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Conheça o argentino que já defendeu a Suíça em Copa do Mundo

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Subiat em jogo de showbol pela Suíça em 2014. Vinte anos antes, a defendeu na Copa do Mundo

O futebol suíço não é dos mais badalados do mundo, mas já cedeu jogadores à Albiceleste. Já foi palco do triunfo de outros. E sua seleção principal já foi treinada por um argentino e defendida em campo por outro, que até participou de Copa do Mundo. E a sub-20 já contou com um jogador de origens argentinas e que atualmente pertence ao Olimpo de Bahía Blanca.

O argentino que já jogou pela seleção principal da Suíça é o atacante Néstor Gabriel Subiat. Ele é filho e neto de dois ex-jogadores do Vélez, respectivamente o meia Néstor Gilberto Subiat e o ponta-esquerda Gilberto Alejo Subiat. O avô, que jogou nos anos 30, foi mais obscuro, pois o dono da posição era Ángel Fernández (titular como na maior parte daquela década) e o reserva imediato, ninguém menos que Juan Echevarrieta, posteriormente estrangeiro com mais gols pelo Palmeiras.

O pai, apelidado de Pájaro (“Pássaro”) pelos cabeceios, teve mais chances, mas sem continuidade também: concorria com Daniel Willington, um dos maiores ídolos do clube. Passou em 1966 ao Colón, que estreava na elite argentina, para enfim triunfar em 1967 no Platense do técnico Labruna. O clube fez campanha brilhante no Metropolitano, só parada na semifinal pelo Estudiantes em uma das maiores superações já vistas no futebol: com um a menos e perdendo por 3-1, o time de La Plata, que nunca havia vencido a elite, conseguiu virar para 4-3. Retratamos a epopeia neste outro Especial.

Apesar da decepção, a linha ofensiva Miranda, Mugione, Bulla, Subiat e Luis Medina ainda é citada de memória pelos torcedores mais velhos do sumido Platense, hoje mais famoso por ser um raro clube marrom no mundo. Subiat jogou ainda no Millonarios de Bogotá até ir à França (jogou no Mulhouse). Radicou-se lá e o filho, nascido em Buenos Aires em 1966, começou a carreira no mesmo Mulhouse, na fronteira com a Alemanha. Essa vizinhança fez com que os colegas de clube torcessem pela Alemanha Ocidental na final da Copa de 1986. Subiat filho, apelidado de Pecos, era o solitário hincha da Argentina na concentração e assistia contido até se permitir desengasgar e correr feito louco pelo hotel quando Burruchaga marcou o gol do título…

El Gráfico retratando-o em 1994, em reportagem que revelou alguma das anedotas contadas aqui

Subiat, o filho, seguiu carreira nas divisões de acesso francesas até ser prospectado em 1992 pelo futebol da Suíça, acertado com o Lugano. Não era sua primeira vez nesse país, que já havia proporcionado uma anedota: um amistoso em Zurique entre Argentine e Itália em 1987 levou ele e o pai a visitarem a concentração Albiceleste. Antigo adversário do Subiat pai nas dramáticas semifinais entre Platense e Estudiantes no torneio argentino de 1967, Carlos Bilardo deu aos dois acesso total a ponto de se converterem pontualmente em roupeiros da seleção para aquele jogo.

Ele teve brilho instantâneo no Lugano: na primeira temporada, marcou os dois gols da decisão da Copa da Suíça, sobre o maior campeão do país, o Grasshoppers. Casou-se com uma cidadã local, Natacha, o que lhe propiciou a cidadania helvética a alguém cujas origens europeias eram italianas e bascas. Em 10 de agosto de 1993, fez uma primeira aparição pela Suíça, em jogo considerado sub-21 contra a Suécia – o suficiente para, pelas regras da época, condiciona-lo a não defender outra seleção.

A boa média de gols o levou a estrear pela seleção principal em 1994, em amistoso com os EUA em 21 de janeiro, a tempo de ir à Copa do Mundo que ocorreria ali – e que marcava a volta da Suíça  a Copas: a última havia sido naquele 1966 (onde enfrentou a Argentina) em que Subiat nascera. O argentino jogou três dos quatro jogos dos helvéticos na Copa, mas sempre vindo do banco.

Foi depois da Copa que teve Subiat teve um rendimento ainda melhor no futebol suíço. Contratado pelo Grasshoppers ainda antes do mundial, acabaria eleito o melhor jogador do campeonato na temporada 1994-95. A Suíça paralelamente se tornou a primeira seleção classificada à Eurocopa 1996 e Subiat emendou um bi seguido na liga, mas não pôde ir à Euro, lesionado. Não foi mais o mesmo depois, embora ainda tenha ganho chances no tradicional Basel e, voltando à França, no outrora vencedor Saint-Étienne. Ele nunca jogou na Argentina.

