Originalmente publicado em 31 de julho de 2016, nos cinquenta anos do título inglês na Copa do Mundo – e revisto, atualizado e ampliado
A semifinal entre Argentina e Inglaterra, definida simbolicamente na data em que o futebol perdeu Antonio Rattín, traz à tona primeiramente o atrito: a conturbada expulsão de Rattín na Copa de 1966 e as Malvinas em 1982, então a trapaça sucedida pela apoteose de Maradona em 1986 e o toma-lá-dá-cá que truncou tanto Michael Owen em 1998 como a incensada seleção de Bielsa em 2002. Quem vê tanto condimento na rivalidade anglo-argentina mal imagina como o intercâmbio já foi bem mais amigável. Esse será o foco dessa nota.
O campeonato argentino como anglo-portenho
O campeonato argentino é, fora do Reino Unido, a liga mais antiga no mundo, ainda que historicamente seja muito mais municipal do que nacional. Afinal, Buenos Aires reunia uma comunidade britânica expressiva, em laços que remontavam à era colonial: diversos líderes da independência argentina reuniam-se em Londres na loja maçônica de nome Lautaro.
Na outra via, muitos dos jogadores dos primórdios do football portenho eram maçons. A prática já remontava aos idos de 1867, quando foram fundados tanto o Buenos Aires Football Club como o Rosario Athletic Club. Fundados quase trinta anos antes de Charles Miller disseminar a novidade no Brasil, eles travaram o primeiro jogo entre dois clubes argentinos e ainda participaram das edições iniciais do campeonato, que teve em 1891 uma primeira edição. Dali até 1912, só clubes “britânicos” venceram. Ingleses estiveram por trás dos campeõs do período: Lomas Athletic, Lomas Academy, Belgrano Athletic e encheram também o Alumni, cujo nome original era English High School.
Todas essas camisas gradualmente se voltaram a outro esporte. Buenos Aires FC, Rosario Athletic, Lomas Athletic (o bicho-papão do século 19) e Belgrano Athletic fundaram ainda em 1899 a União Argentina de Rúgbi e seguem ativos com a bola oval. Foi o caminho tomado também pelos herdeiros do Alumni, campeão por dez vezes entre 1900 e sua despedida em 1911, bem como pelo Córdoba Athletic, fundado ainda em 1882 como pioneiro do futebol cordobês.
A principal exceção dessa debandada foi o Quilmes, campeão de 1912 abrigando justamente dissidentes do Alumni, e que permaneceu no futebol. Seu rival, o Argentino de Quilmes, surgiu ainda em 1899 justamente como contraponto à certa resistência da cena em permitir adesão aos criollos, o que faz do sumido Clásico Quilmeño a rivalidade mais antiga do futebol argentino. Segundo o historiador Esteban Bekerman, já era possível notar faíscas por trás do afastamento massivo:
“O Alumni foi um clube elitista e anglófilo em um contexto que ponderava essas características como valores. Por isso durou somente 10 anos em que pese os múltiplos títulos que ganhou. Nunca teve nem quis ter apelo popular. E assim perdeu rapidamente a corrida contra o tempo quando o futebol oficial começou a refletir ações e políticas inclusivas (…). Essa inclusão repugnava o Alumni e por isso se dissolveu sem maiores trâmites em 1912. Foram claramente os melhores de sua época não só na Argentina, mas também em toda a América do Sul. E deixaram um legado importante ao contribuir na popularização do jogo no país. O tema é que conseguiram isso a contragosto. Não buscavam isso. E, quando começaram a alternar com hispânicos não surgidos de seu mesmo ambiente, preferiram dissolver o clube, por não estar de acordo com essa popularização. (…) Em 1911, já não era um clube só para ex-alunos do colégio de Watson Hutton. Seu último goleiro foi efetivamente Emilio Bolinches, fundador do Atlanta e filho de espanhóis. O incorporaram porque não tinham ninguém para o posto. Mas não os agradava nada disso de alternar com gente que não fosse da sua classe”.
O Quilmes segue usando o branco da seleção inglesa e o azul marinho da escocesa, mas gradualmente se abriu aos latinos enquanto em contrapartida o próprio rival Argentino teria seus ingleses. Afinal, estes não evaporaram por completo; a dupla Rosario Central e Newell’s Old Boys foram amamentadas no seio da comunidade anglo-rosarina, por exemplo.
