A crônica da classificação argentina foi escrita como um misto entre opinião de crítico e coração de torcedor.
Antes que leiam, preciso confessar. Essa crônica será um misto da minha opinião como crítico com meu coração de hincha da selección. Seria inocência minha se me contentasse com a vaga na Copa, mas não consigo ser frio a ponto de ignorar a beleza de uma conquista, que não deveria ser tratada como um título, mas acabou sendo tão impactante quanto um.

Bendito seja esta vaga no Mundial com a qual sonhamos.
Bendito seja cada nome que ajudou nesta conquista.
Bendito o peso de fazer história em solo inimigo e o respeito conquistado diante disso.
Malditos sejam as lembranças dolorosas.
Maldita seja a impotência que vivemos.
A possibilidade de voltar para casa cada um por um lado, ficar de fora da Copa, caíndo pelo caminho.

Bendita a anestesia geral as nossas dores.
As tristezas que curamos com abraços.
As gargantas que se romperam com o gol de Bolatti, nos sentindo os melhores por um instante.
Malditos os mesquinhos que jogaram sem poesia.
Os que pegaram, invejaram, bateram e se lamentaram.

Mas bendito mesmo seja o futebol por nos presentear com tal momento
De poder mudar nosso destino e mostrar outra vez, e frente ao mundo que nos agourou
O melhor, o pior e o orgulho de ser argentino!

Uma ‘poesia’ que não é exatamente minha. Apenas adaptei algumas frases do comercial da Quilmes após a derrota da Argentina para a Alemanha em 2006. Palavras que se encaixam perfeitamente no sentimento de ter triunfado contra nossos rivais charrúas em pleno Centenário. Feito histórico.
Daqui para frente, conscientes de que o técnico será mesmo Maradona, jogadores e comissão técnica precisam aproveitar a tranquilidade da qual ainda não puderam aproveitar. Foi um final feliz, mas um ano de comando para ser esquecido. Desde as convocações até o inexistente padrão de jogo, tudo precisa ser repensado.
Afinal, de nada adiantará uma classificação heróica (ainda que tenha saído de um jogo horrível) se tivermos que chorar a perda do Tri um ano depois.
