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Homenagem a Eusébio: argentinos de destaque em Portugal

Em uma pequena homenagem a Eusébio, abordaremos os argentinos de destaque por Portugal, que, aliás, foi o primeiro adversário não-americano da Argentina: em 1928, em amistoso preparatório às Olimpíadas de Amsterdã (0-0 em Lisboa). Já o “Pantera” enfrentou duas vezes a Albiceleste, ambas no Rio de Janeiro: pela Copa das Nações em 1964, perdeu por 2-0 no principal torneio vencido pela Argentina até a Copa 1978; e venceu por 3-1, marcando um gol, na Taça Independência em 1972. Duas de suas imagens na Wikipédia como jogador são da principal revista esportiva argentina, a El Gráfico. A Argentina, por sua vez, poderá levar à Copa de 2014 representantes de cada um dos Três Grandes, acima retratados – o benfiquista Garay, o portista Otamendi e o sportinguista Rojo, especialmente os lisboetas.

Embora o Brasil tenha virado sinônimo de colonização portuguesa na América do Sul, houve lusitanos que se embrenharam além. Na Venezuela, há até o Estado da Portuguesa, bem como um clube de mesmo nome, defendido por Jairzinho. A língua de Camões também chegou ao Rio da Prata: na margem oriental, Portugal fundou a cidade uruguaia de Colônia do Sacramento, tão usada como ponto de partida fluvial a Buenos Aires, e foram ancestrais do recordista de jogos com o Peñarol, Néstor Gonçalves.

Já na margem ocidental, portugueses constituíam junto aos britânicos a principal minoria europeia abaixo dos espanhóis até a impulsão da imigração italiana, centro-europeia e eslava na segunda metade do século XIX. Isto incluiu até um ex-governador do Rio Grande do Sul colonial, José Custódio de Sá e Faria, falecido em Buenos Aires em 1792 – ano em que um certo “patrício” chamado José António do Rego já era pai de um garoto que viria a ser um dos primeiros governadores da província de Buenos Aires após a independência argentina. O menino foi registrado como Manuel Dorrego, tendo as duas palavras do seu sobrenome português aglutinadas. Hoje, dá nome a uma praça no coração de San Telmo, bairro portenho cuja feira dominical na tal Plaza Dorrego é atração turística típica.

Cena de Argentina x Portugal de 1928. O argentino em destaque é Domingo Tarasconi, que seria o artilheiro das Olimpíadas daquele ano

Após a independência, a presença lusitana na vida pública argentina se fez notar principalmente com duas primeiras damas. Nicolás Avellaneda, presidente de 1874-1880 que dá nome à cidade que abriga Racing e Independiente, foi casado com a luso-argentina Carmen Nóbrega, filha de um imigrante que acabara até executado por alinhar-se à oposição a Juan Manuel de Rosas, ditador que comandara o país entre 1829 e 1852. No século XX, Marcelo Torcuato de Alvear casou-se em 1907 na própria Lisboa com a soprano ítalo-lisboeta Regina Pacini. Já dos povoados egendrados por portugueses, o mais notório é o de Mar del Plata, idealizado pela empresa tocada pelo cônsul José Coelho de Meirelles.

No futebol, o hermano com ancestralidade portuguesa mais célebre foi o zagueirão José Ramos Delgado. Seu pai era originário de Cabo Verde, então colônia, de modo que era considerado tão cidadão português quanto o moçambicano Eusébio. Ramos Delgado inclusive é também um dos mais ilustres jogadores afro-argentinos. Como nos países colonizados pela Espanha o costume é de registrar o sobrenome paterno antes do materno, inversamente ao que se faz nos de língua portuguesa, El Negro era Ramos Delgado e não Delgado Ramos. O futebol argentino até teve um nativo do arquipélago: o atacante Adriano Tomás Custódio Mendes igualmente imigrou como português, ainda antes da independência cabo-verdiana. Profissionalizou-se no Estudiantes, onde foi reserva no elenco bicampeão seguido em 1982 e 1983.

