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5 melhores jogos de Guillermo Barros Schelotto

Há dez anos, o ídolo boquense Guillermo Barros Schelotto realizou aquela que é considerada a sua melhor exibição pelos auriazuis, classificando-os às quartas-de-final da vitoriosa Libertadores de 2003 ao marcar três vezes – e fornecer uma assistência – contra o Paysandu no calor de Belém do Pará dentro de um Mangueirão nunca tão lotado. Era um atacante hábil, mas mais especialmente pelos lançamentos a companheiros e pelo oportunismo do que por olfato goleador genuíno. Lembraremos outras do mesmo tipo.

De fato, Schelotto se meteu entre os dez maiores artilheiros que o campeonato argentino teve desde 1986 mais pela longa permanência no futebol local do que por faro, com média de quem precisava de três ou quatro partidas para marcar um gol. Uma noite como aquela contra o Papão não foi, de fato, algo comum na carreira de alguém que, de tão querido que já era, possuía toda uma variedade de apelidos: a abreviação Guille (se você quiser bancar um sotaque portenho, use a pronúncia “Guishe”, não “Guilhe”) do seu nome; El Mellizo (“Meshiço”), que significa “O Gêmeo”, e sua abreviação Melli (“Mêshi”), alusões a ter dividido com o volante Gustavo o ventre da mãe Cristina; ou ainda El Chapita (“Tchapita”), um diminutivo de El Chapa.

Atualização em 11-09-2015: clique aqui para conferir dedicado ao gêmeo Gustavo Barros Schelotto, de carreira ofuscada pelo irmão, mas que teria ainda mais habilidade com a bola

Na base do Gimnasia, mal dava para diferenciar os gêmeos. À direita, eles em 1996: Guillermo veste short com o número 7 (o da esquerda), enquanto Gustavo veste um com o número 8

A expressão El Chapa não tem na Argentina o mesmo sentido brasileiro da palavra chapa como “camarada”. Para os argentinos, é uma gíria equivalente ao nosso “cara-de-pau”. É que, mesmo longe de ser um brigão no aspecto físico do termo, em campo esse ponta tímido na vida pessoal – e de estatura até baixa em comparação ao tamanho do rosto, daí o diminutivo Chapita – se revelava um mestre tanto em tiroteios verbais como em provocações silenciosas (em Belém, conta-se que, naqueles duelos com o Paysandu, ele cavou em La Bombonera a expulsão do bom volante Vanderson ao sofrer dele uma cotovelada que revidava um dedo colocado nos fundilhos do adversário…), sabendo tirar do sério até adversários normalmente calmos. Uma faceta que dividia bem com o irmão, aliás.

Os gêmeos estiveram a um passo do River em 1996 e teria sido a perda da paciência de Francescoli com um thrash talking de Gustavo, revidando provocações que o experiente uruguaio tentou lhe aplicar após ser driblado por entre as pernas, que teria melado uma negociação que o tempo tornou herética. Os dois Mellizos vinham despontando no clube do coração da família, o Gimnasia y Esgrima La Plata (um irmão mais velho deles, Pablo, chegou a ser goleiro até a categoria sub-16, enquanto o pai, Hugo, foi até presidente), tal como outros dos maiores ídolos auriazuis feitos Francisco Varallo, Alfredo Rojas e Hugo Gatti.

Último na fileira superior, entre revelações de 1992 no futebol argentino. Somente ele (ainda no Gimnasia), Ayala (terceiro nessa fileira, pelo Ferro Carril Oeste), Gustavo López (segundo da fileira inferior, pelo Independiente) e Ortega (River) chegariam à seleção, e esses três estariam todos na Copa de 2002 – onde Schelotto acabou privado de ir junto

Pelo Gimnasia, Guillermo até castigou o River em uma final, a da Copa Centenario, torneio oficial realizado pela AFA entre 1993 e 1994. Foi dele o gol que fechou a vitória gimnasista por 3-1 sobre as redes guardadas por Goycochea. Em grande fase, o GELP, historicamente um clube menos vencedor (aliás, vale a curiosa informação de que, ao contrário de Belém do Pará, em La Plata o apelido Lobo designa quem se veste de azul marinho, enquanto o clube listrado é quem é o León…), brigou frequentemente por títulos argentinos entre 1995 e 2005, embora a taça sempre teimasse em escapar.

