História dos Pumas: a seleção argentina de rúgbi

A história dos Pumas começa em 1910, com o único jogador a defender Pumas e Springboks, e só ganha o apelido em 1965.

A seleção argentina de rúgbi, conhecida mundialmente como Los Pumas, tem uma história que começa em 1910, com um time inteiramente anglo-saxão, e passa por um apelido nascido de um erro da imprensa sul-africana. Esta é a trajetória completa, da primeira partida até a consolidação entre as potências do esporte.

1910: a primeira seleção e o único a jogar por Pumas e Springboks

Uma seleção argentina foi reunida pela primeira vez em 1910, onze anos após o início de um campeonato local. O título do certame, àquela altura, continuava restrito aos quatro fundadores: Buenos Aires FC, Belgrano Athletic, Lomas Athletic e Rosario Athletic possuíam ao menos um cada. Houve um quinto fundador, o Flores Athletic, mas este participara apenas da inaugural edição de 1899.

Mas, depois de cerca de uma década, já haviam ocorrido mudanças significativas. Todos esses clubes nasceram no seio da comunidade britânica e chegaram a disputar o campeonato argentino de futebol, existente desde 1891. Conforme decaíam nele e o viam ser cada vez mais adotado por criollos, descendentes de espanhóis, e outros imigrantes, foram se fixando na bola oval. Porém, mesmo em 1899, jogadores de nomes L. P. Ponce e J. Negrón competiram, pelo Flores.

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E, em 1910, já havia equipes hispânicas aplicando tackles e hand offs, formando rucks e scrums, alcançando tries e marcando drop goals. A primeira delas foi a da Faculdade de Engenharia, em 1904, que tinha em seus quadros ninguém menos que o pioneiro da aviação argentina e hoje nome do aeroporto doméstico de Buenos Aires, Jorge Newbery. Dois anos depois vieram os times da Faculdade de Direito e da de Medicina, cujo elenco contava com Bernardo Houssay, futuro prêmio Nobel em 1947.

O mais importante desses novatos, inicialmente, foi o Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires. Inscreveu-se em 1908 e já ali venceu a segunda divisão. Também naquele ano, a pedido dele e do referido Bernardo Houssay, as atas e regramentos da River Plate Rugby Union passaram a ter versões também em castelhano. Em 1909, após mandatos de Leslie Corry Smith, Francis Chevallier Boutell, James Oswald Anderson, Maurice Gilderdale e Robert Anderson, o órgão teve como sexto presidente o senhor Mariano Paunero, ex-integrante do time dos engenheiros.

O ano de 1909 marcou ainda a única participação do Quilmes em um torneio de rúgbi. Originalmente anglo-argentino, com seu título de 1912 no futebol sendo o último da era britânica, ironicamente foi representado quase que inteiramente por latinos: D. Castro Videla, M. Fernández, E. Lagos, R. Crespo, R. Jiménez, A. Pividal, A. Williams, L. Guerrico, A. Acevedo, R. Onetto, C. Moy, A. Levanti, A. Woodhouse, A. del Campo Wilson, J. del Campo Wilson e J. Lanusse foram alguns rugbiers cerveceros.

A visita dos British and Irish Lions

Não obstante, o primeiro elenco da seleção foi todo anglo-saxão. Foi reunido por ocasião do centenário da Revolução de Maio, movimento que desencadeou a independência do Vice-Reino do Rio da Prata, o território espanhol que daria origem à Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Robert Anderson, antes de ceder o cargo a Mariano Paunero, conseguira convencer ninguém menos que a seleção das Ilhas Britânicas a participar das festividades.

Tal selecionado, conhecido atualmente como British and Irish Lions, reúne atletas das quatro nações do Reino Unido, sendo utilizado para celebradas turnês de amistosos. Ainda hoje, mesmo para um irlandês, escocês ou galês, e é claro também para um inglês, ser convocado para uma gira leonina é tão honroso quanto sê-lo para uma Copa do Mundo.

Os Lions, sem inconvenientes, chegaram antes do dia 25 de maio, o dia da independência, e realizaram seis amistosos, vencendo todos: dois contra combinados de clubes criollos, por 17 a 13 e 43 a 5, um contra o Belgrano Athletic, por 58 a 0, um contra o Buenos Aires, por 28 a 0, e um contra um time dos universitários, por 41 a 10, além do test match contra a seleção.

Barry Heatlie, o sul-africano que virou argentino

Um dos jogadores do selecionado argentino já havia enfrentado e vencido a seleção britânica, duas vezes, uma em 1896 e a outra em 1903. Trata-se de Barry Fairy Heatlie, ex-capitão da seleção sul-africana. A África do Sul só seria criada politicamente em 1910, mas antes disso uma seleção já juntava as então colônias britânicas do Cabo, Natal, Rio Orange e Transvaal.

Foi por conta das vitórias com o uniforme verde do clube de Heatlie, o Old Diocesan, já que a equipe do Cabo usava o uniforme do clube em que jogava o capitão, que tais cores foram adotadas de forma fixa pelos Springboks, apelido que teria sido sugerido por ele também, referente a uma gazela da região. Depois viriam os detalhes em dourado.

