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A noite das penalidades

Desde Buenos Aires – Se for para falar de emoção no jogo de poucos minutos atrás que definiu a classficação do Newell’s às semis da Libertadores, é preciso saltar os 90 minutos de jogo e ir direto ao que foram as cobranças de penalidades. Simplesmente inacreditável, surreal, emocionante e impressionante. Em uma noite que certamente entrará para a história desses dois clubes (pela porta principal da Lepra e pela dos fundos do Boca) os rosarinos conseguiram sacramentar através dos pés de Maxi Rodríguez seu passaporte da maneira mais emocionante possível. Agora vai esperar para saber se seu rival será um clube brasileiro (Atlético MG) ou se vai se encontrar com o Independiente Santa Fé, da colômbia.

Com a bola rolando o jogo foi monótono. O primeiro tempo não acrescentou nada que merecesse destaque nos melhores momentos. Um ou outro lance de habilidade de Scocco e só isso. O Boca veio com a proposta de jogar exatamente da mesma maneira que conseguiu parar o Corinthians no Pacaembu e conseguia se defender muito bem, sem correr riscos. Na etapa final, o Xeneize foi melhor até os 12′ quando Clemente Rodríguez foi expulso. Blandi teve as duas melhores chances de marcar (mandou uma bola na trave), mas a noite estava reservada para a fanástica série de penalidades.

Logo na primeira cobrança, Riquelme perdeu. Chutou forte no meio do gol, mas Guzmán não se mexeu. Ficou parado e conseguiu espalmar. Delírio total em Rosario: o melhor jogador, o ídolo do rival tinha perdido a sua cobrança e tudo indicava um caminho mais tranquilo às semis. Depois de Riquelme todos fizeram até chegar a vez de Cáceres, o quarto pênalti da Lepra. O jogador paraguaio pareceu ter sentido a pressão e chutou para fora. O Boca e sua mística estavam novamente vivos! Só que não (como dizem por aí). Caruzzo cobrou mal e perdeu o último para o Xeneize. Bastava Urruti marcar e termina tudo ali. Só que não (isso mesmo, de novo!).

Vamos para as séries alternadas. O primeiro a cobrar (e a pedir para fazê-lo) foi Orión. Cobrou bem e depois quase defendeu  o pênalti seguinte. Mas as cobranças eram precisas. Então o jovem Zárate foi chutou o seu por cima do gol. Era a segunda chance do Newell’s fechar a série e garantir a vaga, só que não!!! Outro juvenil, Orzán, se apressou e também perdeu. O estado de tensão no estádio Marcelo Bielsa era incontrolável.

Seguiam as penalidades e a cada gol um sentimento de alívio. A cada gol a sensação de que sua parte estava feita. Porém alguns jogadores tiveram que fazer a sua parte duas vezes. Alguns tiveram a chance de se redimir, como o próprio Riquelme que cobrou e marcou o primeiro depois que todos já haviam cobrado. Foi assim até Burrito Martínez, que tinha convertido na primeira vez, perder a sua segunda cobrança Era a terceira chance que a noite apresentava para a Lepra fechar o jogo e dessa vez ela se apresentou para ninguém menos que o ídolo e experiente Maxi Rodríguez. Aí sim! Esse não decepcionou; cobrou com categoria e decretou a festa rubro-negra em Rosario.

Leonardo Ferro

Jornalista e fotógrafo paulistano vivendo em Buenos Aires desde 2010. Correspondente para o Futebol Portenho e editor do El Aliento na Argentina.

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