Uma primeira disputa a sério se deu no Clausura 1995, em que o time dos Schelotto começou a rodada final líder, mas terminou vice de modo dos mais surpreendentes – derrotado em casa por um time misto de um Independiente que apenas cumpria tabela, terminou ultrapassado por um San Lorenzo que, sob regência do brasileiro Silas, encerrou 21 anos de jejum. A segunda, no Clausura 1996, a marcar precisamente a primeira das quatro vezes na carreira em que Guille marcou mais de duas vezes em uma só partida.

Um dia da caça, outro do caçador: Schelotto e o trauma dos vices de 1995 (acima) e 1996 (abaixo)  pelo Gimnasia, time do coração

A vítima do primeiro hat trick de Guillermo, incrivelmente, foi o Boca. A ocasião que com o passar do tempo se tornou tão irônica quanto a negociação dos irmãos com o River se deu em 5 de maio de 1996. Naquela tarde, o ponta fez metade dos gols platenses nos 6-0. E em plena La Bombonera. Para aumentar a humilhação histórica, foi o dia da festiva inauguração do setor VIP do estádio. Outro gol, por sinal, fora de alguém que fizera o caminho inverso – Alberto Márcico, antigo ídolo boquense que na ocasião defendia os triperos contra o time de Caniggia e Verón, ex-Estudiantes.

Assim como Verón, o técnico derrotado era outro ligado ao arquirrival platense, Carlos Bilardo: “nunca tive uma dor tão grande como esta, nem como jogador nem como técnico senti tanta vergonha no futebol”, declarou El Narigón. Mas a rivalidade caseira acabaria pesando contra no desfecho.

No dia em que fez três nos 6-0 sobre o Boca, na Bombonera: pelo Gimnasia, em 1996

Na rodada final, Guille até forneceu assistência em pleno Clásico Platense na casa adversária, mas o empate em 1-1 naquele 18 de agosto foi dos mais amargos. Engajado para impedir a festa rival (o Gimnasia, desde 1929 sem vencer a primeira divisão, seria campeão se ganhasse aquele dérbi), o Estudiantes fechou a casa. Por um ponto a menos, a taça foi do líder Vélez, que ainda contou com a estrela do goleirão Chilavert para somar contra o Independiente o pontinho que se mostrou suficiente: o paraguaio evitou a derrota ao pegar um pênalti cobrado por Burruchaga.

A vida seguiu e no mesmo ano, em 22 de dezembro, um jogo contra o Huracán Corrientes foi de festa natalina antecipada à família: Guillermo, pela única vez, marcou quatro em uma partida (dois deles, de pênalti, tal como dez anos atrás), enquanto o irmão gêmeo Gustavo fez outro nos 6-3, em La Plata. Curiosamente, a vítima naqueles 6-3 era amigo de infância dos gêmeos: Gastón Sessa, o goleiro do Huracán Corrientes, frequentava com eles a mesma escolinha de futebol infantil, o For Ever, e saíam juntos na boemia adolescente.

Schelotto e seu primeiro gol pelo Boca, para a vibração de Palermo (de braços erguidos, desfocado), Caniggia e Latorre

O professor deles na escolinha veio a ser empregado pelo Estudiantes e inicialmente levou o trio junto. Mesmo torcedor gimnasista, El Gato Sessa permanecera no rival e ali se profissionalizara, enquanto os amigos não tiveram a mesma boa vontade e trataram de fazer isso no time do coração. Depois daqueles 6-3, os irmãos acabaram contratados pelo Boca dali a um semestre, após pedidos públicos de Maradona pela dupla.