Em 2000, novo reforço argentino na seleção: Enzo Trossero, um dos maiores zagueiros do Independiente (foi à Copa 1982), foi contratado como técnico após ser vice argentino no ex-clube. Já havia feito sucesso no Sion, treinando o penúltimo título do clube na liga, em 1992. A seleção concorria por uma vaga na Copa 2002, mas uma derrota em casa para a Iugoslávia complicou-lhe as chances.

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Rattín com o capitão suíço no único confronto em Copas, em 1966 (vitória hermana por 2-0). Subiat e o técnico Trossero, os únicos argentinos na seleção principal da Suíça

Já o defensor Dylan Gissi, nascido em Genebra filho de argentinos (seu pai, Oscar Gissi, jogou no Vélez nos anos 80), jogou em 2012 pela seleção sub-21, quando já pertencia ao time principal do Estudiantes. Seu irmão Kevin também nasceu em Genebra e começou a carreira profissional na Argentina, no Arsenal.

Outros hermanos também foram reconhecidos de forma oficial na Suíça. O meia Raúl Nogués, no La Chaux-des-Fonds, foi eleito o melhor estrangeiro da liga em 1984. O meia-ofensivo Matías Delgado, do Basel (onde foi campeão da última temporada), foi escolhido o melhor jogador do campeonato em 2006 – curiosamente, ambos são ex-Chacarita. Outro ex-Basel, Christian Giménez, foi eleito duas vezes seguidas o melhor atacante, em 2002 e 2003, anos em que ficou na artilharia e foi campeão. Também foi artilheiro e campeão em 2005. Na Argentina, jogou por San Miguel, Nueva Chicago e Boca – não confundir com outro Christian Giménez boquense, que defende o México.

Apesar do sucesso do trio, só outros dois foram convocados pela Albiceleste desde clubes suíços. Néstor Clausen, que possui ancestrais no país, ainda não havia a rigor jogado no Sion, que o contratara do Independiente campeão argentino de 1988-89 (campanha que relatamos aqui). Campeão da Copa 1986, o lateral assinou o contrato pouco antes da Copa América 1989, rumando à Suíça depois do torneio. Acabou de fora da Copa 1990, mas esteve no título de 1992, treinado pelo ex-colega Trossero.

Já para outro, estar na Suíça não foi problema para ir a uma Copa e ser titular, mesmo que fosse na segundona suíça: o zagueiro Nelson Vivas era um raro jogador do Boca aproveitado na “Riverção” do técnico Daniel Passarella. Foi ao Lugano após a Copa América 1997 e manteve a titularidade na seleção enquanto conquistava o título de acesso na Suíça, indo depois da Copa de 1998 ao Arsenal inglês.

Vale ainda citar o caso de Luis Francisco Weissmüller, zagueiro convocado pela Albiceleste às Olimpíadas de 1928 quando esta ainda era a máxima competição mundial de futebol, embora não tenha entrado em campo. Embora nascido em Villa María, no interior cordobês, ser filho de casal de suíços o fizera até ser registrado originalmente como “Ludwig Franz”, a versão alemã do seu nome duplo. Polido no Belgrano, radicou-se em Buenos Aires em 1926 e defendia o extinto Sportivo Palermo quando foi convocado aos Jogos de Amsterdã.

A Argentina, em seis jogos, jamais perdeu para a Suíça, mesmo jogando quatro deles em casas oponentes. Ganhou de 2-0 em Sheffield na Copa de 1966 (gols de Luis Artime e Ermindo Onega), por 5-0 em Córdoba em 1980, por 2-0 em Berna em 1984, empatou em 1-1 na mesma Berna em 1990 e na Basileia em 2007 e a venceu por 3-1 em Berna em 2012; estes outros cinco jogos foram todos amistosos.

*Agradecimentos especiais ao amigo Esteban Bekerman, professor de Historia del Fútbol da Escuela del Círculo de Periodistas Deportivos de Buenos Aires e historiador do Vélez.

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Subiat cresceu fora da Argentina e nunca jogou no país natal, mas não nega as origens: torcedor do Boca e fã de Messi. Foi capa de jornal esportivo suíço de hoje: estará no Mané Garrincha amanhã

Caio Brandão

Advogado desde 2012, rugbier (Oré Acemira!) e colaborador do Futebol Portenho desde 2011, admirador do futebol argentino desde 2010, natural de Belém desde 1989 e torcedor do Paysandu desde antes de nascer

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