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Blog FP – Os erros do Vélez

O título do post não tem qualquer intenção de diminuir a vitória do Peñarol, equipe que tem sido tratada com muito respeito pelo FP. Mas não se pode compreender totalmente o resultado da partida desta quinta-feira sem levar em conta os diversos erros de concepção e execução que o Vélez teve no Centenário.

Como havíamos adiantado, a equipe tem jogado com duas linhas de quatro (Cubero, Ortiz, Dominguez e Papa na defesa, Fernandez, Razotti, Zapata e Martinez no meio), Moralez como enganche e Santiago Silva como centroavante. Mas hoje Gareca perdeu Maxi Moralez, indispensável na criação de jogadas ofensivas. E sua solução não foi bem sucedida.

Gareca não optou pela solução mais simples: escalar David Ramirez como enganche, função que desempenhou com grande sucesso no Godoy Cruz. Optou por trazer Burrito Martinez para a armação e colocar Ricky Alvarez pela meia esquerda. Burrito, habilidoso e insinuante, não tem características de armador. Pior: Martinez e Alvarez se revezavam entre o setor central e a esquerda, frequentemente se confundindo. Enquanto isso, Santiago Silva jogava sozinho, isolado entre os zagueiros.

No primeiro tempo o sistema não funcionou tão mal. Apesar de sair em desvantagem, o Vélez foi melhor na maior parte do tempo, e poderia perfeitamente ter saído na frente, se não perdesse dois gols certos. Mas no segundo tempo a equipe se perdeu. Com Burrito Martinez incapaz de organizar o time, o Vélez tinha a bola, mas não conseguia criar oportunidades concretas.

A equipe passou a alçar bolas na área de qualquer lugar do tempo, facilitando o serviço para a zaga uruguaia, fraca mas sólida no jogo aéreo. Graças a isso, os últimos 45 minutos tiveram uma característica curiosa: o Vélez dominou completamente a partida, sem criar uma única situação de perigo.

O Vélez é muito mais capacitado que a esforçada equipe uruguaia. Mas Ricardo Gareca terá de repensar sua estratégia de jogo, se não quiser perder outra Libertadores para Diego Aguirre.

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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