100 dias de esperança à albiceleste

Talvez seja a primeira oportunidade em que a Argentina tenha presenteado seu hincha com uma oportunidade concreta de sonhar. Vencer a Alemanha em Munique não rendeu três pontos, pela obviedade da palavra “amistoso”. Tampouco fez voltar atrás a eliminação de quatro anos atrás no mesmo país. E para tristeza dos afobados, ainda não bota a Albiceleste entre os favoritos a volta olímpica. Mas para acalmar os apocalípticos, já mostra uma evolução consistente em relação ao preocupante time das Eliminatórias.

Conversando com amigos jornalistas, e observando análises dos grandes veículos, creio que consegui alcançar um ponto comum que consiga responder a pergunta básica: aonde a Argentina melhorou?

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Antes de tudo, é melhor aceitar: o time de hoje deve ser repetido diante da Nigéria, daqui a 100 dias.

Destes 11 iniciais, foi possível observar um avanço animador no setor de criação argentino. Di Maria (talvez o melhor em campo hoje), adicionou velocidade e habilidade à ala esquerda. Gutierrez foi passado para a direita, e rendeu melhor que o antigo dono da vaga, Maxi Rodriguez. Verón esteve dividido entre a marcação e a armação, mas vários lances de perigo saíram dos pés dele. Por isso, merece parabéns, tal como o matador Higuaín, autor do gol.

Com relação ao jogador mais visado do mundo, Lionel Messi, não fez a partida genial que se costuma pedir dele. Os motivos para isso já são bem claros, afinal não joga como no Barça, nem tem Xavi e Iniesta para lhe abastecer no ataque. Por isso, precisa voltar para construir os próprios lances e alguns dos outros. Em algumas vezes conseguiu com Di Maria, em outras não. Mas tem talento para mudar o rumo de alguns jogos, e ninguém ousa duvidar disso.

Já a defesa de hoje é um setor complicado para se analisar. Indubitavelmente resistiram bem mais do que se esperava a tentativa de pressão alemã no segundo tempo. Mas até que ponto isso é merito argentino? Afinal, foi um dia infeliz para a seleção de Joachim Löw, insistindo demasiadamente em cruzamentos.

E apesar disso, a zaga ainda mostrou defeitos sérios. Otamendi e Heinze ainda não convencem como laterais. Samuel não foi mal, mas assim como Demichelis marcava de forma por vezes muito ríspida. Sem contar que inváriavelmente sofrerão diante de atacantes velozes.

Por último, devido a polêmica atrelada a sua figura de “treinador”, a influência de Maradona neste avanço.

Ainda que ele tente argumentar sobre um possível padrão de jogo criado, pois já se decidiu pelo esquema “4-4-Messi-1”, este humilde analista precisa discordar. Por manter a tática, ele ensaia um consistência tática. Entendo padrão de jogo como o repertório técnico oferecido conscientemente por uma equipe, tanto no ataque como na defesa.

Exemplo é o Estudiantes, que prioriza a marcação, com paciência para atacar com Verón, Enzo Pérez, Sosa e Boselli. Se a Argentina depende somente do desempenho individual dos jogadores em campo, sem ter uma estratégia definida, como chamar isso de padrão? Verdade que quando vence, recorre a defesa e ao contragolpe, mas é algo quase instintivo do times que seguram resultado ou não tem mais folego. Maradona não “inventou a bola” por fazer isso.

Mesmo assim, a Argentina evoluiu hoje. Nem tanto pelo placar, ainda mais num amistoso. Muito mais pela afirmação das únicas fontes de esperança confiáveis para o hincha desde o início: a qualidade individual dos guerreiros albicelestes. Parafraseando o título famoso de Garcia Marquez (embora sejam anos em vez de dias), e lembrando do ano importante para o país, serão 100 dias mais tranquilos por um sonho de um glorioso tri no bicentenário da pátria.