Guille teve uma estreia simbólica pelo Boca, já com gol marcado – mas, sobretudo, por ter sido na mesma tarde em que Maradona marcou seu último gol. Foi em 2-1 sobre o Newell’s do consagrado goleiro Goycochea, pela 5ª rodada do Apertura 1997. Mas a terceira vez em que Guille marcou três em um só jogo demorou outros dois anos. Foi no São Paulo, na primeira fase da Copa Mercosul 1999, em 31 de julho.

Rogério Ceni de joelhos para um dos três gols que Schelotto fez no São Paulo de Raí na Copa Mercosul de 1999

Foi em um 5-2 no estádio do Ferro Carril Oeste, com ele outra vez convertendo dois pênaltis, tal como faria uma década atrás. A foto acima ilustra bem o desabafo de quem vinha de uma eliminação cedo na Copa América na quinzena anterior, diante de um mata-mata precoce contra brasileiros. Seria preciso aguardar quatro anos para novo dia de goleador, em parte por lesões que truncaram um sucesso ainda maior na carreira – chegaremos nessa parte.

Pois bem. Naquela Libertadores de 2003, o Paysandu surpreendera a todos a arrancara um 1-0 em plena Bombonera no jogo de ida, gol do futuro reforço e ídolo boquense Iarley, entrevistado pelo FP a respeito quando o feito completou dez anos também (ver aqui). Como o Papão estava invicto na competição e costumava fazer valer o fator casa, até se permitiu a assumir o favoritismo. Mas a vantagem ruiu logo aos 14 minutos de jogo, com o primeiro gol de Guillermo.

Perfil em duas páginas dedicado a ele em edição especial em que a revista El Gráfico elegeu em 2011 os cem maiores ídolos do Boca. À esquerda, detalhe ampliado do círculo amarelo – “la rompió” é termo coloquial argentino equivalente ao uso elogioso do nosso “arrebentou”

Para classificar-se sem necessidade de pênaltis (os gols fora de casa não contavam na época), precisava-se vencer por dois gols de diferença. Os anfitriões empataram no início da segunda etapa, mas em vinte minutos a fatura já parecia liquidada para os argentinos: Schelotto dera uma assistência ao desafeto Delgado recoloca-los na dianteira e posteriormente converteu dois penais, com sua característica cobrança forte e no meio do gol; a respeito, vejam as perguntas 52 e 66 daqui, onde ele, em 2010, classificou aquela noite como o melhor jogo da carreira.

Já nos clássicos contra Estudiantes e River, o máximo que Guille conseguiu foi dois gols em um jogo. E apenas uma vez: duas semanas depois de eliminar o Paysandu, impediu a derrota para o rival na Bombonera, em Superclásico finalizado em 2-2 (o River abrira 2-0), sendo a comemoração do empate a imagem que abre essa matéria. Ainda assim, suas atuações mais recordadas são as mencionadas diante do próprio Boca e do Paysandu. É de se notar que ambas se realizaram pouco depois de seu aniversário: o hat trick na Bombonera ocorreu um dia depois do atacante ter completado 23 anos; no Mangueirão, onze depois de fazer 30.

Contra o Paysandu, em Belém: celebrado por Tévez e Delgado e disputando com Luiz Fernando

Ofertas europeias não faltaram antes dos 30 anos chegarem, embora nunca se concretizassem – no acervo do jornal espanhol Mundo Deportivo é possível vê-lo ventilado em julho de 1997 no “argentino” Real Mallorca, da chamada Cúperativa do técnico Héctor Cúper; em agosto de 2000 no Barcelona; enquanto que em dezembro de 2000 estaria disputado pelo Napoli, em nova indicação de Maradona, e também pela Real Sociedad. O time basco recuou ao saber do histórico de distensões musculares dele. E outro possível entrave foi a falta de passaporte europeu, algo que viria a atrapalhar em 2001 o irmão Gustavo de permanecer no Villarreal.

