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Com um dedo de Cappa

De Buenos Aires – Se um turista que não acompanha os campeonatos argentinos foi hoje ao Monumental de Núñez, no mínimo uma pergunta ele fez aos demais torcedores: “Esse time está mesmo na parte de baixo da tabela?”. E tudo por conta de um estilo de jogo bonito implantado pelo debutante Angel Cappa, numa vitória mais do que merecida, por 2 a 1 sobre o até então líder Godoy Cruz, que voltou a ceder terreno aos agora Estudiantes e Independiente.

Mas, a vida do torcedor do River Plate é sofrida. Também pudera. Da linha defensiva, somente Alexis Ferrero e o ala Ferrari jogam alguma coisa, deixando os torcedores mais do que apreensivos. Nas arquibancadas, o grito de gol parecia que seria desengasgado, após cinco partidas, em pouco tempo. Ele até chegou a sair, no primeiro minuto, com Gallardo, mas a Lunati acertadamente anulou o gol. Depois disso, foram mais quatro chances, com direito a bola na trave. Faltava pouco para comemorar aquele misero gol, o nono em 15 jogos.

Contudo, como dito no início do parágrafo anterior, o torcedor do River tinha que sofrer um pouco. Talvez um carma pelo momento que o time vive. Aos 32 minutos, em um lance isolado do Godoy Cruz, Federico Higuaín mandou para as redes. Os medoncinos calavam o Monumental por um tempo. Atônito, um torcedor que estava em minha frente deixou os seus dois filhos e sobrinho e ficou isolado. “- Dónde está papa?”, um perguntou. “-Fue suicidarte”, disse o outro filho, mais velho, totalmente desconsolado.

No intervalo, nenhum torcedor creia que o resultado era aquele. “Justamente quando estamos jogando bem”, deviam-se perguntar. Isso sem contar os xingamentos a Canales, pior jogador do River em campo. Cappa decidiu mantê-lo por alguns minutos. Por doze exatamente. Foi quando um tal de Diego Buonanotte foi para dentro de campo. Aplausos em um Monumental de pé, claro emocionado com o retorno de um atacante que esteve a beira da morte.

A impressão que tive das arquibancadas atrás do gol, abaixo das populares do clube, foi de um renascimento, assim como teve o Enano. Logo no primeiro chute a gol do atacante, a bola raspou o ângulo esquerdo do arqueiro do Godoy Cruz. Depois disso, finalmente o gol, o primeiro após cinco partidas. A consistente defesa do clube de Mendonza falhou, Diego Barrado ganhou pela ala e tocou para Ortega só empurrar para o gol. Festa no Monumental.

Só o gol já era uma justiça. A vitória, nem se fala. E ela veio, finalmente, para o torcedor Millonario. Paulo Ferrari, o lateral, foi oportunista que nem os melhores atacantes. O jogador aproveitou outra falha defensiva, driblou Ibáñez e viu a bola entrar de forma lenta do gol. Aquele torcedor que estava a minha frente, que deixou os filhos desconsolados, comemorava aquele gol quase aos prantos.

Nos 20 minutos finais, quando a vantagem estava no marcador, o torcedor não sentou. Angustia com um tom de desespero. Finalmente aquela vitória, com um futebol de primeiro nível. Assim foi até os 49 minutos, quando Lunati apitou por três vezes dando fim a partida. Houve pontos falhos, claro. Principalmente na defesa e com o fraco centro-avante. Cappa, terá alguns dias para ajeitar tal problema e dois meses até o Apertura. Se continuar neste ritmo, com os reforços que estaria por vir (D’Alessandro, Defederico, Goltz e Bolatti) ninguém para o River Plate.

Thiago Henrique de Morais

Fundador do site Futebol Portenho em 2009, se formou em jornalismo em 2007, mas trabalha na área desde 2004. Cobriu pelo Futebol Portenho as Eliminatórias 2010 e 2014, a Copa América 2011 e foi o responsável pela cobertura da Copa do Mundo de 2014

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