Os clubes anglo-argentinos que seguem no futebol
Ainda no século XIX, em 1889, empregados da Central Argentine Railway fundaram o Rosario Central. Também em Rosario, em 1903, era fundado o Newell’s Old Boys no seio do colégio criado pelo imigrante Isaac Newell.
Dissidentes do Córdoba Athletic trataram de se manter no futebol quando o clube-mãe preferiu a bola oval: o inglês Tomás Lawson fomentou em 1913 a fundação do Talleres enquanto Herbert Williams e Walter Williams fundariam no ano seguinte o General Paz Juniors, que chegou a ser vice nacional em 1943 (na Copa da República, espécie de Copa da Argentina na época). Ambos se trajam com o branco inglês e o azul marinho escocês, tal como o Quilmes. Coincidência?
Em Buenos Aires, ferrovias de empresas britânicas, como a que originou o Rosario Central, deram origem ao Ferro Carril Oeste (que nos primórdios usava uniforme do Aston Villa) e ao Ferrocarril Midland. E mesmo equipes latinas procuravam soar inglesas. Daí o nome Boca Juniors aos “filhos do bairro de La Boca” ou River Plate aos que, no mesmo bairro (associado sobretudo a imigrantes genoveses), jogavam às margens do Rio da Prata. Essa influência também se nota nos nomes de Chacarita Juniors, Argentinos Juniors, All Boys e Chaco For Ever, ao passo que Banfield e Temperley representam suas cidades-sede, que por sua vez homenageiam antigos proprietários das áreas correspondentes – Edward Banfield e George Temperley.
Por ironia, quem começou a latinizar o futebol argentino foi um clube chamado Racing. Trajado nas cores argentinas, La Academia venceu sete campeonatos seguidos entre 1913 e 1919 e virou base da seleção, encerrando a era britânica também na Albiceleste. Vale dizer que a influência inglesa no nome já foi mais indireta, derivada do Racing Club de Paris.
Os jogadores anglo-argentinos
A cena do rúgbi argentino, hoje largamente hispânica, ainda seguiu bastante anglicizada por mais tempo – a ponto de em 1949 até haver um atleta capaz de defender em um mesmo ano as seleções de Argentina e Inglaterra, o fullback William Barry Holmes. Se os meios de transporte já estivessem tão avançados no início do século XX, talvez algo assim ocorresse também no futebol. Pois, nos primórdios da Albiceleste, sobrenomes anglo-saxões compunham a maioria, quando não a totalidade das escalações.
O pai da seleção argentina foi o anglo-argentino James Oswald Anderson. Jogava futebol no Lomas Athletic (foi artilheiro do campeonato de 1896), rúgbi no Buenos Aires FC (foi o terceiro presidente da federação argentina deste esporte), enquanto que no críquete ele veio a competir no tradicional campeonato inglês de condados pelo Hertfordshire. No futebol, Anderson selecionou os jogadores para encontros em 1901 e 1902 contra os uruguaios – a AFA considera o jogo de 1901 o primeiro da seleção, para a FIFA vale o de 1902. Já dedicamos a Anderson este outro Especial.
Um dos selecionados por Anderson em 1901 foi o volante Harold Ratcliff, do Belgrano Athletic. Nascera em Essex e jogaria outra vez em 1908, na estreia de camisa alviceleste. Outro da partida de 1901 foi o atacante Spencer Leonard, nascido em Rochester. Como aquele foi seu único jogo, nem sempre é lembrado nas estatísticas da seleção. Mas em outras sim: foi duas vezes artilheiro do campeonato argentino, pelo Alumni em 1900 e em 1906 pelo Quilmes – do qual foi o último presidente “britânico”, já nos anos 30.
Já um dos selecionados descendente de ingleses foi Carlos Dickinson, ponta-esquerda do Belgrano Athletic. Seu irmão, Alfredo Dickinson, jogava no rival Alumni e também defenderia a seleção. Dedicaram-se depois ao agronegócio, chegando a ter terras no Brasil (Alfredo faleceu em Santos, em 1971), com o qual visitaram com a Argentina em 1908 na estreia da camisa alviceleste. Outro irmão, Tomás Dickinson, esteve no encontro não-unânime de 1901.
Em 1906, o ponta-esquerda Wilfred Stocks, natural de Nottingham, maçom e jogador do Belgrano Athletic, jogou uma vez pela Argentina, no 2-1 contra o Uruguai – e participou também do primeiríssimo jogo da seleção argentina de rúgbi (em 1910), como bandeirinha. Harold Lloyd, apesar do sobrenome galês, nascera na Inglaterra também e, como jogador do Quilmes, defendeu a Argentina uma vez, em 1909.
