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Quando Grondona achou que eu era do Catar

Por que raios eu iria querer uma foto com Don Julio Humberto Grondona? Mas ela tem uma história bizarra, e a partir de hoje, única.

Tinha acabado Brasil 3 x 1 Croácia. Esperei a chefe* sair pra circular e ver quem estava do meu lado na Arena Corinthians. Achei Platini, Suker, Carlos Alberto Torres, Bebeto, Cafu, Kaká. Tinha Blatter me pedindo passagem para sair com a chefe, Valcke dando “tchauzinho”, Jennifer Lopez simplesmente linda. E Julio Grondona.

*Atualização em 12-06-2024, aniversário de dez anos da foto: a tal “chefe” era ninguém menos que Dilma Rousseff. O autor da nota trabalhava na assessoria de imprensa da presidência

Difícil ser fã dele. No currículo, tem várias acusações e mais tempo como presidente da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) do que eu tenho de vida. Mas por instinto automático, quis tirar essa foto.

Don Julio me olhou de cara feia no início. Deve ter pensado “quem é esse cara e por que interrompeu minha conversa?”. Mas, depois que pedi a foto, soltou o sorriso. Me estranhei do quanto ele parecia genuinamente feliz.

Mais estranho ainda é que o fotógrafo (que me pareceu ser o filho dele), perguntou: “você é do Catar?”. Na hora eu não entendi a piada, mas depois lembrei da polêmica Copa de 2022 (seria uma confirmação das denúncias?). Nem respondi que era do Brasil, e nem pude conversar mais para não perder o comboio de volta para Brasília. Agradeci e fomos embora.

Hoje, um mês depois, ele morreu. E essa foto fica ainda mais rara. Um homem questionável, mas meus sentimentos para a família. Grondona assumiu na época da ditadura, mas era respeitado por políticos de direita e esquerda. Ajudou os Kirchner com o Fútbol Para Todos. Na AFA, liderava como uma figura central, de modo que os títulos conquistados no período têm, sim, a marca decisiva dele. Não tem quem o substitua nesse sentido.

Veremos agora qual será o futuro da Argentina sem a influência dele. Adeus, Don Julio.

Rodrigo Vasconcelos

Rodrigo Vasconcelos entrou para o site Futebol Portenho no início de julho 2009. Nascido em Buenos Aires e torcedor do Boca Juniors, acompanha o futebol argentino desde o fim da década passada, e escreve regularmente sobre o Apertura, o Clausura e a seleção albiceleste

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