Desde Buenos Aires – A cena era contrastante. Enquanto a torcida local comemorava a permanência na primeira divisão com seus jogadores, os atletas do Rosario Central caminhavam em direção aos vestiários com os rostos abatidos e os olhos cheios de lágrimas. A grande torcida rosarina que viajou até San Juan apostando em uma vitória simples que lhe daria a vaga na elite, nem tinha forças para insultar seus jogadores e apenas observaram a retirada dos memos, incrédulos e com as mãos na cabeça.
A série de duas partidas que terminaram empatada sem gols deixou a vaga para o San Martín que contou com uma belíssima atuação de seu goleiro, Ardente, na tarde deste domingo. É o final de um ciclo para o Central que assim como o Instituto, teve inúmeras oportunidades de ascender direto, mas não conseguiram concretizar a chance. O grande Rosario Central permanecerá um ano mais na segunda divisão do futebol argentino.
O JOGO
Um primeiro tempo sem nenhuma emoção. Foi um jogo morno onde o Central não fez nada para mercer ir aos vestiários com a vitória. Sofreu com o domínio do San Martín e não sabia como sair da forte marcação imposta pelo adversário. Só conseguiu chegar com perigo aos 31 minutos, quando Castillejos, sempre ele, finalizou na linha da pequena área um belo cruzamento que veio da esquerda, mas apareceu o excelente arqueiro Ardente para impedir o que seria suficiente para ascender o Central.
Na etapa final a partida melhorou. Forçado a sair de trás pela obrigação da vitória, os visitantes tentaram de todas as formas vencer a defesa do San Martín. Chegavam pelos dois lados do campo, com chutes de longe, mas a cada minuto que passava e a cada bola que se perdia pela linha de fundo, os nervos rosarinos aumentavam. Foi então quando Alderete acertou uma cotovelada no rival e recebeu cartão vermelho. A missão parecia ficar ainda mais complicada.
Mesmo assim o Central se lançou a frente e viu Ardente se consagrar no gol do San Martín. Quando as tentativas não se perdiam pela linha de fundo e tinham caminho certo ao gol, o arqueiro aparecia sempre com uma mão salvadora ou carrasca, dependendo do lado da torcida que você estivesse. Quando não conseguiu defender e a bola não foi para fora, apareceu outro elemento futebolístico que privou os rosarinos de saírem com o ascenso: a trave!
Toledo escapou livre, venceu dois defensores na corrida e quando invadiu a área bateu forte e rasteiro na saída do vencido goleiro, mas para sua infelicidade e de toda a torcida Canalla a bomba explodiu no travessão. Os minutos passavam e o San Martín conseguia segurar o valioso empate . Já quase no final da partida, o clima tenso quase motivou uma briga generalizada. O goleiro do Central, García, abandonou seu posto e deu um soco no rival. Tudo observado pelo árbitro do encontro que nada fez.
Apito final e destinos selados. San Martín permanecerá mais uma temporada na elite enquanto o grande Rosario Central amargará mais uma temporada na segunda divisão. O futebol comemora na mesma medida que se lamenta.
