Categories: Independiente

A eterna crise do Independiente

Montenegro não escapou das vaias na tarde de ontem

Desde Buenos Aires – O tempo passa, o tempo voa… e o Independiente continua tropeçando nos próprios pés nessa difícil e estreita trilha que é a B Nacional. Já se passaram cinco rodadas e o time ainda não sabe o que é vencer uma partida na segunda divisão do futebol argentino. Quem procura o Rojo na tabela precisa forçar bastante a vista para encontrá-lo lá embaixo, na décima sétima posição, com míseros três pontinhos.  E isso sendo respeitoso com o clube que mais vezes conquistou a Copa Libertadores, porque se olharmos a outra tabela, aquela que determina o rebaixamento para a B Metro, a coisa fica ainda pior: nesse momento o Rojo cairia para a terceirona!

É claro que muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte, mas se o time não mostrar imediatamente que possui poder de reação, corre o sério risco de morrer afogado em águas turvas e profundas.

Ontem tinha tudo para ser o dia que marcaria uma nova fase na temporada. Jogando em casa, estádio lotado, estreia de técnico novo e um adversário “relativamente fácil”. Porém de um tempo pra cá para o Rojo toda regra é uma exceção. As palavras do capitão do Independiente de Mendoza ainda no túnel antes de entrar em campo, sintetizam o que qualquer time pensa quando enfrenta o adormecido gigante de Avellaneda: “Vamos que ellos están cagados”, gritava aos companheiros quando foi captado pelas imagens da televisão.

Um melancólico empate sem gols fez ressoar uma vaia uniforme pelos quatro cantos da arquibancada. Ninguém foi poupado. Ninguém mesmo. O antes ídolo e fonte de toda esperança, “Rolfi” Montenegro, sentiu que também pode assumir o papel de vilão em uma história que, por enquanto, não tem nenhum mocinho à vista. O mais novo candidato a desempenhar esse papel é o treinador De Felippe, ex-Quilmes e ex-combatente das Malvinas. Conhecedor dos perigos da divisão de acesso, parece que vai precisar realizar algum tipo de treinamento militar para dar rumo a um time completamente sem confiança.

 

Leonardo Ferro

Jornalista e fotógrafo paulistano vivendo em Buenos Aires desde 2010. Correspondente para o Futebol Portenho e editor do El Aliento na Argentina.

Recent Posts

Cabo Verde, terra ancestral de muitos dos afro e luso-argentinos do futebol

O duelo de Argentina e Cabo Verde na Copa recoloca em evidência aquela que talvez…

1 semana ago

10 anos das notas 10: o bicampeonato argentino do Lanús, o Grená Mecânico

Essa é uma história que viraria até final de Libertadores. É a história do maior…

1 mês ago

Elementos em comum entre River Plate e Belgrano, final que revive rebaixamento de 2011

Ah, as voltas do futebol. Em 2026, se completarão (em 26 de junho) quinze anos…

2 meses ago

Elementos em comum entre Flamengo e Lanús

Valido. Volante. Fleitas Solich. Quem buscar ícones do Flamengo pré-Zico, invariavelmente vai resvalar nesses três…

5 meses ago

Elementos em comum entre Estudiantes e Racing, os primeiros campeões mundiais da Argentina

A semifinal argentina que o Flamengo abortou na Libertadores 2025 se converteu na final do…

7 meses ago

Todos os argentinos do Flamengo

Originalmente publicado pelos 120 anos do clube, em 2015 - e revisto, ampliado e atualizado.…

7 meses ago

This website uses cookies.