Desde Buenos Aires – Enquanto o clima de tensão política entre Argentina e Inglaterra volta a acirrar-se pelo controle das Ilhas Malvinas, ou Falklands Islands para os ingleses, a disputa territorial ganha também contornos esportivos, mais precisamente em função do nome escolhido para o Clausura 2012: “Torneo Crucero General Belgrano” e a “Copa Gaucho Rivero”.
Os dois nomes estariam ferindo o artigo 3 do estatuto da FIFA, que proíbe a veiculação de temas políticos com o futebol e, por isso, poderia ser punida pela máxima entidade do esporte ou até mesmo ser banida do seu quadro de entidades associadas.
Trinta anos após o conflito bélico que consolidou o domínio inglês nas ilhas, a AFA decidiu não deixar a data passar desapercebida e resolveu homenagear os homens que lutaram e perderam suas vidas durante o confronto armado.
Na Argentina não há quem acredite em sanção de qualquer tipo por parte da FIFA. Princ
ipalmente pelo fato de Julio Grondona, presidente da AFA, ocupar também o cargo de vice de Joseph Blatter, com quem mantém um bom relacionamento.
Antes mesmo do início das transmissões dos jogos, a TV Pública exibe um breve vídeo explicativo sobre os fatos ocorridos com o Cruzador General Belgrano, alvo durante a guerra e que foi afundado deixando 323 mortos; e sobre a figura de Gaucho Rivero, estancieiro da região que à época da guerra, organizou uma resistência armada composta por argentinos que viviam na ilha. Foi morto em combate contra os ingleses.
Todo esse tema ganha relevância política no exato momento que o controle das ilhas volta a estar em pauta no cenário internacional. O governo britânico destacou um navio para patrulhar a região, o que gerou incômodo na Argentina. Na última semana, o representante do país na ONU entregou uma resolução que acusava os ingleses de possuírem material nuclear em seu navio patrulha.