Podemos ainda especular ancestralidade portuguesa em outros jogadores afro-argentinos, os da família Da Graca: tal como Dorrego, é plausível que o sobrenome Da Graça tenha se deformado no registro civil de um país de língua oficial espanhola, perdendo o cedilha – adotado na Espanha no idioma catalão, mas não na língua “padrão” do país, chamada também de castelhano por ser a variante da região espanhola de Castela & Leão. Manuel Da Graca, negro, ganhou a 3ª divisão de 1937 com o Los Andes. Abel Da Graca, filho dele e mulato, obteve no mesmo clube o acesso à elite em 1968. Hernán Da Graca, branco, neto de Manuel e filho de Abel, fez o gol que valeu novo título da 3ª à mesma equipe, em 1994.

Os três Da Graca e o capitão argentino Ramos Delgado também são ilustres afro-argentinos do futebol

Também especulativos aqui seriam jogadores de sobrenome Ferreira, Ferreiro e derivados, como Ferreyra. É que esse termo não existe no castelhano (e sim Herrero e Herrera), mas, além do português, existe também na língua galega – de modo que é plausível que fossem espanhóis mesmo os antepassados de grandes ídolos de River como Bernabé Ferreyra e Luis Antonio Ferreyra, do Estudiantes como Manuel Ferreira, do Independiente como Roberto Ferreiro. Estes dois últimos inclusive também jogaram no River, que teve um de seus primeiros representante na seleção alguém de nome Roberto Fraga Patrao – sem o til. Vale dizer que a avó materna de Maradona se chamava Salvadora Cariolichi Ferreira, sendo mais conhecida pela origem croata, filha do imigrante Matej Kariolić, embora o sobrenome herdado da mãe Trinidad Ferreyra permite inferir origem galaico-portuguesa.

Similarmente, Gustavo Costas, profissional com mais jogos pelo Racing, tem sobrenome que pode denotar tanto ancestralidade em Portugal como na região espanhola da Galiza, onde Costa é o termo correto ao invés do castelhano Cuesta. Primeiro jogador do San Lorenzo na seleção, o mártir Jacobo Urso também tem sobrenome tanto galego como lusitano – o termo em castelhano para o animal seria Oso (e em italiano seria Orso, vale dizer). Colega de Ramos Delgado no timaço apelidado de Globetrotters que o Lanús teve nos anos 50, o meia Nicolás Daponte é outro cujo sobrenome não seria conclusivo entre galego e português; em castelhano, seria De la Puente, mas na Galiza se aceita “Da Ponte” tal como ao sul da fronteira.

Juan Ramón Rocha (em castelhano seria Roca, mas Rocha está correto em galego), ídolo no Newell’s, e Francisco Sá, homem que mais venceu Libertadores, são outros casos parecidos: na maior parte da Espanha o sobrenome seria grafado Saá, mas na Galiza, tal como na língua portuguesa, se admite Sá. Os irmãos Abel e Hugo Alves, campeões no Boca em 1981, tendo Abel treinado o clube entre 2009 e 2010, são outros com sobrenome comuns em Portugal e Galiza; no resto da Espanha, prevalece o Álvez.

Fraga Patrao, um dos primeiros jogadores do River na seleção, e duas imagens de Horacio Magalhaes, colega de Maradona no Argentinos Jrs: seus sobrenomes perderam o til

Não é possível cravar com plena segurança porque a imigração específica de galegos na Argentina foi tamanha que os hermanos usam a expressão gallego como sinônimo coloquial de espanhol (curiosamente, nossas “piadas de portugueses” têm por lá como expressão equivalente os chistes de gallegos). Narciso Doval, ídolo de Flamengo e Fluminense, é o mais ilustre com essa origem confirmada: seu pai era mesmo nativo da Galiza e lhe transmitiu o sobrenome Doval ao invés da forma castelhana Del Valle. Na própria Venezuela, aquela mencionada equipe da Portuguesa até trava curiosa rivalidade com o Deportivo Galicia.