O ponta-esquerda John Diggs não jogou em seleção, mas merece menção como a primeira transferência internacional do futebol argentino, naqueles anos. Era inglês e rumou em 1905 do extinto Barracas Athletic ao tradicional Nacional uruguaio.
Naqueles primórdios, também houve quem jogasse pela seleção argentina após defender outra seleção. Foi o caso de Harold Henman, nascido em Oxford e que em 1906 se fincou na Argentina após enfrentá-la pela forte seleção sul-africana da época (saiba mais). Este ponta-direita juntou-se ao Alumni e jogou em um 2-1 dos hermanos sobre o Uruguai. Foi o caso também do centroavante Sidney Buck, em 1912, ano em que foi campeão pelo Quilmes. Seu lugar de nascimento era incerto, mas foi na Europa e era descendente de britânicos. É o único que defendeu tanto a seleção argentina como a uruguaia; era ex-jogador do Montevideo Wanderers.
Nos anos 10, a seleção teve os irmãos Ennis e Harry Hayes, rosarinos filhos de ingleses. Eram ambos do Rosario Central e empregados da ferrovia que originou os canallas. São até hoje os maiores artilheiros do clube e estiveram ambos na primeira Copa América, há cem anos. Falamos aqui do sóbrio Harry e aqui do bad boy Ennis. Harry na verdade se chamava Juan Enrique enquanto Ennis era Ernesto, mas a importância ainda muito dada ao verniz britânico pesaram para ficarem mais conhecidos pelos apelidos familiares. No fim dos anos 30, Harry Hayes Jr, filho e xará do artilheiro, também deixou seus golzinhos pelo Central.
Desde então, mais quatro jogadores com origens comprovadamente inglesas se destacaram, a começar por Roberto Brookes. Veloz ponta-esquerda, era apelidado de El Inglés por ser filho de um imigrante de Liverpool contador de empresa petrolífera. Esteve na seleção argentina (campeão da Copa América em 1959) mesmo jogando na segunda divisão pelo Chacarita.
Já Daniel Willington tinha origens distantes, com fenótipo mais indígena do que anglo-saxão, sendo apelidado de El Cordobés mesmo. Bisneto de um inglês, esse armador foi o grande craque do primeiro título argentino do Vélez, em 1968. Consagrou-se também no futebol cordobês: formado no Talleres, esteve na estreia nacional do Instituto em 1973, ao lado de Kempes e Ardiles. Voltou ao Talleres e brilhou na primeira grande campanha nacional de La T, o 4º lugar em 1974. Ganhou pela seleção na Copa das Nações de 1964. Já dedicamos a ele este outro Especial.
Carlos Babington, por sua vez, era neto de um inglês não documentado, algo que truncou sua contratação pelo Stoke City em 1972: eram tempos em que o futebol inglês seguia fechado a não-britânicos e nem exaustivas pesquisas no Foreign Office puderam localizar a papelada que permitira ao volante a dupla cidadania. Ficou sendo El Inglés somente no apelido e, se não pôde integrar o clube de Gordon Banks, pôde dali a um ano ser estrela do histórico título do Huracán em 1973. O Globo encerrou ali 45 anos de jejum, catapultando o técnico César Menotti para a seleção. Babington seria também técnico e presidente huracanense. Já dedicamos a ele este outro Especial.
Héctor Cúper é bisneto de um inglês cujo sobrenome era Cooper cujos descendentes se miscingeram com italianos e indígenas até chegar nesse ex-zagueiro. Caudilho dos dois títulos do Ferro Carril Oeste na primeira divisão, em 1982 e 1984, ano em que fez seus únicos jogos pela seleção – cinco partidas em janeiro pela Copa Nehru, em Calcutá. Cúper acabou mais renomado como treinador, com o qual chegou à Copa do Mundo com o Egito, em 2018.
Para os fãs, é um técnico reconhecido por fazer equipes sob descrédito sonharem com os holofotes. Para os céticos, é alguém marcado justamente pelas seguidas amarguras do bote mal dado: foi vice com o Huracán no Clausura 1994 (que até hoje não encerrou o jejum reiniciado em 1973) e com a Internazionale na Serie A em 2002 (onde se lutava para pôr fim a jejum iniciado em 1989) mesmo começando a rodada final na liderança.