Mas a grande conta pendente da carreira foi a falta de mesmo protagonismo também na seleção. Os golzinhos do Chapita se resumiram à única edição da Copa América sub-23, em fevereiro de 1994, dias depois do título com o Gimnasia na Copa Centenário: marcou na estreia, com a Venezuela (1-1) e na segunda rodada, com a Costa Rica (1-0). Ao ficar no empate com o Uruguai na rodada final, a seleção viu o a equipe de Álvaro Recoba, que soubera vencer os dois jogos anteriores, pegar a única vaga para a fase seguinte.

A seleção enviada à Copa América sub-23 em 1994, curiosamente, teve os autores dos quatro gols no Paysandu: Schelotto é o 4º jogador da fileira superior e Delgado é o 4º da inferior

Ainda pela sub-23, Guille pôde vencer os Pan-Americanos de 1995. Contra o México, inclusive converteu cobrança (a terceira) na decisão por pênaltis que definiu a grande final de um torneio especialmente festivo aos argentinos por ter sido sediado em Mar del Plata. Mas não somou meia hora em campo na campanha inteira, como reserva de Sebastián Rambert, em alta pelo vistoso Independiente vencedor em 1994 do Clausura e da Supercopa. A estreia pela seleção adulta deu-se com os mesmos nomes da sub-23, em fevereiro daquele ano, em amistoso preparatório para aquele Pan – com o tal Rambert sendo a grande figura com dois gols (e pênalti cavado para outro) em 4-1 sobre a celebrada Bulgária da época.

No ciclo para as Olimpíadas de 1996, quem acabou mais testado pela sub-23 foi o gêmeo Gustavo, embora nenhum dos irmãos Barros Schelotto acabasse chamado por Daniel Passarella aos Jogos de Atlanta. Pela Albiceleste principal, Guillermo ainda atuou uma vez em 1996 (1-1 com o Paraguai, em 1º de setembro, dias depois do vice-campeonato com o Gimnasia no Clausura) e então voltou em fevereiro de 1999 para ter enfim sequência de titular; o recém-chegado Marcelo Bielsa fazia testes com uma delegação mais caseira e usava como base o dominante Boca.

Zanetti, Escudero, Schelotto, Ortega, Monserrat, Gallardo e Sorín (ambos de rosto cortado, mas distiguindos pelos números 10 e 13 nos calções) comemoram o ouro nos Pan-Americanos de 1995. O outro torneio do ponta foi a Copa América de 1999

Na reestreia, o ponta estampou capa da edição pós-jogo da revista El Gráfico ao ser considerado a figura em campo nos 2-0 em Maracaibo sobre a Venezuela (foi em lançamento dele que se gerou o segundo gol), mas foi quase só isso; na Copa América de 1999, foi de maior a menor. Na estreia, nos 3-1 sobre o Equador, sofreu a falta que resultou no primeiro gol, forneceu assistência a Palermo no segundo e, com a partida ainda sem gols, teria somado outra assistência se Palermo não perdesse dentro da pequena área. Nos dois jogos seguintes, porém, já não se viu tanta participação assim.

Na noite daquela eliminação frente o Brasil, já no primeiro mata-mata, Schelotto sequer entrou em campo. Foram ao todo dez partidas pela seleção adulta, sem gols – o mais perto foi um petardo no travessão contra a Lituânia, em 0-0 no estádio do Vélez em amistoso prévio à Copa América. No décimo jogo, em outubro daquele 1999, entrou aos 21 minutos do segundo tempo em amistoso com a Colômbia… e se lesionou seriamente no minuto final, infortúnio que o faria ter poucas atuações no título da Libertadores 2000. Ele até voltou a tempo de converter no Palmeiras a primeira cobrança na decisão por pênaltis que definiu a conquista, mas seguiu em um entra-e-sai do departamento médico naquela temporada. Acabaria, assim, deixado à margem por Bielsa ao longo das eliminatórias à Copa do Mundo.