Sobre potenciais jogadores luso-argentinos de relevo, é mais seguro especular sobre um dos fundadores do River, que tinha sobrenome Souza ao invés do galego Souto ou do castelhano Sosa – curiosamente, no Huracán campeão de 1928 tinha como lateral alguém grafado pelos diários como Eduardo Souza, mas cujo sobrenome real seria Sausa. Em 1974, o zagueiro Horacio Magalhaes (sem o til mesmo), sobrenome que em galego é Magalháns e em castelhano é Magallanes, foi capitão do acesso do Temperley – e trotou depois em especial por Racing, o Argentinos Jrs maradoniano, Platense e Quilmes. Outro seria o ponta Martín Posse, talismã no Vélez sobretudo entre 1996 e 1998, pois nesses dois idiomas espanhóis a palavra só tem um S.

No Vélez, Posse conviveu com o goleiro Juan Carlos Docabo, outro que, como Dorrego ou Doval, possivelmente teve o sobrenome original (Do Cabo, no caso, ao invés de Del Cabo) mesclado duas palavras. Também é plausível inferir que o sobrenome Do Passo tenha se desobrado em corruptelas: outro afro-argentino, o zagueiro Alberto Dopacio teve sete temporadas no Huracán ao longo dos anos 60. O forte Gimnasia dos anos 90 teve como um de seus ícones o lateral Sergio Dopazo – a pronúncia espanhola do Z é igual ao do S. Por fim, a infinidade de palavras comuns no castelhano e no português torna ainda mais difícil de precisar a origem de jogadores como Matías Almeyda, Edgardo Andrada, Osvaldo Cruz ou Turu Flores, para não falar nos diversos Díaz, Domínguez, Fernández, Gómez, López, Méndez, Pérez, Rodríguez, Sánchez, Suárez (sobrenomes que, como o de Rodrigo Palacio, podem remontar a uma origem portuguesa antes de serem registrados na Argentina obedecendo a ortografia espanhola), Barros, Batista, Cardoso, Castro, Paz, Santos, Silva, Torres e etc.

Nos duelos em solo brasileiro, os europeus usaram “camisola” branca: Argentina 2-0 em 1964, Portugal 3-1 (com gol de Eusébio) em 1972

Na via inversa, como já dito, Portugal foi a primeira seleção europeia enfrentada pela Argentina, bem como o primeiro adversário que ela enfrentou na Europa. Foi em 1928, na escala da Albiceleste rumo às Olimpíadas de Amsterdã, um 0-0 no antigo estádio do Lumiar (então casa do Sporting, até ser trocado nos anos 50 pelo Alvalade), em 1º de abril daquele ano. Os três duelos seguintes se deram no estádio Nacional do Jamor, em 1952, 1954 (ambas vitórias argentinas por 3-1) e 1961 – triunfo de 2-0 de Ramos Delgado e colegas sobre os “primos distantes” do zagueirão. Vieram então dois duelos seguidos no Maracanã, precisamente as partidas em que Eusébio enfrentou os hermanos:  em 1964, Ramos Delgado novamente venceu por 2-0, pela Copa das Nações, conquista mais expressiva da Albiceleste até 1978, especialmente por ser arrancada na terra dos então bicampeões mundiais.

O jogo de 1972 valeu por sua vez pela Taça Independência, uma Minicopa organizada pela CBD pelos 150 anos do Grito do Ipiranga; nela, Eusébio marcou o segundo gol da primeira vitória lusitana, por 3-1, pela fase de grupos. Já o duelo mais recente também foi em campo neutro, com Genebra enfim vendo a rivalidade Messi e Cristiano Ronaldo em duelo por seus países: cada um marcou no placar, mas a Albiceleste tinha também Ángel Di María e venceu por 2-1. Time de Eusébio e antiga “equipa” de Di María, o Benfica é justamente, dos Três Grandes, quem menos apostou e colheu sucesso com argentinos. Os “encarnados” por muito tempo se orgulhavam por não terem jogadores de fora do Império Português, e o primeiro forasteiro ainda assim era um brasileiro (Jorge Gomes, em 1979), estrangeiro mais comumente apostado pelos lusitanos.

