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Cinco anos sem “el “Negro” Fontanarrosa

Desde Rosário – De onde mais poderia surgir algo assim… Claramente uma das notas mais belas do “dia do amigo” foi que ela recordou outro aniversário, mas o da morte do genial Roberto Fontanarrosa, um dos maiores escritores argentinos e sul-americanos.

O popular “Negro” canalla, em 2007, nos deixou, devido a uma doença muito grave. Uma doença degenerativa que o havia tomado como vítima. A mesa do famoso boteco “El Cairo” nunca mais foi a mesma. Ali “el Negro” se reunia com os principais amigos de sua vida. Entre eles, o vice-presidente do Rosário central, Rubén, “el Pitú” Fernández e também com algumas de suas personagens históricas, como Inodoro Pereyra (“el Renegáu”), Mendieta e Boogie (“el aceitoso”). Todas essas figuras choraram aquele dia cinza e triste; o silencioso 17 de julho de 2007.

Amante incorrigível do Central, o escritor como que deixou marcas simbólicas com sua morte. Na temporada seguinte, o clube da Calle Mitre se afundaria ainda mais e se configuraria para a queda à B Nacional em 2010. Pesadelo que segue até os dias atuais.

A crise era já de longa data, mas era como se Fontanarrosa, um orgulho canalla fosse um dos sustentáculo simbólicos da resistência que ainda permitia ao clube desfilar seu futebol na elite argentina.

Nunca tive a oportunidade de conhecer pessoalmente ao Negro. Mas foi no meu último ano no ensino médio que minha escola o convidou para um bate-papo, em que poderíamos conhecer um gênio ainda maior dos que as espetaculares personagens que o anunciavam em Rosário, na Argentina e no Mundo. De maneira amável, porém, Fontanarrosa declinou, por problemas com sua agenda.

Mas não foi um declínio qualquer. Ele enviou uma carta à nossa escola e a nós em que nos agradecia pelo convite e, ao mesmo tempo, nos convidava, a sempre que pudéssemos, a que o encontrasse em sua segunda casa: o bar “El Cairo”. Um lugar histórico do centro rosarino e referencial obrigatório a todos os turistas, argentinos ou não, que queriam tomar um trago, fazer um desjejum ou simplesmente se perder por ali.

Ao visitante, digo que também convém que conheça o pequeno Clube Universitário de Rosário, tradicional instituição do centro da cidade da qual o Negro soube ser um sócio, apenas para acompanhar as humildes partidas de futebol que ali se realizavam. Fossem partidas no ginásio ou no campo, mas em ambas era possível ver o grande Fontanarossa concentrado para vê-las. Aos turistas, digo que convém ir até lá, pois se trata do que podemos chamar de uma “terceira casa” do Negro. Suas marcas ficaram ali também.

Finalmente é isso. Algumas breves linhas só. Uma pequena homenagem a quem já não está entre nós. Para alguém que se fez um Patrimônio do Universitário, do Central e do “el Cairo”.

Assim como em uma data anterior um outro “Negro” já havia nos deixado (Alberto Olmedo, 05 de março de 1988), no dia 17 de julho de 2007 era a vez de Roberto Fontanarossa. Ambos souberam colocar o nome de Rosário no mapa do mundo e se fizeram um motivo de orgulho estupendo para todos nós dessas bandas de Santa Fe. Um orgulho para toda a comunidade canalla também, já que ambos simbolizaram, como poucos, a nossa grandeza. Para alguns…já esquecida.

Estebán de León

Rosarino, vive em Funes (a 15 km de distancia) desde 1987, torcedor fanático Rosario Central. Estudiante de Engenharia Mecânica da Universidad Tecnológica Nacional (Facultad Regional Rosario).

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