Em 1910, o sul-africano atuou aos 38 anos de idade, quase vinte anos depois de ter participado do debute também de sua seleção original, em 1891, igualmente contra os Lions. Já na da Argentina, seria superado apenas pelos mitos argentinos Hugo Porta, com 39 anos, e Mario Ledesma, também com 38, mas alguns meses a mais, no quesito idade.

Na bacia da Prata, Heatlie havia se juntado ao Lomas Athletic, que, por conta dele, adicionou o verde e o dourado em suas cores. Ele foi precisamente o único atleta dos decadentes lomenses, que depois do título de 1899 só venceriam pela segunda e ainda última vez em 1913, presente no elenco, preenchido praticamente só com jogadores dos quatro fundadores. Henry Talbot foi outro representante único, vindo do Rosario Athletic. O intruso foi A. Bover, da Southern Railway, como se chamava o Ferrocarril Gran Sud.

A estreia: 3 a 28 no campo do Flores Athletic

O Belgrano Athletic, que seria semanas mais tarde o campeão de 1910, forneceu quatro jogadores: L. Gribbell, C. J. MacCarthy, J. F. Saffery e W. A. Watson. Este último, por vezes, é confundido com Arnold Watson Hutton, outro integrante do Belgrano daquela época.

Filho de Alexander Watson Hutton, o pai do futebol argentino, Arnold teria sido o único a representar a Argentina tanto na seleção de futebol, sendo que naquele ano ele seria campeão e artilheiro também nesse esporte, pelo Alumni, a mais importante equipe da época, quanto na de rúgbi, caso realmente tivesse enfrentado os Lions. Stocks, também do Belgrano, participou da partida como bandeirinha.

Do Buenos Aires, a grande potência daquela década e campeão de 1909, saiu mais da metade restante: A. Donnelly, W. H. Hayman, F. Henrys, Frank Maitland Heriot, Carlos Mold, Alvan Reid, Frederick Sawyer e o capitão Oswald St. John Gebbie.

Argentina: Saffery, MacCarthy, St. John Gebbie, Maitland Heriot, Talbot, Mold, Watson, Reid, Donnelly, Bover, Sawyer, Henrys, Hayman, Gribbell e Heatlie.

British and Irish Lions: John Raphael, Alexander Palmer, Barrie Bennetts, Edward Fuller, Harold Monks, Anthony Henniker-Gotley, Robin Harrison, Peter Strang, Martin Tweed, Walter Huntingford, William Fraser, Henry Whitehead, Horace Ward, Robert Waddell e Whaley Stranach. Todos eram ingleses, à exceção dos neozelandeses Palmer, que jogava pela Inglaterra, e Tweed, e dos escoceses Waddell e Fraser, além do capitão Raphael, atleta da seleção inglesa nascido na Bélgica, onde morreria na Primeira Guerra Mundial.

O primeiro conjunto nacional argentino perdeu por 3 a 28 o seu cotejo inaugural, disputado no antigo campo do Flores Athletic. Os visitantes pontuaram com dois tries de Monks e um cada de Fraser, Raphael e Ward, além de duas conversões de Harrison e outra de Ward, e também um penal de Harrison e um drop goal de Monks.

MacCarthy, com um try, anotou os primeiros três pontos da seleção argentina, conforme o valor da época para tal jogada, hoje em cinco. Críticos da época teceram elogios a St. John Gebbie, futuro presidente da União Argentina, assim como Maitland Heriot, e ao fullback do Belgrano, Saffery.

1927: o retorno da seleção e as listras alvicelestes

Um selecionado argentino demoraria quase duas décadas para ser reunido pela segunda vez, em 1927. Poderia ter sido três anos antes, nos Jogos Olímpicos de Paris, os últimos a contarem com o rúgbi de quinze jogadores, mas problemas econômicos impediram a viagem.

O número de clubes registrados, que em 1910 eram dez, estava acrescido de outros dezoito, embora alguns tivessem se desligado no período, notadamente os de futebol, como o Racing e o Atlanta. Em 1911, o Gimnasia de Buenos Aires tornara-se o primeiro time criollo campeão no rúgbi, dois anos antes de o próprio futebol ter um assim, com o Racing.

E, em 1927, quando o presidente da União Argentina era Jacinto Caminos, o maior vencedor do rúgbi já era um clube hispânico: o San Isidro, que vinha faturando simplesmente todos os campeonatos realizados desde 1917, em uma série só interrompida depois do 13º título seguido.

Este clube passaria a ser referido pela sigla CASI, de seu nome completo, Club Atlético de San Isidro, depois do surgimento do arquirrival San Isidro Club, o SIC, em meio a um cisma interno da instituição original, já na década de 1930. Os dois clubes sanisidrenses se tornariam os maiores rivais e vencedores do rúgbi argentino, e a cidade de San Isidro, sua natural capital.