Ao mesmo tempo em que ele consolidou o Lanús na primeira divisão nos anos 90 e levou o Granate à conquista da Copa Conmebol 1996, sua Cúperativa também foi vice da Copa do Rei de 1998 e da Recopa Europeia de 1999 com o Real Mallorca; e da Liga dos Campeões com o Valencia tanto em 2000 como em 2001. No episódio mais recente, seu Egito saiu derrotado por uma virada aos 43 minutos do segundo tempo na decisão da Copa Africana de Nações de 2017. Mas o mestre já mereceu seu próprio Especial.
Os jogadores abaixo, por sua vez, têm sobrenomes ingleses mas não identificamos a origem. Sua presença é meramente especulativa:
Frederic Archer: artilheiro do primeiríssimo campeonato argentino, o de 1891, pela equipe da Buenos Aires-Rosario Railways.
James Gifford: artilheiro do campeonato argentino de 1894 pelo Flores Athletic – com apenas quatro golzinhos, é verdade, de um certame ainda diminuto.
Thomas Fearnley Allen: o primeiro a ser duas vezes artilheiro do campeonato argentino. Pelo Flores Athletic, dividiu em 1896 a artilharia com o citado James Oswald Anderson, e em 1898 foi artilheiro isolado pelo Lanús Athletic.
Percy Hooton: também duas vezes artilheiro, por Belgrano Athletic em 1899 e pelo Quilmes em 1906.
Herbert Dorning: artilheiro do campeonato argentino de 1901 pelo Belgrano Athletic.
Edward Morgan: ponta-direita do Quilmes, esteve no jogo de 1902 da seleção, marcando um dos gols da vitória por 6-0 sobre o Uruguai.
Eugenio e Juan José Moore: Eugenio Moore era ponta-esquerda e Juan José, meia-direita. Eram do multicampeão Alumni. Pela Argentina, Eugenio esteve naquele jogo de 1902 e Juan José estreou no seguinte, em 1903. Foram por mais de cem anos os únicos gêmeos na seleção principal, até serem igualados recentemente pelos irmãos Funes Mori (falamos aqui). Eram ambos maçons.
Jorge Howard: filho de um almirante da Guerra do Paraguai, também foi militar. Atuava no Belgrano Athletic e jogou uma vez pela seleção, em 1903, na primeira derrota dela. Esse goleiro tinha só 17 anos. Em 1906, na excursão do Nottingham Forest pela Argentina, jogou pela equipe inglesa contra o combinado rosarino. Era maçom.
Federico Boardman e Eduardo Jewell: goleiro e centromédio do Rosario Athletic usados pela seleção em amistoso não-oficial contra o Southampton, em 1904. Era a primeira visita de um time inglês ao Rio da Prata e a ocasião pesou, pois levaram de 8-0. As instalações do atual Atlético del Rosario se situam precisamente na Plaza Jewell, a ponto de ela ser usada como sinônimo do time.
Julian Parr e Henry Knight: lateral-esquerdo do Rosario Athletic e meia-esquerda do Belgrano Athletic, utilizados pela seleção em amistoso não-oficial contra o Nottingham Forest, em 1905, visita que inspirou o recém-fundado Independiente a adotar camisa vermelha – o Forest, afinal, venceu por 5-0.
Carlos Lett: meia-esquerda do Alumni, jogou pela seleção em 1905 (ano em que foi artilheiro do campeonato) e em 1911. Era maçom e lutou nas tropas reais de Sua Majestade na Primeira Guerra Mundial, sendo condecorado por bravura pela batalha de Galípoli
Ernesto Lett: artilheiro do campeonato argentino em 1905 e em 1911, ambas pelo Alumni.
Juan Rodman, Ricardo Coulthurst e Juan Stanfield: todos do Quilmes. Rodman era volante do Quilmes e jogou uma vez pela Argentina, em 1905. Coulthurst, que era maçom, era goleiro e também jogou uma vez pela seleção, em 1906. O ponta-direita Stanfield jogou uma vez, também em 1906, contra a seleção colonial de ingleses da África do Sul – que era forte e venceu por 1-0.