O primeiro benfiquista hermano foi um astro: Claudio Caniggia, que chegou após a Copa 1994 junto com o goleiro belga Michel Preud’homme, que realmente virou ídolo. Caniggia, nem tanto, mas não foi mal na Luz: foi lá que teve sua melhor média de “golos”, 16 em 33 jogos. Mas o Benfica ficou longe do título, a 15 pontos do campeão Porto. El Pájaro ficou só aquela temporada, sendo repassado pela patrocinadora Parmalat (clique aqui) ao Boca, onde seu segundo jogo foi justo contra o ex-clube.

Caniggia não sabia, mas chegou no início de uma decadência das Águias, então detentoras do título de 1993-94. Desde ali, vieram só outros dois campeonatos portugueses. O último, em 2010, com participação de quatro argentinos. O defensor José Shaffer passou despercebido. Dos outros, dois eram astros no ocaso da carreira e outro, em ascensão: o meia Ángel Di María, que garantiu presença na Copa 2010 e logo depois virou “galáctico” no Real Madrid. Foi colega dos veteranos Pablo Aimar e Javier Saviola, vice-artilheiro do campeão com 11 tentos.

Caniggia, Di María, Aimar e Saviola

Atualmente, o Benfica tem cinco argentinos: Ezequiel Garay está praticamente certo como titular na Copa 2014. Eduardo Salvio e Enzo Pérez, não usados pela seleção em 2013, correm muito por fora, assim como Nicolás Gaitán, outrora prodígio no Boca. O outro é Rogelio Funes Mori, na luta para se firmar. Franco Jara (Estudiantes), o zagueiro Lisandro López (Getafe) e Luis Fariña (Baniyas) estão emprestados a outros clubes. As bombas que já passaram pela “equipa” incluem o “guarda-redes” Carlos Bossio e o “avançado” Gonzalo Bergessio, ambos ex-seleção.

O arquirrival (e atual líder da liga) Sporting tem hoje dois argentinos, um deles aparentemente também garantido na Copa, embora contestado na seleção: o lateral Marcos Rojo. O outro é o volante e vice-capitão Fabián Rinaudo, último jogador do Gimnasia LP a defender a Argentina, em 2009, depois de quase uma década de ausência tripera na seleção. Mas ídolos nos Leões, mesmo, são outros. A começar por Diego Arizaga (mais conhecido só como Diego em Portugal), dono de 62 “golos” em 92 jogos por quatro anos, na virada dos anos 50 para os 60. Ex-Estudiantes, foi artilheiro do título de 1962, já em tempos em que o Benfica passava a ser o hegemônico em Portugal.

Héctor Yazalde foi o primeiro usado na Albiceleste a partir do futebol português, em 1974, para a Copa do Mundo. Não foi por menos: acabara de ser não só campeão nacional duplamente (campeonato e Copa) como também sido o maior artilheiro europeu, com um recorde de gols para a época e ainda não batido para uma única temporada em Portugal, 46. Recebeu a Chuteira de Ouro – só outro argentino a conseguiu, um certo jogador do Barcelona repetidamente eleito melhor do mundo recentemente. Por um bom tempo, El Chirola foi o maior artilheiro estrangeiro tanto do Sporting (só superado pelo longevo Liédson) como do futebol português (superado por Jardel): 126 em 126 jogos.

Yazalde, que até se casou com uma Miss Portugal, já recebeu um especial nosso: clique aqui. O zagueiro Facundo Quiroga, cotado para a Copa 2002, participou dos dois últimos títulos portugueses do clube: 2000, fechando o maior jejum de Alvalade (18 anos) e 2002, e no vice na Copa da UEFA 2004. O plantel de 2000 ainda tinha os meias Aldo Duscher e Julían Kmet, mas ninguém brilhou como o veterano Alberto Acosta, espécie de Martín Palermo (tosco e sem virtuosismo com a bola, mas carismático e batalhador) no San Lorenzo, onde teve idas e vindas e é um semideus. Seu sobrenome, inclusive, é uma variante do galego Costa.