O adversário da vez foram novamente os Lions. E foi justamente o bem entrosado CASI quem ofereceu maior resistência, perdendo por 0 a 14. Os britânicos jogaram ainda contra um combinado de anglo-argentinos, vencendo por 27 a 0, contra um combinado de Gimnasia e do clube da Universidade de Buenos Aires, o CUBA, por 24 a 0, contra um combinado de Buenos Aires FC e Belgrano Athletic, por 44 a 3, e contra um combinado de clubes em geral, por 29 a 3.

Já contra a seleção argentina foram quatro tests, com vitórias por 37 a 0, 46 a 0, 34 a 3 e 43 a 0 dos visitantes. Houve folclore para os dois lados: os britânicos não conheciam estádios com alambrados e se divertiram agitando as grades como feras enjauladas. Já para os locais, aqueles encontros marcaram a estreia de seu tradicional uniforme com listras horizontais alvicelestes na camisa, uma ideia dos dirigentes do Gimnasia y Esgrima, que, orgulhoso das raízes argentinas, usava tais cores.

A evolução latina no elenco

Os jogadores utilizados pela seleção em 1927 também demonstram a evolução latina no rúgbi argentino. O próprio GEBA forneceu cinco, Norberto Escary, Vicente Grimoldi, César Pollano, Carlos Reyes e Alfredo Riganti, assim como o CUBA, com Martín Ayerra, Rodolfo Serra, Julián Sommer, Francisco Torino e César Vázquez.

O multicampeão San Isidro não poderia deixar de ser o mais presente, com sete: Enrique Bustamante, Jorge Conrad, José Cuesta Silva, Marco Hernández, Fabio Lucioni, Antonio Pasalagua e Arturo Rodríguez Jurado. Este último, El Mono, foi o capitão e praticava também boxe. Seria, no ano seguinte, campeão olímpico na categoria dos pesos pesados.

Completaram o elenco dos quatro amistosos cinco jogadores do Buenos Aires FC, W. Braddon, Archie Cameron, G. Cooke, Reginald Cooper e Antonio Hobson, três do Belgrano Athletic, Roberto Botting, A. Jacobs e Alberto Zoppa, e dois cada de Hindú, C. Derkheim e Salvador Müller, e do então Junín, atual San Martín, Llewellyn Makin e Miguel McCormick.

Dos anos 1930 aos 1960: a argentinização do rúgbi

Após a seleção ser reativada em 1927, o ritmo do crescimento do rúgbi argentino só aumentou. Em 1928, por exemplo, já havia 49 clubes afiliados à União nacional, dez a mais que no ano anterior. E criou-se a primeira união do interior, a de Santa Fé, presidida inicialmente por Henry Talbot, um dos jogadores presentes na partida inaugural da Argentina, em 1910.

Até 1965, o esporte ficou cada vez mais argentinizado, conforme vários acontecimentos. Em 1931, por exemplo, a então The River Plate Rugby Union nacionalizou o nome para Unión de Rugby del Río de la Plata, que vinte anos depois viraria a atual Unión Argentina de Rugby, a UAR.

E, com jogadores de origem não espanhola sentindo-se mais integrados com a terra de nascimento do que com as das raízes, os duelos de argentinos contra estrangeiros foram perdendo a razão de ser. Eles movimentavam o calendário desde os primórdios, como argentinos contra britânicos, paralelamente ao campeonato de clubes.

O espaço desses duelos étnicos foi ocupado pelo campeonato argentino de províncias, criado em 1945, após o ano anterior ver o Torneio do Centro da República, reunindo representantes de Córdoba, Paraná, Rosário e Santa Fé. Em 1960, já seriam doze uniões afiliadas competindo no torneio interprovincial. E, até 1965, apenas a União de Buenos Aires recebeu um novo clube afiliado pela 113ª vez, havendo paralelamente cerca de outros cem pelo interior argentino.

1932: os Junior Springboks e os clubes de futebol barrados

Antes do jogo de 1965 contra os Junior Springboks, os argentinos já os haviam enfrentado outras vezes. Trata-se não de uma seleção de juniores da África do Sul, mas sim de jogadores ainda não chamados pela seleção principal. O mesmo ainda ocorre com os Junior All Blacks, da Nova Zelândia, ao passo que, atualmente, tal espécie de time B sul-africano é chamado de Emerging Springboks.

O primeiro encontro com eles, marcando a terceira reunião da seleção argentina, ocorreu em 1932. Assim como em 1927, o campeão argentino do ano ofereceu mais resistência do que a própria seleção. No caso, o Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires, que perdeu por 5 a 11, enquanto a equipe nacional sofreu os reveses de 42 a 0 e 34 a 3. Curiosamente, em 1932 o Gimnasia y Esgrima La Plata, de fundação inspirada no GEBA e mais ligado ao futebol, também foi campeão de rúgbi, na segunda divisão.

O ano de 1932 marcou ainda as requisições de outros clubes de futebol para entrarem na União de Rúgbi: Ferro Carril Oeste, em cujo estádio se deram os jogos contra os sul-africanos e onde seria a principal casa da seleção entre os anos 1970 e 1990; Porteño; e River Plate, este rechaçado imediatamente por fomentar o profissionalismo, instalado oficialmente no futebol no ano anterior.