George Scholefield: goleiro do Belgrano Athletic utilizado na viagem que marcou a estreia da camisa alviceleste na seleção, em 1908, ano em que foi campeão argentino. Contudo, como foram partidas hoje vistas como não-oficiais, nem sempre é recordado. Agarrou pela Albicelete nos 6-0 sobre os “estrangeiros de São Paulo” no Velódromo, nos 7-1 sobre o combinado anglo-carioca nas Laranjeiras, nos 3-0 sobre a seleção carioca (também nas Laranjeiras) e então nos 6-1 em combinado de clubes paulistanos e da Baixada Santista. Depois integrou o Alumni.
Frederick Dickinson: também componente da viagem acima e outro do Belgrano Athletic, esse ponta-esquerda até deixou seus golzinhos nela – nos 4-0 sobre a seleção paulista e nos 3-2 sobre a seleção carioca, participando também dos 7-1 nos anglo-cariocas e de 3-0 em outro duelo com a seleção carioca. Assim como Scholefield, foram seus únicos jogos pela Argentina, de modo que não costuma ser lembrado para fins oficiais.
Alberto e Arturo Penney: irmãos dos primórdios do Boca, estiveram no primeiro título do clube, a liga central de 1906. Alberto também defenderia o River, em 1912.
Haroldo Grant e Juan Wood: ambos volantes do Belgrano Athletic. O vigoroso Grant jogou pela seleção entre 1907-11. Era maçom. Wood jogou uma vez, também em 1907.
Arturo Jacobs: volante que jogou pela seleção vindo tanto do Belgrano Athletic como do rival Alumni, entre 1907-13. Antes do primeiro gol olímpico oficial (do argentino Cesáreo Onzari, em 1924), ele já havia feito praticamente um, mas contando com o desvio do goleiro uruguaio em 1907 – foi em sua estreia pela seleção e esse foi seu único gol pela Argentina.
Carlos Tomás Wilson: goleiro do San Isidro, outro clube que se voltou ao rúgbi, é quem mais o representou na seleção de futebol. Estreou nela com só 18 anos, em 1907, e defendeu a Argentina por nove anos. Descrito como elástico e atento.
Henry Lawrie: artilheiro do campeonato de 1906 pelo já decadente Lomas Athletic, jogou pela seleção de 1909-11 vindo do poderoso Alumni. Também sabia jogar bem na defesa.
Charles Whaley: seu lugar de nascimento é incerto e seu apelido era El Sudafricano. Mas jogou pelo combinado argentino contra a própria África do Sul em 1906 (ano em que foi artilheiro do campeonato). Pela seleção de futebol, atuou uma vez, em 1907 – além de duas pela de críquete, justamente na estreia oficial da Argentina nesse esporte, em 1912. Era o centroavante do Belgrano Athletic.
Carlos Pearson: goleiro do Quilmes campeão de 1912, jogou naquele ano uma vez pela Argentina.
William Willward: zagueiro do Belgrano Athletic e outro cuja aparição pela Argentina não costuma ser recordada por ter ocorrido não-oficialmente. Atuou em 1913 nos 2-0 sobre a seleção paulista, evitando gols do adversário Friedenreich.
Guillermo Dannaher: potente centroavante, outro apelidado de El Inglés, embora nascido em Bahía Blanca. Jogou pela seleção entre 1912-14, vindo do Tiro Federal de Rosario e do Argentino de Quilmes, pelo qual foi artilheiro do campeonato em 1913. Também brilhou no Huracán, sendo artilheiro e campeão do primeiro título argentino do clube, em 1921, marcando os dois gols na partida que garantiu a taça, os 2-0 sobre o Boca. Teve fim trágico, apunhalado em briga de bar ainda em 1927.
Juan Johnston: volante que jogou uma vez pela seleção, em 1912, quando ela empregou de uma vez quatro jogadores do Argentino de Quilmes (como Dannaher), clube de Johnston.
Juan Rogers: clássico ponta veloz, jogou pela Argentina de 1912-13, vindo do Provincial de Rosario.
Ángel Mallen: rústico defensor do já decadente Belgrano Athletic, jogou quatro vezes pela seleção em 1913.
Heriberto Simmons: um dos primeiros jogadores do River na seleção. Era um defensor que ocasionalmente se aventurava no ataque, algo incomum na época. Jogou pela seleção de 1913-16 e esteve no primeiro título argentino do River, em 1920.
