Argentina x Bolívia na estreia deu razão aos fãs do futebol ofensivo: a ausência de um meia custou caro.
De La Plata, Argentina – Os fãs do futebol ofensivo estavam certos. A ausência de um meia na partida desta noite em La Plata prejudicou, e muito, a Albiceleste na partida de estréia contra a Bolívia. E por pouco não gerou uma tragédia. Após sair em desvantagem, os argentinos sofreram para conseguir o empate na abertura da Copa América. Empate que pode sair caro.
A desorganização tática foi um dos principais problemas da Argentina na estréia. Para se ter uma idéia, no primeiro tempo, em determinados momentos, Lionel Messi chegou a jogar como lateral. Esteban Cambiasso atuou em muitas vezes como um atacante apesar dos sete convocados para a posição. Padrão de jogo zero.
Mesmo com tantos problemas táticos, Messi era a grande figura da Argentina. O jogador do Barcelona era quem buscava a partida e apesar da forte marcação, conseguia dar suas arrancadas letais que por pouco não culminava em gols. Lavezzi, em duas oportunidades e Tévez, em uma, tiveram as suas chances, mas sem sorte.
E mesmo contra uma frágil Bolívia, os problemas defensivos eram notórios. Além de usurpar o estilo de jogo do Barcelona, sofria com os ataques do rival. A marcação frágil, com defensores que pouco jogaram na temporada, culminaram com um La Platazo. Um desastre no primeiro tempo, que viria a piorar na etapa complementar.
No segundo tempo, Batista promoveu logo de cara uma substituição. Cambiasso, que era dúvida por conta de uma lesão, foi substituído por Dí Maria, deixando mais o time ofensivo. Mal sabia que dois minutos depois, um brasileiro, Edivaldo Rojas, poderia mudar a história. Naturalizado boliviano, o brazuca aproveitou a desatenção da defesa e de calcanhar, fraco, mandou o gol. A bola lentamente cruzou a linha e mesmo com Romero tentando enganar, o assistente Luis Alvarado assinalou o gol. 1×0.
Batista, durante a coletiva de imprensa um dia antes, havia dito que um empate era um resultado ruim para os argentinos. Mas, naquele momento seria lucro. E foi. O desespero argentino começou a tomar conta e por pouco, através de contra-ataques cedidos pelo meio campo, quase tomou o segundo gol. Marcelo Moreno, ex-Cruzeiro, aproveitou uma saída errada da defesa e ficou mano a mano com Romero, que com um toque sutil, evitou o gol. No rebote, o arqueiro voltou a salvar.
Enquanto isso, a Argentina sofria com a individualidade. Pocho Lavezzi, em duas oportunidades, decidiu partir sozinho pela ponta ao invés de armar Tévez. Resultado: cruzamentos que foram para fora. Batista não hesitou em sacá-lo para colocar Kun Aguero. E deu resultado. O jogador do Atlético de Madrid roubou a cena e conseguia controlar o time. E dos pés dele, saiu o gol de empate que diminuiu o tamanho da vergonha em La Plata. Após cobrança de falta, Burdisso ajeitou de peito para Kun de primeira, mandou para as redes.
Mesmo com o gol, a Argentina não conseguia encontrar padrão de jogo. Não conseguia jogar um futebol ao seu estilo. No fim, a Argentina quase conseguiu a virada, o que não seria justo. Os bolivianos saíram de campo comemorando como se fosse os 6×1 de dois anos atrás. E foi merecido. Merecia a vitória que não veio por um acaso. Pior para Argentina que terá de vencer a Colômbia para continuar com chances de terminar em primeiro.
Dado Estatístico
Essa foi a pior estréia da Argentina em Copa América desde 1997, quando empatou 0x0 com o Equador. Na Copa América de 1987, disputada também na Argentina, a Albiceleste também empatou: 1×1 com o Peru. A Argentina sequer chegou na final, quando perdeu para o Uruguai nas semifinais.