Pela defesa ferrenha do amadorismo no rúgbi argentino, o próprio Gimnasia de La Plata teve de virar um clube independente da instituição-mãe, tornando-se o atual La Plata Rugby Club. O Ferro também, até ser desafiliado em 1960 por notarem que o amadorismo era de fachada. O Porteño, que já se colocava entre os amadores no futebol, não teve maiores problemas.

As primeiras vitórias e o argentino que jogou pela Inglaterra

Após o jogo de 1932, a seleção argentina voltou a se reunir em 1936, com nova visita dos Lions, vitória destes por 23 a 0, no ano da primeira viagem ao exterior, que marcou enfim as primeiras vitórias hermanas: um 29 a 0 e um 31 a 3 no Chile, que convidara os vizinhos em meio às festividades pelos 400 anos da cidade de Valparaíso. As duas seleções voltariam a se enfrentar em 1938, agora com os chilenos de visita, sendo derrotados por 33 a 3.

Por conta, em parte, da Segunda Guerra Mundial, apenas em 1948 equipes não americanas chegariam à Argentina para duelar com a seleção. Naquele ano, quem veio foi um combinado das universidades inglesas de Oxford e Cambridge, que tiveram no time do CUBA o páreo mais duro, 10 a 0 para os britânicos, que venceram seus dois jogos contra a seleção argentina, por 17 a 0 e 39 a 0.

Entre as fileiras adversárias estava William Barry Holmes, argentino de origem inglesa que estudava em Cambridge. Este fullback jogaria pela Inglaterra na edição de 1949 do Cinco Nações, tradicional competição anual entre as quatro seleções britânicas e a França. Desde 2000 virou Seis, com a adesão da Itália, e tem no rúgbi quase o peso de uma Eurocopa.

Ainda em 1949, Barry Holmes, após atuar também pelo Barbarians, equipe que reúne para amistosos os principais jogadores do mundo, regressou ao país natal e logo seria chamado. Naquele ano, a seleção francesa viria excursionar pela Argentina, convidada para participar das comemorações dos cinquenta anos da União de Rúgbi do Rio da Prata. Os gauleses ficaram surpreendidos ao se depararem com Holmes outra vez naquele ano, agora defendendo as cores alvicelestes.

Pela primeira vez recebendo a equipe principal de um selecionado nacional, ainda que não vencendo, a Argentina soube resistir bem frente a uma das mais poderosas seleções do mundo em matéria de bola oval. Perdeu por 5 a 0 e 12 a 3. Dos outros sete jogos contra os franceses, destaque para o Estudiantes de Paraná, ainda hoje um dos poucos clubes de futebol e rúgbi no país, que perdeu por 14 a 0.

1952: o Pucará bate a Irlanda e a seleção arranca o primeiro empate

O progresso da seleção ficou mais evidente três anos depois, com bons resultados diante da Irlanda. Pela primeira vez, ainda que não por meio da seleção, os argentinos bateram uma seleção de alto nível, e que era a detentora do Cinco Nações de 1951. O Pucará impôs um 11 a 6 nos celtas.

Mas também houve ineditismo para o selecionado, pela primeira não derrota contra um adversário desse porte, ao conseguir um empate em 3 a 3. O combinado da província de Buenos Aires também empatou, em 6 a 6.

Em outro test match contra a seleção, os irlandeses enfim venceram, mas por baixos 6 a 0, despedindo-se com novo aperto, um 19 a 11 sobre o CUBA, tricampeão de 1950 a 1952.

Argentina no empate histórico: Julio Genoud (CUBA), Edmundo Caffarone (Olivos), Enrique Fernández del Casal (CUBA), Alfredo Palma, Julián Santiago (Hindú), Ricardo Giles, Guillermo Ehrman, Alberto Conen (CUBA), Miguel Sarandón (SIC), Rodolfo Grosse (Olivos), Lucas Glastra (SIC), Emilio Domínguez, Normando Tompkins, Carlos Swain e Ricardo Follett (os três, do Old Georgian).

Irlanda: Robin Gregg, Mick Lane, Richard Chambers, John Notley, Michael Hillary, William Hewitt, John O’Meara, Jim McCarthy, Patrick Kavanagh, Mick Dargan, Patrick Lawlor, P. P. Traynor, W. J. O’Neill, Fuzzy Anderson e John Smith. A partida foi no campo do GEBA, em 24 de agosto. Os pontos vieram com um penal de Fernández del Casal e um try de O’Meara.

Até 1965, a seleção jogou outras nove vezes contra potências, perdendo todas: duas em novas vindas da França em 1952, por 5 a 0 e 12 a 3; duas contra Oxford-Cambridge em 1956, por 25 a 6 e 11 a 3; duas contra os Junior Springboks em 1959, por 14 a 6 e 20 a 6; e três para a França em 1960, por 37 a 3, 12 a 3 e 29 a 6. Houve só um triunfo, do combinado da cidade de Buenos Aires, 13 a 6 sobre Oxford-Cambridge, em meio aos outros 33 jogos de clubes ou combinados argentinos contra tais adversários no mesmo período.

