Boca perde e o Corinthians é campeão da Libertadores 2012

Jogadores do Boca abatidos deixam o gramado do Pacaembú

Desde Buenos Aires – Quando o Chelsea enfrentou o Barcelona pela Champions, em qualquer banca de apostas do mundo, certamente o favoritismo apontava para a equipe de Messi. Quando essa Copa Libertadores começou, ninguém apostaria no Corinthians. Sobretudo se fosse levado em consideração a história do adversário final: o poderoso Boca Jrs de Juan Román Riquelme, o Boca de dez decisões e seis títulos conquistados, o time mais temido da América. Mas nada disso importou para o Timão que depois de um grande empate na Bombonera, desbancou os Xeneizes no Pacaembú com dois gols de Emerson, ambos no segundo tempo. Agora as duas grandes “zebras” da temporada podem ter encontro marcado no final do ano, no Japão: Chelsea e Corinthians.

Primeiro tempo equilibrado e sem chances

Antes da bola rolar todas as atenções estavam voltadas para Riquelme que pode ter feito hoje, sua última partida pelo Boca. A saída eminente do ídolo e capitão foi veiculada pelos jornalistas argentinos justo antes da decisão, repercutindo um twitter de uma suposta conta do irmão do jogador. Os atletas chegaram calados e passaram direto para o vestiário visitante, sem concederem entrevistas.

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Quando o árbitro apitou o início do encontro, os dois times adotaram uma postura muito parecida daquilo que se viu em Buenos Aires na semana passada. O Boca agredia o Timão e o acuava no seu campo de defesa. Riquelme, Ledesma e Mouche formavam um perigoso trio pelo lado direito que complicava as coisas para a defesa corinthiana. Mas aos poucos o time da casa foi colocando os ânimos no lugar e conseguiu equilibrar a partida.

A partir daí o jogo ficou disputado no meio de campo com as duas linhas de quatro de ambos os times travando uma batalha de vai e vém na posse da bola. O Corinthians conseguia ganhar campo nas rápidas escapadas de Emerson ou de Jorge Henrique pelas laterais do campo. Numa dessas descidas, Orión saiu para cortar um cruzamente e se chocou contra um companheiro. Sentiu a lesão e precisou ser substituído pelo jovem goleiro uruguaio Sosa, que há um ano defendia o gol do Peñarol na decisão contra o Santos neste mesmo palco.

Mas a primeira parte não reservou nenhuma ameaça e terminou empatada sem gols.

Segundo tempo, Emerson decide

Quando os times voltaram para os últimos 45 minutos, tudo começou conforme o roteiro do primeiro tempo. O Boca pressionava a linha defensiva do Timão e chegou a ter as primeiras oportunidades, sempre com bola parada. Mas aí veio o balde de água fria. Numa falta de Riquelme sobre Danilo na lateral do campo, a bola lançada na área Xeneize acabou sendo mortal. Ninguém conseguiu afastar e ela sobrou para Danilo, de calcanhar, habilitar Emerson cara a cara com Sosa. O atacante fuzilou para o fundo do gol e abriu o placar: 1 a 0.

O golpe foi duríssimo para o time de Falcioni. O time parecia não ter forças para reagir e tocava a bola sem conseguir furar a fortíssima defesa do Corinthians. A linha de meio de campo trocava passes sem conseguir criar nenhuma situação de risco e cada vez mais os jogadores corinthianos passavam perto de conseguir uma roubada de bola que poderia ser fatal. E assim foi quando Schiavi falhou numa recuada e Emerson ganhou na corrida de Caruzzo. Tocou no canto do goleiro e correu para o abraço, 2 a 0. Todos já sabiam, era o gol do título, o Boca agonizava em campo.

Ainda teve tempo para constantes bate-bocas entre o a figura da noite e autor dos dois gols e Caruzzo, visivelmente nervoso com a postura do atacante do Corinthians. Trocaram empurrões, insultos e Emerson inclusive chegou a morder os dedos do defensor do Boca. Enquanto isso, do outro lado do campo, Schiavi e Leandro Castán também se desentendiam e precisaram ser contidos pelos colegas.

O Corinthians esperou o tempo passar e com o apito final marcou definitivamente sua história com o seu primeiro título da Libertadores. Riquelme fez questão de cumprimentar todos seus companheiros naquilo que parece ser mais um indício de que o seu ciclo no clube chegou ao fim. O Boca volta para Buenos Aires com a dura ressaca da derrota e os ventos de fortes mudanças soprando na casa Amarilla. Falcioni ainda terá a chance de ganhar um título, disputará contra o Racing a final da Copa Argentina.