À direita, abraçado em São Januário em 2001 enquanto Euller e Juninho Paulista corriam atrás do prejuízo: Schelotto marcou três gols sobre o Vasco no placar agregado das oitavas-de-final da Libertadores

Após hiato de dois anos, o técnico até chegou a convoca-lo – assim como Riquelme, a grande ausência questionada nas chamadas do treinador – para a rodada final das eliminatórias, em 14 de novembro de 2001. Os dois, afinal, haviam acabado de vencer nova Libertadores naquele ano. Nela, Schelotto até marcou três vezes sobre outro time brasileiro, no placar agregado sobre o Vasco: fez o único na visita em São Januário, pelas oitavas-de-final, encerrando uma chamativa invencibilidade de um elenco vascaíno forte, e guardou dois para os 3-0 na Argentina. Mas a convocação de Bielsa era para um temerário clássico em Montevidéu com o Uruguai, sedento para se garantir na repescagem após doze anos em ir a Copas.

Assim, com a Argentina já classificada, o Boca recusou: Mauricio Macri queria os ídolos da torcida inteiros para o Mundial Interclubes com o Bayern Munique, em 27 de novembro. Riquelme pôde recuperar lugar nos anos pós-Bielsa, mas Schelotto, à beira dos 30 anos, não teria o mesmo luxo. Mesmo ciente disso, Guille, que tivera uma sequência esparsa de jogos em 2000 por conta daquela lesão, não protestou: não pudera ser titular contra o Real Madrid no Interclubes anterior e, sem sonhar que Caniggia seria desenterrado por Bielsa, sentia mais ao horizonte ir à Ásia pelo clube do que via Copa de 2002.

Quando mesmo sem Riquelme ou Palermo ele venceu o Mundial Interclubes de 2003, seu único como titular, era visto como maior ídolo do Boca

O foco em novo “projeto Tóquio” até fizera o time antecipar para 1º de novembro um compromisso originalmente agendado para o dia 24 com o Racing. Foi o curioso duelo dos gêmeos: Gustavo Barros Schelotto havia se tornado racinguista e, embora derrotado na ocasião, sorriu por último; em 29 de dezembro, sua equipe encerrou 35 anos de jejum no campeonato argentino. Mas o Bayern levou a melhor no tira-teima de 2001. Guillermo pôde enfim ser campeão mundial como titular naquele dourado 2003, compondo contra o Milan curiosa dupla de ataque ao lado de Iarley, seu quase carrasco no primeiro semestre – as repetidas fotos acima com os troféus tão a dimensão da bronca que desengasgava no Japão após a alegria agridoce de 2000, a decepção de 2001 e ver de longe a Copa de 2002.

Nova viagem a Tóquio parecia no horizonte em 2004 após o Boca eliminar o grande rival em cardíacas semifinais da Libertadores. Schelotto esteve longe de marcar hat trick: estatisticamente, contribuiu “só” com a assistência para Schiavi marcar o único gol do duelo de ida. Mas se houve uma última vez em que fez valer o apelido Chapita, foi naqueles duelos, de tensão tamanha que causaram o então ineditismo de não ter público visitante. No Monumental, o River devolvia os 1-0 e teria praticamente todo o segundo tempo com um homem a mais, pela expulsão de Fabián Vargas logo aos 20 segundos do reinício. De uma só vez, Guillermo reverteu essa desvantagem numérica em campo.

“Tem um senhor ali que não sei como se chama e me está insultando”: a famosa cara-de-pau dele para cima do River em 2004 e a festa com Tévez pelo gol da “galinhada” naquelas semifinais

Primeiramente, ao cobrar um escanteio, aproveitou-se de uma garrafa jogada pela torcida do River para paralisar o jogo e esfriar o ímpeto millonario. Em confusão que se seguiu, com o rival já tendo queimado as três substituições e vendo a necessidade de ficar com dez jogadores diante de lesão de Rojas, Guille cavou a expulsão de Sambueza (o fez acreditar ter sido expulso e o adversário caiu no teatro a ponto de reclamar energicamente com a arbitragem e terminar expulso de verdade) e até do assistente técnico adversário, Hernán Díaz (delatando os xingamentos de “um senhor ali que não sei como se chama” a um bandeirinha). O resto é a história conhecida: no finzinho, Tévez empatou para logo ser expulso também e Nasuti até achou tempo para marcar novo gol ao River, mas o Monumental dormiu em silêncio pelo triunfo xeneize nos pênaltis.