Diego, Yazalde (com a chuteira de ouro de 1974), Quiroga e Acosta

Beto Acosta, brilhante também na Universidad Católica, é também um dos três únicos usados pela Argentina a partir do futebol chileno. Naquele Sporting de 2000, mesmo aos 34 anos, foi o vice-artilheiro do campeonato, só atrás de Jardel, ainda no Porto (ele próprio seria do Sporting na taça de 2002). Saiu em 2001 para um último retorno ao San Lorenzo, onde enfim ganhou taças, nada menos que as primeiras internacionais do Ciclón: Mercosul 2001 (clique aqui) e Sul-Americana 2002 (aqui). Aposentou-se na última rodada de 2003, onde marcou seu gol 300. O grande maestro azulgrana era Leandro Romagnoli.

Romagnoli chegou aos alviverdes em janeiro de 2006 e ficou até 2009. Na temporada 2006-07, foi um dos líderes do elenco que mais esteve perto do título desde o último; perdeu-se só por 1 ponto ao Porto. Depois mais decadente, com El Pipi o time ainda conseguiu ser sempre vice e ganhar duas Copas de Portugal. Voltou ao San Lorenzo em 2009 e, apesar da fragilidade física que sempre lhe atrapalhou, foi fundamental para evitar o rebaixamento em 2012 e conseguir o último campeonato argentino. Das bombas no Sporting, a mais célebre é Gabriel Heinze, que só jogou 6 vezes entre 1998-99.

Já o Porto tem outro que pode ir à Copa: o “defesa” Nicolás Otamendi. Contestado na de 2010, foi lembrado nos últimos amistosos de 2013 após dois anos fora da seleção, amparado pelo tri português (e a Liga Europa 2011). O outro argentino no elenco atual é o capitão Lucho González, 6 vezes campeão português e hermano que mais jogou pelos Dragões, mais de 200 vezes. Também portista, a sempre promessa Juan Iturbe está emprestado ao Hellas Verona. Os alviazuis são quem mais apostaram em argentinos. Dos destaques, o primeiro foi Francisco Reboredo, com 45 “golos” em 56 jogos.

Reboredo esteve nos dois primeiros títulos portugueses do clube, nos anos 30. Também foi técnico. O Porto foi o primeiro campeão português, mas depois do título de 1940 perderia espaço para a dupla lisboeta até os anos 80 e ficou brigando com o Belenenses para ser a terceira força nacional. Se distanciou um pouco dele com dois novos títulos nos anos 50. O zagueiro José Valle esteve no de 1956, quando venceu também a Copa. Outro destaque da década foi o meia Antonio Porcel. Elio Montaño, um dos maiores ídolos do Huracán e campeão das primeiras Libertadores pelo Peñarol, foi outro a passar naqueles tempos pelo extinto Estádio das Antas. Também jogou no Sporting.

Reboredo, Lucho, Lisandro e Mariano González

A grande aposta em argentinos já rendeu suas bombas, como o ex-cruzeirense Sebastián Prediger, Mario Bolatti, Diego Valeri (craque do único título argentino do Lanús, em 2007), Hugo Ibarra (lateral do Boca de Carlos Bianchi), Juan Esnáider (ex-Real Madrid e Atlético de Madrid) e o naturalizado espanhol Juan Antonio Pizzi (técnico do San Lorenzo campeão ano passado) sendo as mais conhecidas. Fernando Belluschi não vingou como no Newell’s e no River.

Já o artilheiro Lisandro López embalou o tetra portista de 2006-09 e poderia ter ido à Copa 2010 se jogasse por uma seleção menos badalada. Quem também passou quatro anos vencedores foi o meia Mariano González, de 2007-11, outro que correu por fora à Copa 2010. Ernesto Farías foi um bom reserva na época.

