As lendas sobre Messi na seleção começam pela mais repetida: a de que ele não seria jogador de seleção.
1) “Messi não é jogador de seleção”.
Absurdo. Messi teve a infelicidade de ser treinado na seleção argentina por treinadores que falharam ao armar a albiceleste. Basta perguntar: quem jogou nos últimos tempos com a camisa da seleção algo próximo do que joga com a camisa do clube? Tevez, Aguero, Higuain, Mascherano, Cambiasso, todos estão mal. Não dá pra jogar bem num time que é uma zona total.
E é bom ir acostumando. Cada vez será mais frequente que jogadores atuem melhor em seu clube do que em sua seleção, até porque as superestrelas comumente jogam em clubes melhores do que a seleção de seu pais (Rápida comparação: Mascherano é reserva no Barcelona, e Milito sequer se senta no banco; na albiceleste são ambos titulares). Como também treinam e jogam juntos o tempo todo, é evidente que a comparação penderá cada vez mais a favor dos clubes. Mas claro que na Argentina é pior porque seus treinadores tem sido horríveis.
2) “Os argentinos não gostam de Messi porque ele nunca jogou no país”
Os argentinos amam Messi. Claro que gostariam muito que ele tivesse atuado lá, mas ninguém é maluco de recriminar alguem por aceitar uma proposta do Barcelona aos 12 anos. Há, claro, a reticencia pelo fracasso com a camisa da seleção. Mas eles também sabem que Messi joga pela Argentina por opção, já que os espanhois pediram mil vezes que jogasse pela Fúria. A questão é claramente outra.
Messi não é um jogador com quem o torcedor possa se identificar. Não nasceu pobre, saiu cedo do país, quando vai à Argentina é sempre reservado, quase não dá entrevistas. E acima de tudo, não tem o carisma e o magnetismo pessoal de outros grandes ídolos. Pense em Pelé: era tão supercraque que é impossível se identificar com ele. E fora do campo, quer tanto ficar bem com todo mundo que ninguém quer se identificar com ele. Messi, como Pelé, é alguém que voce admira, mas não se identifica com ele, algo essencial para ser um ídolo.
Por outro lado olhe Tevez. Na sua cara, em seu jeito de jogar, em suas declarações sempre contraditórias, Carlitos transmite quem ele é: uma pessoa que nasceu pobre na periferia de Buenos Aires e venceu pelo talento mas também pelo esforço e pela raça. Tevez sim, está mais para Maradona, alguém com quem se pode identificar. É só pensar na torcida do Corinthians, clube onde se transformou em ídolo instantâneo. Ele é o “jogador do povo”, como dizem na Argentina, e não por ter feito sucesso no Boca. Tevez é da estirpe de Maradona, Garrincha e outros, um sujeito com quem voce sente empatia, que não apenas admira como ama. Messi é como Pelé, Kaká ou Rivaldo, alguém que voce admira, mas jamais pensaria em tomar um chope com ele.
Aliás podemos parar com essa tolice de atribuir um carater “passional” aos argentinos por terem uma relação mais afetiva com Maradona do que a que temos com Pelé. Essa diferença se deve aos jogadores em si, e não ao país onde nasceram. É só ver Ronaldo, que nos cativou pela eternidade ao dar a fenomenal volta por cima de 2002. Amamos Ronaldo incondicionalmente, independente das más fases, das imbecilidades que comete na vida pessoal, da tendencia de engordar, de seu comportamento contraditório. Ronaldo, como Maradona e Tevez (ou no Uruguai Forlán e Lugano), é o tipo do jogador que se ama. Messi, Kaká e Pelé não. Simples assim.
