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Menotti e Batista criticam Sabella

No dia seguinte à histórica derrota frente à Venezuela, as críticas a Alejandro Sabella foram a nota dominante na crônica esportiva argentina. O coro de reprovação foi engrossado por dois antecessores de Pachorra na albiceleste. Tanto César Menotti como Sérgio Batista não se conformaram com a frase de Sabella, divulgada á exaustão pela mídia: “o que importa é ganhar, nem que seja por meio a zero”.

“Que Sabella tenha dito antes do jogo que queria ganhar nem que fosse por meio a zero pode ter influenciado jogadores como Messi, que sempre entram para ganhar”, disse Checho Batista em entrevista à rádio Província. O ex-treinador da seleção acrescentou no entanto que “a culpa da derrota não está em Alejandro, Maradona ou Batista. O que é necessário é uma mudança de mantalidade, porque essa coisa de querer ganhar de qualquer jeito não está nos levando a lugar nenhum”.

Checho insistiu na necessidade de um projeto de longo prazo, que implicaria em uma mudança de mentalidade: “Não concordo com Bilardo e sua idéia de que é preciso ganhar de qualquer jeito. Precisamos tempo para trabalhar. Temos bons jogadores, mas a Espanha também, e a diferença é que eles têm uma linha de trabalho, um projeto. Espanha e Venezuela têm projetos. Há quatro anos quem dirigem são os mesmos, quem joga são os mesmos. Aqui se culpa sempre os técnicos, mas não há projetos. O trabalho com as categorias de base deve ser de longo prazo. Se se exige resultados imediatos, estamos mal”.

Por seu lado, Cesar Menotti, histórico crítico do futebol de resultados, não poderia deixar de atacar esse aspecto da atual seleção argentina: “Para haver boas equipes precisamos de bons treinadores. Chega disso de que é ganhar ou ganhar, pois isso é uma grande tolice. Se falou de um estilo sério e vertical quando ganhamos do Chile, e agora se critica a mesma seleção. Contra o Chile não havíamos jogado bem, contra uma equipe que tomou a feliz decisão de sair para o suicídio”.

El Flaco argumentou ainda que “se não definimos a idéia central, não vamos aproveitar as qualidades dos jogadores. Não sei de que joga Rojo, ontem não deu para entender a posição de Di Maria, Mascherano não foi volante nem zagueiro, os três zagueiros estavam desordenados. Se seguirmos assim, sem convicções, vamos depender de Messi. E isso não é uma equipe. Se seguirmos assim, vamos sofrer mais”.

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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  • O Menotti deveria ser proibido de dar declarações em público. A maior enganação do futebol mundial, juntamente com Bilardo e a turma de 1986 (salvo, claro, vocês sabem quem), na qual, obviamente, se encaixa o Batista. Com a cumplicidade quase criminosa da pior imprensa esportiva do mundo, juntamente com a congênere brasileira.

    Acho que o maior problema da assim chamada geração de barro (ou será outra substância pastosa que não convém dar nome aqui?) é esse: inúteis que nem em seus sonhos mais selvagens deveriam estar onde estão e ter a fama que tem. Bilardo na seleção? Bom, o Mancuso era membro da comissão técnica do Maradona...

    Outra coisa irritante é a mania de "morir con la nuestra". Traduzindo literalmente, seria "morrer do nosso jeito", mas se alguém disser "o importante é não perder a pose" eu entenderia. Aquela batidíssima piada do argentino que, comprado pelo que vale e vendido pelo que acha que vale, seria o melhor negócio do mundo dificilmente se aplicaria melhor ao futebol.

    E a gente acredita, a gente sofre, porque é torcedor e porque tem nojo de ufanismo verde-amarelo galvão-buenista.

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