Só que, também nos pênaltis, a torcida azul y oro amargou vice para o surpreendente Once Caldas. Depois daquele vice-campeonato na Libertadores 2004, o ídolo gradualmente se tornou mais presente no banco até fazer as malas em 2007 para jogar nos Estados Unidos, após ter sido sondado até no Flamengo em 2006. Assim, a “faixa-bônus” para um Top 5 elencando os ditos jogos contra Boca Huracán Corrientes (ambos de 1996), São Paulo (1999), Paysandu e River (ambos em 2003) fica com sua atuação na final de 2008 da Major League Soccer, onde jogou de 2007-10 pelo Columbus Crew.

Columbus Crew campeão dos EUA pela primeira vez, após final em que Schelotto (agachado no canto esquerdo) distribuiu três assistências

O clube de Ohio jamais havia sido campeão e, por tê-lo carregado até a decisão, GBS (apelido novo, que recebeu ali nos EUA, sob a pronúncia local “Dji Bi Éss”) já havia sido eleito o melhor jogador da temporada regular do torneio. O argentino terminou eleito também o melhor da final da MLS: em vez de três gols, forneceu três assistências para os 3-1 no New York Red Bulls, além de acertar o travessão em toque sutil de fora da aérea. Abaixo, as fichas dos outros cinco jogos:

Boca: Carlos Navarro Montoya, Luis Medero, Néstor Fabbri, Carlos Mac Allister, Nelson Vivas (Alphonse Tchami 23/1º); Fabián Carrizo, José Basualdo, Kily González e Juan Sebastián Verón; Sergio Martínez e Claudio Caniggia. T: Carlos Bilardo. Gimnasia LP: Enzo Noce, Guillermo Sanguinetti, Jorge San Esteban, Ariel Pereyra, Gustavo Barros Schelotto (Darío Ortiz 30/2º), Andrés Yllana, Guillermo Larrosa, Alberto Márcico (Pablo Morant 11/2º), Favio Fernández, Guillermo Barros Schelotto, José Albornoz (Mario Saccone 16/2º). T: Carlos Griguol. Árbitro: Hugo Cordero. Gols: Gui. Barros Schelotto (2 e 13/1º), Albornoz (40/1º), Gui. Barros Schelotto (44/1º), Márcico (6/2º) e Saccone (34/2º). 05/05/1996

Schelotto foi contratado pelo Boca a pedido de Maradona, que por ele topou vestir uma camisa 7 para essa foto. À direita, capa da El Gráfico no mês seguinte ao jogo contra o Paysandu teve ele, sob a chamada “talento e malandragem”

Gimnasia LP: Enzo Noce, Guillermo Sanguinetti, Víctor Rueda e Pablo Talarico, Gustavo Barros Schelotto, Guillermo Larrosa, Darío Cavalo, Sebastián Romero (Rubén Ferrer 27/2º) e Andrés Guglielminpietro (Cristian Pittaluga 8/2º), Guillermo Barros Schelotto e Carlos Lagorio (Roberto Sosa 23/2º). T: Carlos Griguol. Huracán Corrientes: Gastón Sessa, Alfredo Grelak, Darío Ortiz, Gabriel Casas (Cosme Zaccanti 14/2º), Julio Marinilli, Andrés Gaitán (Carlos González 15/2º), Mauro Amato, Fernando D’Amico, Oscar Alsina (Josemir Lujambio 45/1º), Luis Ernesto Sosa e Rafael Bianchi. T: Humberto Zuccarelli. Árbitro: Oscar Sequeira. Gols: Gui. Barros Schelotto (20/1º), Sosa (30/1º), Gui. Barros Schelotto (32/1º), Gui. Barros Schelotto (2/2º), Bianchi (4/2º), Gus. Barros Schelotto (9/2º), Gui. Barros Schelotto (20/2º), Sanguinetti (41/2º) e Marinilli (44/2º). 22/12/1996

