Categories: Primeira Divisão

Porrada correu solta em La Plata

Conhece Schelotto? Então você sabe que o atual técnico do Lanús tem forte paixão pelo Gimnasia La Plata, rival do Pincha local. E ele sempre levou à flor da pele essa paixão. O que significa que desprezo e provocação ao Estudiantes fazem parte do pacote. Foi assim quando o mellizo era jogador e defendia o Lobo do Bosque; tem sido assim agora, que é técnico do Lanús. Então, o Granate foi a visita para o Pincha, no Estádio Único de La Plata. O Pincha ganhou no futebol, mas perdeu feio na pancadaria.

Até que o jogo foi bom. Teve sustos, correria dentro de campo, bom nível técnico etc. Expulsões também fizeram parte do pacote. E provocações, claro! De um lado e de outro, mas bem mais forte do lado do Granate. E isto foi levado para dentro de campo e se refletiu na tensão que marcou o jogo do começo ao fim. Após muitos esforços o Pincha chegou ao segundo gol bem no final. E levou os três pontos à sua campanha de 100% de aproveitamento. Fez bonito.

Só que a pancadaria seria mais um capítulo da história. Certo que a peleja já tinha acabado. Porém, ela inevitavelmente se associou ao que aconteceu dentro de campo. É tradicional de Schelotto dizer que em La Plata o Lobo sempre vai ser o grande time, mas que, para os árbitros, sua menina-dos-olhos é o Pincha. E novamente ele lembrou dessa história, ao fim da partida. Já ingressando nos vestiários a pancadaria rolou solta. E foi coisa feia.

Schelotto foi pra cima de Pelegrino, que já havia levado “uma pancada” de Verón, que ficou descontente quando o técnico tirou Guido Carrillo do jogo. Insatisfeito em serem plateia, Marchesín e Paolo Goltz, do Lanús, se enroscaram com Rulli, Schunke, Damonte e Desábato, do Pincha. A polícia chegou para dispersar todo mundo e o seu encarregado levou um safanão do Mellizo.

Quem viu a peleja garante que quem bateu mais foi a comitiva granate. Quem viu garante que a coisa foi mais feia do briga de rua. E quem estava presente dá fé as palavras do árbitro Jorge Baliño: “eu não estava lá; não vi nada!!!”. E por que ele não viu é possível que tudo fique por isso mesmo.

Joza Novalis

Mestre em Teoria Literária e Lit. Comparada na USP. Formado em Educação e Letras pela USP, é jornalista por opção e divide o tempo vendo futebol em geral e estudando o esporte bretão, especialmente o da Argentina. Entende futebol como um fenômeno popular e das torcidas. Já colaborou com diversos veículos esportivos.

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