Autor: Thiago Henrique de Morais

  • Navas não é mais técnico do Chacarita

    Quando um dirigente tenta impor ao treinador quais jogadores devem se escalar, é porque a situação está realmente feia. E isso aconteceu no Chacarita Juniors nesta segunda-feira. Mauro Navas foi solicitado a sacar alguns jogadores que poderiam estar colaborando com a má fase. Todavia, o técnico não aceitou a imposição e por isso foi demitido do seu cargo.

    “O clube tinha uma posição tomada e sacar vários jogadores e eu creia que necessitava de todos eles para tentar escapar do rebaixamento. Tínhamos boas chances de nos salvarmos e eu não poderia ir sem estes jogadores. Os dirigentes criam que deveriam projetar o futuro. É uma política do clube que entendo, mas não podia ir de acordo”, destacou Navas ao programa Despertate, da TyC Sports.

    Os jogadores neste caso eram : Sebastián Cejas, Fernando e Diego Crosa, Jorge Núñez, Alejandro Frezzotti, Omar Zarif, Nicolás Ramírez e Edwin Avalos. Todos terão seus contratos ao fim da temporada e não continuariam na equipe, mesmo evitando o time do rebaixamento.

  • Argentinos encara Arsenal defendendo a liderança do Clausura

    Com uma rodada a menos que os líderes Independiente e Estudiantes, podemos sim considerar o Argentinos Juniors como o líder virtual da competição. Principalmente pela sequência de vitórias e o com futebol suficiente para vencer os seus rivais. A partida contra o Arsenal de Sarandí (que vem de uma derrota de 4-0 para o Boca Juniors) é a penúltima válida pela a 15ª rodada do Clausura 2010, na qual começará às 19h, que será complementada por Colón e Lanús, em Santa Fé, a partir das 21h10.

    Uma simples vitória no sul de Buenos Aires devolve a liderança a si, restando quatro rodadas para o fim do campeonato. Para o duelo Ignacio Canuto, Facundo Coria, Nicolas Pavlovich entram nos lugares de Juan Sabia, Santiago Raymonda e Ismael Sosa, suspensos. Tais jogadores tentarão manter a boa sequência de vitórias e aumentar a série de derrotas do rival desta noite, que não sabe o que é vencer desde a 11ª rodada, quando venceu o San Lorenzo por 1-0. Apesar das três derrotas consecutivas, Jorge Burrochaga não efetuará mudanças.

    Já pelo encerramento da rodada, Colón e Lanús, a partir das 21h10, tentam fazer algo melhor do que vem fazendo na competição, ou quem sabe, garantir uma vaga na Sul-Americana, já que fracassaram na principal competição intercontinental (Colón foi eliminado ainda na pré-libertadores e o Lanús foi eliminado na última quinta).

  • Rei de Clássicos

    Dois clássicos, duas vitórias. Esse é o retrospecto atual do San Lorenzo nestas última duas rodadas do Clausura 2010, sendo a primeira no fim de semana, contra o Independiente e hoje contra o rival de bairro, o Huracán.

    E tudo graças à mudança de ares, com direito a novo técnico e aos gols de Papu Gómez, Bordagaray e Leiva, que colocou a equipe com 17 pontos e tirou o arquirrival Huracán da briga pelo título argentino.

    E o ritmo, segundo os jogadores será mantido no terceiro clássico consecutivo. Na próxima semana o San Lorenzo enfrenta o Boca Juniors, na Bombonera, e tenta, ao menos, brigar por uma vaga na Sul-Americana, uma possibilidade difícil, mas não impossível pela série de jogos sem perder.

    A vitória, no entanto, não veio de forma fácil. O Huracán vinha mantendo um bom domínio de bola, mas não gerou muito perigo ao arqueiro Migliore, que até momentos antes da partida era dúvida. Melhor para os donos da casa, que marcou em sua primeira investida. Leiva cruzou para Gómez que sozinho dentro da área marcou o primeiro gol da partida.

    Após o tento, os visitantes continuaram desperdiçando várias oportunidades de gol, principalmente no minuto final, quando Clara, cara a cara com Migliore, bateu fraco. Na segunda etapa, o Huracán mantinha uma pressão, mas acabou prejudicado com a expulsão de Filipetto, aos 20 minutos.

    E isso deixou a equipe exposta, facilitando para Bordagaray e Leiva marcar o segundo e terceiro gol respectivamente, quebrando assim uma série do Huracán de cinco jogos sem perder, com quatro vitórias e um empate. O resultado acabou com as (remotas) chances de título.

  • Dois clássicos marcam a 15ª rodada do Clausura

    Como já diriam os futebolistas: ‘clássico é clássicos e vice-versa’. A filosofia do boleiro não deixa de ser real, uma vez que é um jogo distinto daquela partida de campeonato, que pode até mesmo decidir um título. Pois não há nada melhor do que vencer o rival. E hoje, dois jogos terão esse gostinho especial, principalmente porque essas quatro equipes não têm pretensões alguma no certame.

