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Uruguai: um país em expectativa

O presidente uruguaio, Pepe Mujica, deu seu apoio à Celeste

De Montevidéu/URU – No Uruguai a Copa América é o grande tema do momento, e todos aguardam ansiosamente a partida de sábado contra a Argentina. Mas nao se pode confundir expectativa com medo. Os uruguaios acreditam na vitória.

Cartazes de apoio à Celeste estão espalhados por Montevidéu. Bandeiras uruguaias podem ser vistas por toda a parte. Nos intervalos comerciais os canais de TV mostram diversas inserçães dos patrocinadores da seleçao uruguaia, sempre direcionadas para a Copa América. Mas para um brasileiro há algo de curioso nisso tudo. Nos cartazes e propagandas nao se exalta o treinador ou os jogadores, mas a paixao pela Celeste.

Nas ruas o tom é de confiança. Perguntei a muitos uruguaios se eles não lamentavam o encontro com a Argentina em uma fase ainda distante da decisao. Cheguei a sugerir que a seleçao uruguaia poderia ter facilitado o empate com os mexicanos, para fugir dos argentinos. Mas minha sugestão nao foi bem aceita:

“Nós uruguaios somos assim. Para nós tudo é mais difícil mesmo. Estamos acostumados com isso. E além disso, se quisermos ser campeoes, temos de vencer qualquer adversário, tanto faz se agora ou depois”, me disse Ernesto, um simpático dono de banca de jornal, sintetizando o que escutei de inúmeras pessoas.

A grande preocupaçao parece ser com Diego Forlán, que nao marca pela Celeste desde o mundial da África do Sul. A maioria dos uruguaios parece segura de que a ausencia de gols de seu ídolo é culpa do rompimento com Zaira Nara, apresentadora de TV argentina com quem o atacante estava para se casar: “todo mundo tem coração, e Forlán nao é diferente. E viu tudo o que a imprensa argentina falou dele naquela época?”, me disse Sebastian, comerciante de frutas.

Mas a Argentina que se prepare. No Uruguai há o reconhecimento de que o adversário é duríssimo, principalmente jogando em casa. Mas todos confiam muito que a Celeste pode vencer. E vários me repetiram textualmente as palavras de Ghiggia: “Nós uruguaios odiamos perder. Por isso lutamos como loucos até o fim e muitas vezes conseguimos o impossível”.

Com esse espírito a seleçao uruguaia tentará escrever mais um capítulo de sua história de feitos heróicos na noite de sábado. É o que seus compatriotas esperam.

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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