Basta perguntar ao torcedor do Fluminense quais são os atuais ídolos que certamente você ouvirá o nome de Dário Conca. O argentino foi um dos heróis da incrível campanha do tricolor carioca nessa reta final do campeonato brasileiro e também nas duas competições continentais na qual o clube participou ambos os torneios chegando à final. Também livrou o clube do rebaixamento e claro: pensa em vestir a camisa da Seleção Argentina num futuro próximo.
Em entrevista ao Futebol Portenho, as vésperas da batalha campal em Curitiba que evitou o rebaixamento do Fluminense para a Serie B, o jogador diz não guardar magoas de Leonardo Astrada, na época que atuava pelo River Plate além de confessar que vem passando uma das melhores fases de sua carreira.
Futebol Portenho: Desde que você chegou ao Brasil, você foi recebido com muito respeito e sempre foi visto como um jogador de muita qualidade. Isso aumentou quando você saiu do Vasco para o Fluminense, onde jogou a Libertadores? Creia nesse sucesso quando chegou ao Brasil?
Darío Conca: Me senti muito bem jogando no Brasil e fico feliz pelo reconhecimento. Espero continuar melhorando a cada temporada.
FP: Como ex-jogador de River, qual foi a sensação de fazer um gol no Boca Juniors?
DC: Fazer gol no Boca teve um sentimento diferente, por se tratar de uma grande equipe do meu país. A Libertadores do ano passado foi especial, passamos por times considerados favoritos.
FP: E pensar que na Argentina foi o país onde você menos jogou profissionalmente…
DC: Não fico triste, o destino quis assim. Continuo minha luta e estou feliz no Brasil.
FP: Ano passado, todos entendem que tudo que passou durante o Brasileirão foi devido a derrota na Libertadores. Mas, este ano o Fluminense tem uma boa equipe, com condições de serem campeões nacionais. Mesmo assim, vocês passaram por maus bocados. O que aconteceu?
DC: Infelizmente são coisas que acontecem em uma equipe durante a temporada. Mas já recuperamos nosso ritmo e espero terminar este ano dando alegrias para torcida do Fluminense.
FP: Como é a relação entre você e Astrada depois que ele te tirou da equipe principal do River?
DC: Não guardo mágoas de ninguém, todos foram importantes na minha vida profissional. São as coisas boas e ruins na vida que constroem o caráter de um homem.
FP: A contratação de Equi González foi uma indicação sua para os diretores? Eles ao menos pediram algumas referencias pra você?
DC: Não chegou a ser uma sugestão minha, mas gostei quando seu nome foi cogitado no Fluminense. Ele está sendo importante nesta reta final de campeonato.
FP: Como você vê o mau momento dos grandes times da Argentina que não jogarão a Libertadores em 2010? Você que a evolução das equipes consideradas pequenas é uma evolução para o futebol do país?
DC: O River já vive um momento delicado de uns anos para cá, e agora o Boca também não passa por sua melhor fase. Mas a Argentina também tem outros grandes clubes que representam bem o país na Libertadores.
FP: Está acompanhando o Torneio Apertura? Quem você acha que vai ser campeão argentino: Newell’s ou Banfield?
DC: Sim, sempre acompanho. A briga está boa, apenas um ponto de diferença. É difícil apontar um, mas acho que o Newell’s ganha.
FP: Agora que você está prestes a entrar em férias, você vai passar alguns dias na Argentina? Se for, vai acompanhar algum jogo da última rodada do Apertura?
DC: Ainda não defini como serão minhas férias. A concentração nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro é total. Após tudo isso acabar vou definir o que farei com minha família.
FP: No Brasil sempre comentam que tanto você quanto o Guiñazú merecem uma oportunidade com a camisa argentina. Mas, jogando no Brasil, você acredita que isso pode acontecer? Por quê?
DC: Jogo em um grande clube no Brasil e acho que estou em um bom lugar para ser observado. Se eu um dia for convocado, ficaria muito feliz e lutaria para honrar a camisa argentina.
FP: Qual a sua opinião a respeito da Seleção Argentina? Acredita que pode ser campeã na África do Sul?
DC: A Argentina sempre será umas das favoritas para ganhar o Mundial. Indo bem ou não nas Eliminatórias, é uma seleção de respeito e que tem tudo para ser campeã.
FP: E os comentários de Diego Maradona após a partida: concordou ou achou exagerado?
DC: Ele estava desabafando e depois pediu desculpas. Todos têm o direito de errar, mesmo Diego
FP: Pode afirmar que, por todos os elogios que vêm recebendo dos brasileiros, este é o seu melhor momento no futebol?
DC: Vivo um ótimo momento, não sei se é o melhor. O certo é que pretendo melhorar a cada temporada.