Yeso Amalfi viveu muito – 88 anos – e teria vivido todas, conforme sua autobiografia Yeso Amalfi: o futebolista brasileiro que conquistou o mundo. Esteve no vitorioso São Paulo dos anos 40, década em que o futebol da Argentina e do Uruguai tiveram gerações de ouro. E ele pôde jogar nestes países também. Mas acabou menos conhecido aqui do que poderia ao ter seus melhores momentos no futebol francês, por times do Mediterrâneo (Olympique de Marselha, Nice, Monaco) e nos principais da capital Paris décadas antes da fundação do PSG (Racing, Red Star e Cercle Athlétique). Faleceu ontem.
Foi um dos primeiros brasileiros de brilho na Europa (jogou também no Torino quando o primo pobre da Juventus ainda respirava o auge), com sucesso que ia além dos gramados. Mas o êxito que conseguiu ter por lá, não pôde reproduzir no Boca. Esteve nele em 1948, segundo ele por intermédio do hermano Antonio Sastre, condutor daquele grande São Paulo e enorme ídolo também no futebol argentino.
Naquele mesmo ano, em janeiro, enfrentou futuros colegas e futuros rivais na partida entre o combinado São Paulo, Palmeiras e Corinthians e o combinado Boca-River, jogo célebre como “o dia em que Di Stéfano vestiu a camisa do Palmeiras”, usada de improviso pelos argentinos por conta da falta de um uniforme próprio para o combinado (e pela falta de vontade deles em relação às outras possíveis soluções: os do River não queriam usar a camisa do Boca e vice-versa).
Amalfi não imaginava, mas veio ao Boca em um dos momentos menos propícios do time e do futebol argentino. No início da década, os auriazuis eram os únicos que davam combate à celebrada La Máquina do River (o clássico entre eles virou o “Superclássico” muito por conta dessa paridade ali), mas já não estavam com o mesmo fôlego. Naquele mesmo ano, por exemplo, perdeu uma invencibilidade de jogos na Bombonera que durava desde 1945. Em 1949, o time simplesmente lutou para não ser rebaixado. Viveria seu maior jejum de títulos, os dez anos entre a taça de 1944 e a de 1954.
O brasileiro e o Boca realmente não se deram bem: foram só 17 jogos (16 como titular), pouquíssimas 4 vitórias, 5 empates e nada menos que 8 derrotas, incluindo um 5-1 em amistoso contra o River. Mas não só os xeneizes viviam crise: naquele ano, uma supergreve de jogadores foi deflagrada e, sem ser atendida, encerrou um capítulo glorioso do futebol nacional. Em massa, muitos grevistas, como Di Stéfano, foram em 1949 ao Eldorado Colombiano (que depois levaria até Heleno de Freitas, colega de Amalfi naquele Boca e que teria sido contratado por sugestão dele) ou à Europa.
Amalfi marcou dois gols pelo Boca, sobre Vélez (3-2) e Lanús (3-3). Despediu-se há cerca de 65 anos, em 24 de abril de 1949 em derrota em casa para o Independiente no início do campeonato de 1949. Neste mesmo ano esteve rapidamente no Peñarol-base do Uruguai campeão de 1950 e também passou breve ainda pelo Palmeiras antes de ter vida de celebridade na França.
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