Na realidade, houve, sim, vitórias da seleção, mas nos Sul-Americanos, contra as fracas equipes dos países vizinhos. Haviam sido realizados até então os de 1951, 1958, 1961 e 1964. Até hoje, a Argentina só deixou de vencer uma das 34 edições já ocorridas, isto porque não participou dela, a obtida pelo Uruguai em 1981.

1965: o dia em que nasceram os Pumas

Por conta desse retrospecto, o espírito na ida para a África do Sul era de buscar novos aprendizados em vez de uma crença verdadeira em vitória. Afinal, os principais adversários da viagem, novamente os Junior Springboks, regressaram invictos para casa nas duas ocasiões em que vieram enfrentar argentinos, seja os da seleção, seja os de clubes ou combinados. E, desta vez, seriam confrontados não pelas canchas de Buenos Aires, mas no templo Ellis Park, em Joanesburgo.

O sul-africano que preparou os argentinos

Gentilmente, a União local enviou Izak van Heerden para auxiliar os técnicos Alberto Camardón e Ángel Guastella, que atuara nos jogos de 1956, 1959 e 1960, na preparação portenha. Tratava-se do treinador que reerguera o time da província de Natal, o atual Natal Sharks, das últimas colocações ao primeiro título da instituição, um invicto em 1963. Van Heerden, que chegou em 6 de abril, a praticamente um mês do embarque da delegação, se ligaria tanto à Argentina que até aprenderia a falar espanhol fluentemente.

O início, porém, exigiu rigidez. “Me lembro que no dia do primeiro treino, no Gimnasia y Esgrima, chovia torrencialmente. Nessa época, quando havia mau tempo, não fazíamos nada. Van Heerden chegou e viu que no campo não havia ninguém. Estávamos no bar, jogando truco. O cara fez com que nos trocássemos imediatamente. Foram duas horas infernais de treino, com saltos de sapo e corpo na terra. Havia mudado o método. Nos submeteu a um trabalho incomum, de extrema dureza. Fazíamos turno duplo, manhã e noite, e no meio trabalhávamos”, declarou o capitão Aitor Otaño, do Pucará.

Os convocados e as famílias do rúgbi

Além de Otaño, os convocados foram Marcelo Pascual, Rodolfo Schmidt e Juan Benzi, também do Pucará; três do Belgrano Athletic, Guillermo McCormick, Luis Raúl Loyola e Luis Gradín; um do rival Alumni, ex-potência do futebol e que ainda estava na segunda divisão do rúgbi, Eduardo Poggi; dois cada de Old Georgian, Ronaldo Foster e Heriberto Ricardo Handley, Pueyrredón, Eduardo Scharenberg e Guillermo Illía, e San Fernando, Walter Aniz e Luis García Yáñez; e um cada para CUBA, Héctor Goti, Los Tilos, Héctor Silva, Atlético del Rosario, Eduardo España, e San Martín, Jorge Dartiguelongue.

Detentor do título de 1964, o CASI foi quem mais cedeu, com cinco: Nicanor González del Solar, Enrico Neri, Adolfo Etchegaray, Manuel Beccar Varela e Agustín Silveyra. O arquirrival SIC forneceu três: Roberto Cazenave, Arturo Rodríguez Jurado e José Luis Imhoff.

Estes dois últimos merecem destaque pelo rúgbi no sangue. Rodríguez Jurado era filho de um homônimo que jogara contra os Lions em 1927, o Chile em 1936, como capitão, e contra os próprios Junior Springboks em 1932, e que ainda fora pugilista campeão olímpico nos pesos pesados em 1928.

O outro é pai de Juan José Imhoff. Imhoff pai seria também um dos jogadores a se tornarem técnicos da seleção, repetindo a trajetória do então treinador Ángel Guastella. Poggi, Scharenberg, Otaño, Silva e Gradín seriam outros. Este último iria ainda mais longe: entre 1996 e 2000, presidiu a União Argentina de Rúgbi.

Outros familiares daqueles jogadores a também serem selecionados em outra ocasião são Gonzalo Beccar Varela, irmão de Manuel, e Daniel Beccar Varela, filho do tio-avô destes. Atuaram nos anos 1970, assim como Manuel Rodríguez Jurado, irmão do Arturo de 1965 e igualmente filho do Arturo de 1927, 1932 e 1936. Eduardo González del Solar, que jogara mais cedo na década de 1960, era irmão de Nicanor.

A turnê pela África

O começo da turnê de 1965 foi errático. Na primeira escala da excursão, em 8 de maio, em Salisbury, hoje Harare, derrota por 17 a 12 para a Rodésia. No segundo compromisso, quatro dias depois e já na África do Sul, nova derrota, 25 a 13 para o time do Transvaal.

Nos outros onze jogos até a hora de pegarem os Junior, porém, só deixaram de vencer duas vezes. Transvaal Ocidental, 28 a 11 em 15 de maio, Sudoeste Africano, 43 a 5 no dia 19, Transvaal Oriental, 22 a 9 no dia 22, Griqualândia-Oeste, 32 a 12 no dia 26, e Distritos do Nordeste, 17 a 6 no dia 29, foram batidos em sequência.

