém veste La banda roja no peito.

Rafael Duarte Oliveira Venancio

Em 2010, na primeira versão desse texto, Rafael Duarte Oliveira Venancio escrevia para o Futebol Portenho, era professor do Senac e doutorando na USP. Em 2014, era professor doutor da Universidade Federal de Uberlândia e mantinha o blog Lupa Esportiva no Correio de Uberlândia. Agora, em 2020, é pós-doutor pela ECA-USP, além de escritor e dramaturgo com peças encenadas em 3 países e em 3 línguas. Nestes 10 anos, sempre tem alguém comentando este texto com ele, seja rindo, seja injuriado...

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