Categories: Arquivo

Novamente a xenofobia aparece em campos argentinos

Infelizmente o preconceito e a xenofobia também foram protagonistas no final de semana de futebol na Argentina. No jogo contra o Huracán, uma parte da torcida do River Plate entoou cânticos no estádio Monumental de Núñez contra os estrangeiros que residem no país. Tais canções servem diretamente para ofender os torcedores do maior rival, o Boca Juniors, que é o clube mais popular da Argentina e que tem milhares de torcedores de outras nacionalidades.

O fato não é novo nos estádios argentinos. Em outubro de 2010, a torcida do Independiente provocou a torcida do Boca atirando pães no gramado do estádio Libertadores da América, em outra infeliz alusão à condição social dos torcedores do “Xeneize”. Pela atitude, o Independiente foi multado pela AFA  e, ao menos por enquanto, não houve reincidência.

No último sábado, o árbitro Federico Beligoy e seus auxiliares cumpriram o regulamento e decidiram interromper o jogo do “Millo” pelas ofensas racistas. Foi preciso que todos os integrantes do banco de reservas do River se virassem ao setor de onde saíam as manifestações para pedir que as músicas parassem. Com a resposta positiva, Beligoy deu prosseguimento ao jogo normalmente.

Mas dessa vez as atitudes racistas foram além do estádio. Do lado de fora do Monumental era possível ver algumas barracas vendendo camisas provocativas aos torcedores do Boca, com um desenho de um DNI (documento de identificação equivalente ao RG  no Brasil) e a frase: “A inveja dos ‘bosteros'”. O termo “bostero” é pejorativo aos torcedores do Boca.

Até o momento, o INADI, órgão do governo que combate a xenofobia, elogiou publicamente o árbitro e os dirigentes do River, mas ainda não se manifestou sobre as camisetas vendidas nos arredores do estádio.

Alexandre Leon Anibal

Analista de sistemas, radialista e jornalista, pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte. Neto de argentinos e uruguaios, herdou naturalmente a paixão pelo futebol da região. É membro do Memofut, CIHF, narrador do STI Esporte (www.stiesporte.com.br ) e comentarista do Esporte na Rede, programa da UPTV (www.uptv.com.br ).

View Comments

  • Obrigado por abordarem o tema do link que lhes mandei. Não serei leviano de generalizar, mas esse comportamento é inerente a muitos rivais do Boca, como a matéria indica. Cansei de ver bandeiras bolivianas e paraguaias expostas, como se a nacionalidade em si fosse um insulto.

    Existem mil maneiras de achincalhar o rival. Ah, claro, e os argentinos são extremamente engenhosos nesse quesito. Cartazes, piadas, lembretes de resultados passados. Precisa resvalar para a insanidade?

  • sou hincha do river e o que ocorreu no monumental foi patetico. tenho certeza que isso é coisa de uma minoria imbecil

Recent Posts

Entre a Furia e a Albiceleste: os argentinos que defenderam o outro lado da Finalíssima do Mundo

Originalmente publicado em 6 de setembro de 2010 em função de amistoso entre as duas…

7 dias ago

Antes da rivalidade, a herança: como os ingleses germinaram o futebol argentino

Originalmente publicado em 31 de julho de 2016, nos cinquenta anos do título inglês na…

1 semana ago

Helenio Herrera, (muito mais do que) o argentino que treinou as seleções de França e Espanha

"Eu sou imortal, meta isso na sua cabeça. Mas quando chegar a minha hora, quero…

1 semana ago

Suíça, que já teve argentino em Copa, é terra ancestral de dois campeões com a Argentina

Originalmente publicado em 30 de junho de 2014, revisado, atualizado e ampliado Os elencos argentinos…

2 semanas ago

Há 110 anos, no 1º Brasil x Argentina da Copa América, o gol hermano foi de um espectador negro

Originalmente publicado nos cem anos, em 1916 - e revisto, ampliado e atualizado Virou lugar-comum…

2 semanas ago

Cabo Verde, terra ancestral de muitos dos afro e luso-argentinos do futebol

O duelo de Argentina e Cabo Verde na Copa recoloca em evidência aquela que talvez…

3 semanas ago

This website uses cookies.