Nenhum desses adversários existe mais. A Rodésia virou o Zimbábue em 1980, e o Sudoeste Africano, depois da independência em 1990, tornou-se a Namíbia. Ambas são as duas seleções africanas de mais tradição na Copa do Mundo de Rúgbi, estando abaixo só da poderosa vizinha. Os demais, após a adoção do profissionalismo em 1995, se converteram respectivamente nas franquias Golden Lions, Leopards, Falcons, Wildeklawer Griquas e Blue Bulls.

A série de vitórias foi interrompida com um empate em 6 a 6 com o Border, já em 1º de junho. Daí, os resultados foram 27 a 6 na Província Oriental, no dia 3, derrota apertada por 3 a 0 para os Distritos do Sudoeste, no dia 5, e triunfos de 22 a 6 nas Universidades do Sul, no dia 9, 20 a 12 no Boland, no dia 12, e 17 a 14 no Estado Livre de Orange, no dia 16. Com exceção da equipe universitária, as demais também correspondem atualmente a times profissionais: Border Bulldogs, Mighty Elephants, Eagles, Boland Cavaliers e Free State Cheetahs.

19 de junho de 1965: 11 a 6 no Ellis Park

O jogo mais aguardado ocorreu no dia 19. Os anfitriões foram Dries Pretorius (Transvaal Setentrional), J. Serfontein (Distritos do Sudoeste), Barry Ackermann (Província Ocidental), Johan van der Schyff, Alan Wiggett, Hugh Bladen (os três, do Transvaal), Kid du Preez (Cabo do Nordeste), Koos Claassen (Transvaal Setentrional), Louis Slabbert, Oupa du Pisanie (ambos do Estado Livre de Orange), o capitão Brian Irvine (Natal), Ernst Claassen (Transvaal Ocidental), Willem Storm (Transvaal Setentrional), Spiere van Rensburg (Transvaal Ocidental) e R. Dercksen (Distritos do Sudoeste).

No rodízio de jogadores argentinos, já que nenhum esteve em todos os jogos da viagem, a formação para a ocasião foi Cazenave, Neri, Pascual, Rodríguez Jurado, España, Poggi, Etchegaray, Loyola, Silva, Scharenberg, Schmidt, Otaño, Foster, González del Solar e García Yáñez. O árbitro foi o local Piet Robbertse.

Das 40 mil pessoas na plateia do Ellis Park, houve quem estivesse ali também para tentar alguma consolação: mais cedo naquela mesma data, os Springboks principais, em viagem à Oceania, haviam perdido pela primeira vez para a Austrália.

O início teve leve supremacia caseira contra o nervosismo argentino, principalmente nos line outs, as cobranças de lateral. A virada começaria a partir dos 17 minutos da etapa inicial. Pretorius, dentro de seus 22 metros, cometeu knock-on, infração em que o jogador deixa a bola cair e quicar para a frente.

Assim descreveu a revista El Gráfico na época o que se sucedeu: “um rápido galope de González del Solar, clássico peixinho de Etchegaray, Poggi correu inclinado e habilitou R. Jurado, que limpamente quebrou a defesa, entrando direto e forte; enfrentou o full-back e com um largo passe tomou Pascual, que chegou ao in-goal culminando uma bonita jogada”.

Os visitantes abriam três pontos, valor do try na época, e, com bons tackles, agarrões lícitos no oponente para freá-lo e tomar-lhe a bola, souberam segurar a reação adversária. Dez minutos depois, os argentinos lograram novo try, a jogada mais valorizada, quando o rugbier coloca a bola consigo no chão na linha de fundo rival ou logo depois dela.

Scharenberg interceptara passe mal dado a Ackermann após scrum, as investidas dos dois times entre si pela bola após alguma infração, nos dez metros argentinos. Disparou com a bola e passou-a a España ao enfrentar o ponta sul-africano. O colega driblou o full-back e apoiou a bola próxima à bandeirinha. Era 6 a 0 e aplausos da torcida para os surpreendentes sul-americanos.

O escore foi mantido até o intervalo e poderia ter sido maior, se Poggi não errasse os dois chutes de conversão, cobranças de bola parada sempre oferecidas ao time que fez o try, cada um a oferecer dois pontos a mais. Por outro lado, os Junior Springboks também erraram o pé, perdendo duas penalidades.

Com o placar adverso, os donos da casa foram com tudo no início da segunda etapa, obrigando os argentinos a apelarem para os chutes para afastar a bola de sua linha de fundo. E foi em um kick across de Etchegaray na saída de um scrum que Loyola, em pique, colocou 9 a 0 no escore. Poggi, em seguida, acertou a conversão, e o placar ficou com onze pontos a favor da visita.

A reação sul-africana continuou, ganhando especialmente nos line outs. Du Preez conseguiu dois tries, colocando algum fogo na partida, mas as conversões não vieram. Os próprios pontos vieram meio tardiamente, faltando quinze e cinco minutos respectivamente. E o resultado ficou 6 para os Junior Springboks e 11 para os nascentes Pumas.

O erro da imprensa que virou apelido

O apelido surgiu na imprensa local, por conta do distintivo argentino, que carrega um felino por inspiração do Buenos Aires CRC, ex-FC, e dos British and Irish Lions.

