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Boca Juniors: um ano em um jogo

O Boca vai depender muito dele na data de hoje. E ele aceita a responsabilidade

Finalmente chegou a hora que todos os torcedores do Boca esperavam: a primeira grande decisão da equipe, com Bianchi, na principal competição continental. E mais do que nunca o apego à mística parece ser a principal salvação. Do outro lado tem o campeão do continente e do mundo, o que aumenta ainda mais o desafio. Vitorioso neste jogo e o Boca veste a camisa de favorito à conquista da Libertadores.

Não foram poucas as vezes que o Boca de Bianchi precisou decidir no Brasil uma passagem de fase ou título da Libertadores. Na maioria das vezes, a equipe precisou superar rivais poderosíssimos e não deixou por menos. Também na maioria dos casos, a equipe não era um primor de técnica e de destaques individuais. Este fato gerou na torcida uma memória favorável para o cotejo desta noite, no Pacaembu: o verdadeiro torcedor xeneize banca que a equipe da Ribera se classifica hoje diante do Timão.

O primeiro capítulo do encontro aconteceu na Argentina, duas semanas atrás. Na ocasião, Riquelme e companhia resolveram apostar justamente nesta mística para vencer o rival. A falação foi tamanha que não teve como os jogadores corinthianos não sentirem o peso de uma camisa acostumada a conquistas e a decisões das mais complicadas. De certa forma, a malandragem do Boca deu um tapa na cara de alguns brasileiros, que se autodenominam os grandes malandros da América. Dentro de campo, ignorando condição técnica e o próprio rival, o Boca foi para cima do Timão e mostrou o quanto será difícil eliminá-lo.

Agora, a parada continua no Pacaembu. Diante de um rival com a faca nos dentes, Bianchi resolveu trancar a equipe com quatro volantes. Considerando a primeira linha de quatro defensores, podemos afirmar que o Boca vai se defender com no mínimo oito jogadores atrás da linha do meio-campo. Riquelme terá a responsabilidade de ligar Nico Blandi no ataque, diante da boa defesa corinthiana. Tudo indica que a equipe vai precisar de uma ótima condição física do enganche. Até por isso que o técnico xeneize preferiu poupar seu jogador histórico no jogo de ida, na Bombonera.

Porém, não é apenas uma classificação que vai estar em jogo para o Boca Juniors. Diante de um ano difícil, em termos de resultados, com a desclassificação na Copa Argentina e a perda do título local, a passagem à próxima fase da Copa é a salvação do ano para o rival histórico do River Plate. Mesmo que a equipe não sobreviva nas demais etapas da competição, a simples eliminação do Corinthians, na noite de hoje, já seria um acerto de contas com uma temporada que até agora pede apenas para ser esquecida.

O discurso de favorito, adotado na Argentina, na partida de ida, já foi mudado radicalmente. Agora, o favorito é o time paulista, assim como afirmou Riquelme, ao chegar no Aeroporto de Guarulhos. No lugar dos seis títulos contra um, lembrado pelo enganche, agora são os jogadores do rival que são colocados pelo meia como o ponto que marca as diferenças do Corinthians sobre o Boca.

O jogo vai ser daqueles que são proibidos para cardíacos. De um lado, um exército trancando a defesa com Erbes, Somoza, Erviti e Sánchez Miño e apostando na condição técnica e também na mística de um jogador histórico e decisivo para a equipe: Riquelme. De outro, o atual campeão da Libertadores e do mundo. Um esquadrão extremamente ofensivo, exemplo de determinação tática e exemplo de que o futebol brasileiro pode sintetizar o melhor do que há na Europa. O vencedor sai como grande favorito para o caneco. E apenas a lembrança disso materializa fortemente a mística da camisa do conjunto da Ribera.

Joza Novalis

Mestre em Teoria Literária e Lit. Comparada na USP. Formado em Educação e Letras pela USP, é jornalista por opção e divide o tempo vendo futebol em geral e estudando o esporte bretão, especialmente o da Argentina. Entende futebol como um fenômeno popular e das torcidas. Já colaborou com diversos veículos esportivos.

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