A briga de ontem em La Paternal gerou os esperados comentários anti-argentinos na imprensa brasileira, como se Avaí e Botafogo não houvessem protagonizado cenas semelhantes no mesmo dia. Mas além de lastimar a ridícula postura da nossa imprensa, fiz um balanço de como os argentinos contaram a história. O resultado é surpreendente.
Nos grandes sites prevalecia o sentimento de vergonha. Todos reconheceram que as eventuais provocações dos jogadores tricolores não justificavam de forma alguma o que aconteceu. O Olé, visto por muitos brasileiros como um órgão oficial de ódio ao nosso país, publicou hoje o seguinte trecho: “bastou uma gozação, uma palavra a mais, daquelas que nunca faltam, e a despedida do Argentinos Jrs. foi um papelão maiúsculo, um vexame”. Seu concorrente principal, o Canchallena, foi pela mesma linha, lamentando que a incapacidade do Bicho de perder lealmente tenha estragado uma partida sensacional. Os dois grandes sites argentinos pediram por punições duras ao clube de La Paternal.
Os sites especializados no clube, que assumem o ponto de vista do torcedor do Bicho, seguiram a mesma linha. Para o Argentinos de Primera, “os incidentes do final foram uma lástima”, ainda que sem aprofundar o assunto. Mais duro foi o site Pasión Paternal, que estampou a manchete “um final bem argentino”. A matéria se abria dizendo: “tal como acontece às vezes quando uma equipe de nosso país é eliminada, os jogadores do Argentinos reagiram a uma gozação, e isso deu início a um vexaminoso encerramento da participação do Bicho na Libertadores”. O mesmo site resumiu o sentimento geral: “Foi um final típico de eliminação de equipe argentina da Libertadores, principalmente quando é causada por brasileiros, que têm o mau costume de gozar os derrotados”.
Não que a imprensa argentina seja livre de tolices nacionalistas, muito pelo contrário. Mas essa cobertura foi bastante fiel ao que se viu. Os vizinhos lamentaram as gozações tricolores, mas consideraram intolerável a reação dos jogadores do Bicho. Simples assim. Sem necessidade de defender o indefensável, e sem elaborar teorias pretensiosas e vazias sobre outro país baseado em vagas impressões e estereótipos. Um dia veremos isso por aqui?