Inicialmente um leão, como os destes, o animal já havia sido alterado para uma onça-pintada, jaguar para os argentinos, por esta ser realmente nativa do país. O equívoco da mídia sul-africana, que escreveu também que “os Pumas chegaram à maioridade no rúgbi mundial com essa atuação”, conforme o Cape Times, da Cidade do Cabo, porém, fez sucesso entre os vencedores. Mesmo que a onça não tenha sido retirada do distintivo, o puma, também presente na fauna argentina, acabou adotado por eles como alcunha.

Do lado vencido, o baque foi tão grande que nenhum dos jogadores derrotados se tornaria Springbok, ao contrário do que ocorrera com os de 1932 e 1959.

Quatro dias depois, novo jogo e nova vitória, sobre o Natal, por 24 a 14. Depois de outros três dias, relaxados no último compromisso, veio a quarta derrota da vitoriosa e redentora passagem pela África, um 31 a 11 para o South African Country Districts XV.

Mas a última impressão daqueles que viajaram jogadores e voltaram Pumas foi a torcida portenha carregando-os cerca de um mês depois, em 25 de julho, após baterem por 30 a 6 o campeão francês de 1964, o Pau, no estádio do Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires. O capitão Aitor Otaño acabaria eleito o esportista argentino do ano, sendo o primeiro rugbier a ser coroado com o chamado Olimpia de Oro. Apenas outros dois, até hoje, também o foram: Hugo Porta e Gonzalo Quesada.

1968: a primeira vitória sobre uma potência

Após o triunfo histórico de 1965, os nascentes Pumas alcançaram a maioridade no rúgbi mundial, conforme os próprios vencidos naquela viagem pela África do Sul. Reconhecimento tal que fez da Argentina uma das nações convidadas para a primeira Copa do Mundo desse esporte, em 1987.

No regresso à Argentina, a seleção deparou-se com o campeão francês de 1964, o Section Paloise, vencendo-o com autoridade um mês depois do triunfo sobre os Junior Springboks. No mesmo ano, o combinado de Oxford e Cambridge veio pela terceira vez ao país. Os argentinos conseguiram logros com a seleção B, 3 a 0, e com o Belgrano Athletic, 10 a 0, e até um empate por meio de uma seleção de jogadores da segunda divisão, 6 a 6, mas ainda não seria aquela a vez em que venceriam com o selecionado principal os universitários: 19 a 19 e 3 a 9 foram os resultados dos Pumas.

No ano seguinte à vitória sobre os sul-africanos, os vencedores receberam outra seleção secundária de lá, os Gazelles. Estes mostraram o seu valor, vencendo todos os doze jogos da viagem, incluindo um 9 a 3 e um 20 a 15 nos sul-americanos. Em 1967, ano do centenário do pioneiro Buenos Aires FC, e também do antigo Rosario Cricket Club, que originou o Atlético del Rosario, a seleção argentina ficou inativa.

Seria a partir do ano seguinte que enfim as conquistas viriam em série, a começar pela primeira vitória contra a equipe principal de uma nação de alto nível.

14 de setembro de 1968: 5 a 9 sobre o País de Gales

Foi no estádio do Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires. O tradicionalíssimo País de Gales, segundo maior vencedor do então Cinco Nações, passou três semanas daquele mês na Argentina, para o primeiro embate entre ambos. E não se saiu bem, mesmo nas vitórias, 24 a 11 no Belgrano, 14 a 3 em uma seleção do interior argentino e 9 a 6 na seleção C. Pois, além da derrota de 5 a 9 no dia 14, não venceu na revanche contra os Pumas, no dia 28, 9 a 9, e empatou também com a seleção B, 8 a 8.

Argentina: Jorge Seaton (Atlético del Rosario), Mario Walther (SIC), Arturo Rodríguez Jurado (SIC), Marcelo Pascual (Pucará), Alejandro Travaglini (CASI), Jorge Dartiguelongue (San Martín), Adolfo Etchegaray (CASI), Raúl Loyola (Belgrano Athletic), Héctor Silva (Los Tilos), Miguel Chesta (Duendes de Rosario), Aitor Otaño (Pucará), Adrian Anthony (SIC), Marcelo Farina (CASI), Ricardo Handley (Old Georgian) e Luis García Yáñez (San Fernando).

País de Gales: J. P. R. Williams, Laurie Daniel, Glen Ball, John Dawes, Andy Morgan, Phil Bennett, Glyn Turner, Tony Gray, Dennis Hughes, Dai Morris, Bill Mainwaring, Lyn Baxter, Britan Butler, Brian Rees e John Lloyd.

Dois penais de Seaton e um try de Loyola garantiram a vitória dos anfitriões, por sua vez vazados por um try de Turner convertido por Dawes.

Praticamente um ano depois, em 13 de setembro de 1969 e novamente no campo do GEBA, veio a segunda vitória contra um adversário de renome, um sonoro 20 a 3. Foi contra outros britânicos, os da Escócia, que também enfrentavam os argentinos por sua seleção pela primeira vez. Exatamente outro ano mais tarde, foi a vez de a Irlanda ter sua primeira derrota contra os Pumas. No estádio do Ferro Carril Oeste, deu Argentina por 8 a 3. Os irlandeses perderiam também a revanche, por 3 a 6, no dia 27 de setembro de 1970.