Dos times menores, o Belenenses teve seus ídolos. Em 1939, buscando país neutro na Segunda Guerra, Oscar Tarrío e Alejandro Scopelli, jogadores da seleção na década (Scopelli jogou a Copa 1930) e que estavam na França, apareceram. O zagueiro Tarrío, grande ídolo do San Lorenzo, adorava tanto Portugal que lá morreu, em 1973. Scopelli, ídolo do Estudiantes e que defendeu também a Itália, foi jogador-treinador da “equipa” azul de Lisboa naquela temporada, que teve ainda Horacio Tellechea. O time campeão em 1946 tinha o atacante Manuel Rocha, logo vendido ao Real Madrid.

Em 1955, com outro trio argentino, o meia Miguel Di Pace e os atacantes Ricardo Pérez e José María Pellejero, o Belenenses, por muito tempo o único campeão de fora dos Três Grandes graças à taça de 1946 (só o Boavista também conseguiu, em 2001), deixou escapar um campeonato que parecia ganho. Receberia em casa o Sporting, mas concorria pela taça justo contra o Benfica, que vira as quatro edições anteriores serem do ainda hegemônico arquirrival. Scopelli era o técnico sportinguista e isso naturalmente aumentou as suspeitas de que haveria uma “entregada”. Mas o visitante empatou aos 41 minutos do segundo tempo. O resultado dramático deu o título ao Benfica nos critérios de desempate.

Tarrío, Scopelli, Pellejero e Di Pace

Scopelli também treinou o Porto e diversas vezes o próprio Belenenses, conseguindo um vice em 1972 e um 3º em 1948. Outro que passou pelo clube do Restelo, em 2009, foi o zagueiro Fernando Ávalos, ex-Corinthians. Mas ficou mais ídolo no Nacional de Funchal, da Ilha da Madeira, onde passou cinco anos entre 2003-08. Vinha da reserva no Boavista; os axadrezados haviam conseguido seu título em 2001 e ainda foram vice em 2002, na última vez que ficaram acima do rival Porto.

De outros argentinos na “terrinha”, Mario Imbelloni é talvez quem mais tenha história fora dos três (ou quatro?) grandes: já tinha passado pelo Real Madrid quando, nos anos 50, deixou golzinhos como jogador-treinador pelo Atlético, a quarta “equipa” mais tradicional de Lisboa, e no Braga. Como treinador, entre os anos 50 e 80 esteve no vaivém entre Buenos Aires e Portugal – país em que treinou Sporting, Académica de Coimbra, Marinhense, Barreirense, novamente Atlético e Braga e então Famalicão, Vitória de Guimarães e Naval 1º de Maio.

Miguel Perrichón fez história no Braga: bem longe de terem hoje um time consistentemente emergente (vice do Porto na Liga Europa 2011), os arsenalistas conseguiram seu título mais expressivo, a Copa de Portugal de 1966, com gol dele no 1-0 da decisão contra o Vitória de Setúbal. Mais recentemente, Cristian Amado, mais conhecido pelo apelido Piojo (“Piolho”), roda há 9 anos pelo país, passando por Portimonense, Silves, Atlético, Imortal e desde 2009 está no Tondela.

Atualizações após esta máteria: uma semana depois dessa publicação, o Benfica venceu o clássico com o Porto com gol do argentino Garay: falamos aqui.

Garay e Rojo estiveram na Copa de 2014, mas não Otamendi. Ainda em 2014, em 18 de novembro, Messi e Cristiano Ronaldo duelaram em amistoso no Old Trafford, em Manchester, vencido pelos portugueses por 1-0, gol de Raphaël Guerreiro. 

Para a Copa de 2018, a Argentina levou Marcos Acuña (Sporting) e Eduardo Salvio (Benfica). E venceu a Copa de 2022 tendo dois do Benfica: o mesmo Otamendi e Enzo Fernández. 

CR7 e Messi marcaram ambos nesse amistoso de 2011 em Genebra: no primeiro duelo deles por suas seleções, a Argentina venceu por 2-1
Caio Brandão

Advogado desde 2012, rugbier (Oré Acemira!) e colaborador do Futebol Portenho desde 2011, admirador do futebol argentino desde 2010, natural de Belém desde 1989 e torcedor do Paysandu desde antes de nascer

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