    O duelo que abre as pelejas deste domingo começa logo mais, as 14h, com San Lorenzo e Huracán. Apesar do vice-campeão do Clausura 2009 não ter vários títulos, o seu maior rival é o Ciclón, por ser uma equipe do mesmo bairro. Apesar de jogar no Nuevo Gasômetro, o Huracán chega com certo favoritismo, já que não perde há cinco partidas, diferentemente do rival, que venceu o seu último confronto após uma série de rodadas.

    Já às 16h é um clássico regional, um clássico não de bairro, mas sim de cidade. Newell’s Old Boys e Rosario Central travam mais uma batalha na peleja Rosarina. Como já dito anteriormente, ambas as equipes andam mal das pernas na competição. Enquanto o Rosario passou 10 rodadas sem vencer, o Newell’s ainda está abatido pela eliminação na pré-libertadores.

    As outras duas partidas também são importantes, principalmente para começar a delinear quem jogará a promoção. O Gimnasia LP jogará em casa, a partir das 16h, contra um instável Boca Juniors, que vem de uma massacrante goleada por 4 a 0 sobre o Arsenal, mas que vive uma série de problemas extra-campo. Já o Racing, encerra as pelejas do domingo, às 19h, contra o Vélez, que terá o seu time B em campo.

  • Com um dedo de Cappa

    De Buenos Aires – Se um turista que não acompanha os campeonatos argentinos foi hoje ao Monumental de Núñez, no mínimo uma pergunta ele fez aos demais torcedores: “Esse time está mesmo na parte de baixo da tabela?”. E tudo por conta de um estilo de jogo bonito implantado pelo debutante Angel Cappa, numa vitória mais do que merecida, por 2 a 1 sobre o até então líder Godoy Cruz, que voltou a ceder terreno aos agora Estudiantes e Independiente.

    Mas, a vida do torcedor do River Plate é sofrida. Também pudera. Da linha defensiva, somente Alexis Ferrero e o ala Ferrari jogam alguma coisa, deixando os torcedores mais do que apreensivos. Nas arquibancadas, o grito de gol parecia que seria desengasgado, após cinco partidas, em pouco tempo. Ele até chegou a sair, no primeiro minuto, com Gallardo, mas a Lunati acertadamente anulou o gol. Depois disso, foram mais quatro chances, com direito a bola na trave. Faltava pouco para comemorar aquele misero gol, o nono em 15 jogos.

    Contudo, como dito no início do parágrafo anterior, o torcedor do River tinha que sofrer um pouco. Talvez um carma pelo momento que o time vive. Aos 32 minutos, em um lance isolado do Godoy Cruz, Federico Higuaín mandou para as redes. Os medoncinos calavam o Monumental por um tempo. Atônito, um torcedor que estava em minha frente deixou os seus dois filhos e sobrinho e ficou isolado. “- Dónde está papa?”, um perguntou. “-Fue suicidarte”, disse o outro filho, mais velho, totalmente desconsolado.

    No intervalo, nenhum torcedor creia que o resultado era aquele. “Justamente quando estamos jogando bem”, deviam-se perguntar. Isso sem contar os xingamentos a Canales, pior jogador do River em campo. Cappa decidiu mantê-lo por alguns minutos. Por doze exatamente. Foi quando um tal de Diego Buonanotte foi para dentro de campo. Aplausos em um Monumental de pé, claro emocionado com o retorno de um atacante que esteve a beira da morte.

    A impressão que tive das arquibancadas atrás do gol, abaixo das populares do clube, foi de um renascimento, assim como teve o Enano. Logo no primeiro chute a gol do atacante, a bola raspou o ângulo esquerdo do arqueiro do Godoy Cruz. Depois disso, finalmente o gol, o primeiro após cinco partidas. A consistente defesa do clube de Mendonza falhou, Diego Barrado ganhou pela ala e tocou para Ortega só empurrar para o gol. Festa no Monumental.

    Só o gol já era uma justiça. A vitória, nem se fala. E ela veio, finalmente, para o torcedor Millonario. Paulo Ferrari, o lateral, foi oportunista que nem os melhores atacantes. O jogador aproveitou outra falha defensiva, driblou Ibáñez e viu a bola entrar de forma lenta do gol. Aquele torcedor que estava a minha frente, que deixou os filhos desconsolados, comemorava aquele gol quase aos prantos.

    Nos 20 minutos finais, quando a vantagem estava no marcador, o torcedor não sentou. Angustia com um tom de desespero. Finalmente aquela vitória, com um futebol de primeiro nível. Assim foi até os 49 minutos, quando Lunati apitou por três vezes dando fim a partida. Houve pontos falhos, claro. Principalmente na defesa e com o fraco centro-avante. Cappa, terá alguns dias para ajeitar tal problema e dois meses até o Apertura. Se continuar neste ritmo, com os reforços que estaria por vir (D’Alessandro, Defederico, Goltz e Bolatti) ninguém para o River Plate.