Juan José e Pedro Rithner: eram irmãos. O goleiro Juan José Rithner é quem mais defendeu a Argentina vindo do Porteño, entre 1910-16, incluindo a primeira Copa Roca, contra o Brasil, participando também da primeira Copa América. Também apitou um jogo da Argentina, em 1919. O meia Pedro Rithner jogou uma vez pela Argentina, em 1914, sendo o único jogador do Baradero nela.
Edwin Clarcke: centroavante forte e certeiro que pela seleção jogou vindo do Porteño e do extinto Sportivo Palermo, jogou a Copa América de 1919.
Juan Clarcke: artilheiro do campeonato argentino de 1922 pelo Sportivo Palermo.
Luis Cilley: volante que também se dedicava ao rúgbi, jogou uma vez pela Argentina, vindo do San Isidro, em 1919 – clube que naquele período decaía no futebol (abandonaria-o nos anos 30) enquanto era treze vezes seguidas campeão da bola oval. Vários outros Cilley se tornaram proeminentes neste esporte e um deles, José Cilley, foi o pontuador máximo da Argentina na Copa do Mundo de 1995.
Santiago Power: centromédio do Sportivo Dock Sud que jogou três vezes pela Argentina em 1922.
Federico Wilde: sua única aparição pela seleção foi no único jogo da Argentina na Copa do Mundo de 1934, na qual só amadores foram convocados. Wilde era meia-direita do Unión de Santa Fe.
Carlos Armando Wilson: zagueiro duro do sumido Talleres de Remedios de Escalada, jogou pela seleção a Copa América de 1935. Também passou pelo Boca. Era maçom.
Juan Carlos Colman: zagueiro duro de Newell’s e Boca, era por isso apelidado de Comisario. Titular na vitoriosa Copa América de 1947, esteve no primeiro amistoso da Argentina em Wembley, contra o English Team, em 1951.
Federico Edwards: estereótipo do xerife, era um lateral-esquerdo duro que se encarregava de cobrar faltas e pênaltis. Colega de Colman no Boca dos anos 50 e esteve na Copa do Mundo de 1958, mas jamais entrou em campo oficialmente pela Argentina.
Carlos Colman: sem parentesco com Juan Carlos, era o clássico volante armador argentino, bastante técnico mas lento. Esteve no Rosario Central campeão duas vezes entre 1971-73 e jogou uma vez pela seleção, em 1972.
René Houseman: colega de Babington naquele Huracán de 1973, chegou a ser o recordista de jogos da seleção argentina. Comparado a Garrincha pelas diabruras na ponta-direita e pelo vício em álcool, El Loco, destaque solitário na Copa do Mundo de 1974, ganhou, já decadente, a de 1978, marcando nos 6-0 sobre a Polônia. Como Willington, já tinha mais fenótipo indígena. Vale dizer que é largamente difundido que seu sobrenome provinha de um antepassado alemão mesmo (assim como na seleção de 1978 o sobrenome de Daniel Killer é herança de antepassados suíços e o de Héctor Baley, de senegaleses), onde há o cognato Haussmann. De todo modo, o sobrenome do “Homem-Casa” era narrado à maneira espanhola mesmo: “Ôusseman”, a quem já foi dedicado este Especial.
Carlos Gay: goleiro multicampeão de Libertadores pelo Independiente nos anos 70, ainda que tenha sido titular só na taça de 1974. Mas foi decisivo: pegou um pênalti na finalíssima com o São Paulo. Já dedicamos este Especial a ele, que também pertence ao seleto grupo dos que defenderam quatro dos cinco grandes do futebol argentino. Só lhe faltou o Boca após passagens também por San Lorenzo em 1978, Racing em 1981 e River em 1984 – além de ciclo no rival sanlorencista, o Huracán, entre 1985 e 1987.
Já dedicamos este Especial à influência escocesa e este outro à irlandesa para o futebol argentino – é desses povos que vêm os ancestrais britânicos de Alexis Mac Allister, por exemplo
"Eu sou imortal, meta isso na sua cabeça. Mas quando chegar a minha hora, quero…
Originalmente publicado em 30 de junho de 2014, revisado, atualizado e ampliado Os elencos argentinos…
Originalmente publicado nos cem anos, em 1916 - e revisto, ampliado e atualizado Virou lugar-comum…
O duelo de Argentina e Cabo Verde na Copa recoloca em evidência aquela que talvez…
Essa é uma história que viraria até final de Libertadores. É a história do maior…
Ah, as voltas do futebol. Em 2026, se completarão (em 26 de junho) quinze anos…
This website uses cookies.
View Comments