Boca: Oscar Córdoba, Hugo Ibarra, Cristian Traverso, Walter Samuel e Rodolfo Arruabarrena, José Basualdo (Gustavo Barros Schelotto 22/2º), Mauricio Serna, Diego Cagna (José Perna 31/2º) e Juan Román Riquelme, Guillermo Barros Schelotto (César La Paglia 22/2º) e Antonio Barijho. T: Carlos Bianchi. São Paulo: Rogério Ceni, Wilson, Nem e Márcio Santos, Emerson (Sandro Hiroshi), Raí (Ricardinho), Edmilson, Souza e Carlos Miguel (Fabrício), Marcelinho Paraíba e França. T: Paulo César Carpegiani. Árbitro: Epifanio González. Gols: Gui. Barros Schelotto (3/1º), Gui. Barros Schelotto (13/1º), Ibarra (22/1º), Raí (29/1º), Gui. Barros Schelotto (31/1º) e Barijho (44/2º). 31/07/1999

Na derrota para o Paysandu na Bombonera, noite em que Vélber e o capitão Sandro Goiano usaram calção branco. A revanche em Belém, com os paraenses usando calção celeste, foi o maior jogo do ponta pelo Boca – segundo o próprio Schelotto

Paysandu: Ronaldo, Wellington, Gino, Jorginho (Balão 43/2º) e Luiz Fernando; Sandro Goiano (Jobson 34/2º), Bruno, Lecheva e Iarley; Vélber e Vandick (Zé Augusto 33/2º). T: Darío Pereyra. Boca: Roberto Abbondanzieri, Nicolás Burdisso, Rolando Schiavi e Marcos Crosa; Pablo Jerez, Raúl Cascini, Sebastián Battaglia, Diego Cagna (Gustavo Pinto) e Carlos Tévez; Guillermo Barros Schelotto e Marcelo Delgado (Matías Donnet). T: Carlos Bianchi. Árbitro: Jorge Larrionda. Gols: Barros Schelotto (14/1º), Lecheva (6/2º), Delgado (12/2º), Barros Schelotto (22 e 25/2º) e Burdisso (40/2º, contra). 15/05/2003

Boca: Roberto Abbondanzieri; Pablo Jerez, Rolando Schiavi, Diego Crosa e Clemente Rodríguez; José Villarreal, Raúl Cascini (Gustavo Pinto 42/2º) e Diego Cagna (Ezequiel González 45/1º); Marcelo Delgado, Guillermo Barros Schelotto e Carlos Tévez (Raúl Estévez 45/1º). T: Carlos Bianchi. River: Franco Costanzo; Ariel Garcé, Horacio Ameli, Martín Demichelis, e Matías Lequi; Eduardo Coudet, Claudio Husaín, Lucho González (Daniel Ludueña 30/2º) e Andrés D’Alessandro; Fernando Cavenaghi( Zapata 41/1º) e Esteban Fuertes( Darío Husaín 26/2º). T: Manuel Pellegrini.. Árbitro: Héctor Baldassi. Gols: D’Alessandro (10/1º), Cavenaghi (39/1º), Barros Schelotto (19/2º e 25/2º). 01/06/2003

Os gêmeos Barros Schelotto jogaram juntos por Gimnasia e Boca e hoje treinam o Lanús: na foto direita, Gustavo é o de preto e Guillermo, o de branco – há anos um prefere a franja enquanto o outro usa mais topetes…
Caio Brandão

Advogado desde 2012, rugbier (Oré Acemira!) e colaborador do Futebol Portenho desde 2011, admirador do futebol argentino desde 2010, natural de Belém desde 1989 e torcedor do Paysandu desde antes de nascer

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