Os anos 1970: Hugo Porta e o duopólio de San Isidro

A evolução foi sentida também em 1971, com o troco naqueles primeiros adversários após a glória de 1965. Uma nova viagem à África do Sul foi realizada entre junho e agosto, e o retrospecto foi bem similar: quatro derrotas, um empate e nove vitórias ao todo. Além de se depararem contra combinados universitários e regionais, os argentinos pegaram duas vezes os Gazelles, vencendo-os por 12 a 0 após derrota por 6 a 12 naquela turnê. No final de agosto, derrotou-se pela primeira vez também os de Oxford-Cambridge: um 11 a 3 no dia 28 e, já em 4 de setembro, um 6 a 3.

Aquele ano ainda marcaria novo título sul-americano seguido, o sexto. Foi naquela edição que Hugo Porta se tornou Puma. Trata-se do Maradona do rúgbi argentino e principal personagem do período tratado aqui.

Foi também em 1971 que os dois arquirrivais de San Isidro iniciariam um duopólio no torneio da URBA, o mais valorizado, com dez taças para o SIC e oito para o CASI. Apenas em 1989 a cidade de ambos, oficialmente reconhecida em 1972 como a capital do rúgbi nacional, teria a série de títulos de seus clubes interrompida, justamente pelo clube de Porta, o do Banco de la Nación.

O ano de 1972 marcou também nova vitória sobre os Gazelles, que voltavam a visitar a Argentina. O SIC, que emendaria um tetracampeonato seguido, também chegou a batê-los na ocasião.

No ano seguinte, mais do que os primeiros jogos, e vitórias, contra a Romênia, 15 a 9 e 24 a 3 em uma das principais seleções europeias de fora das Seis Nações, ocorreu a primeira viagem da Argentina à Europa. Foi para alguns jogos na Irlanda e na Escócia, com saldo de duas vitórias em oito jogos, contra os irlandeses do Connacht, 16 a 7, e uma seleção do norte escocês, 28 a 23. Nos test matches, os Trevos venceram por 21 a 8 e os Cardos, por um duro 12 a 11.

Para os 75 anos da União Argentina de Rúgbi, em 1974, foi convidada a primeira seleção nacional de peso a ter enfrentado os hermanos: a França. Não seria ainda que os Bleus seriam derrotados, mas os confrontos foram os mais parelhos até então: vitórias gaulesas por 20 a 12 e 31 a 27. No ano seguinte, a visita se inverteu e os Pumas conseguiram arrancar um 21 a 36 no Parc des Princes.

1976: o 20 a 19 em Cardiff, a derrota mais agridoce

Nenhuma não vitória foi tão agridoce, porém, quanto uma que ocorreria em 1976, em visita a Gales, que vencera o Cinco Nações do ano obtendo um grand slam, vitórias em todos os jogos.

Argentina: Martín Sansot (Pueyrredón), Daniel Beccar Varela, Alejandro Travaglini, Gonzalo Beccar Varela (todos do CASI), Jorge Gauweloose (CUBA), Hugo Porta (Banco de la Nación), Adolfo Etchegaray (CASI), Carlos Neyra, Ricardo Mastai (ambos do CUBA), Jorge Carracedo (SIC), José Fernández (Deportiva Francesa), Eliseo Branca (Curupaytí), Fernando Insúa (SIC), José Costante (Jockey Club de Rosario) e Rito Irañeta (Mendoza), com Jorge Braceras (Alumni) substituindo Costante.

País de Gales: J. P. R. Williams, Gerald Davies, Ray Gravell, Roy Bergiers, J. J. Williams, Phil Bennett, Gareth Edwards, Terry Cobner, Derek Quinnell, Trefor Evans, Barry Clegg (Jeff Squire), Geoff Wheel, Charlie Faulkner, Bobby Windsor e Graham Price.

Os visitantes, com tries de Gauweloose e Gonzalo Beccar Varela, dois penais deste e um penal e conversão de Porta, conseguiam vencer até o último lance. Foi quando Bennett acertou um penal, seu quarto no jogo, e garantiu um árduo 20 a 19 para o dragão, que contou também com tries de Davies e Edwards.

1977 e 1978: os empates com França e Inglaterra

Os dois anos seguintes foram marcados por outras não vitórias das mais recordadas, desta vez em empates. O de 2 de julho de 1977 marcou a primeira ocasião em que os Pumas não saíram derrotados pela França, 18 a 18 no campo do Ferro Carril Oeste.

O de 14 de outubro de 1978 foi contra a Inglaterra, enfrentada pela primeira vez. A partida deu-se não na Argentina, mas dentro de Twickenham, o mítico estádio londrino que equivale, para o rúgbi, ao que Wembley é para o futebol.

Argentina: Martín Sansot (Pueyrredón), Marcelo Campo (Old Georgian), Marcelo Loffreda, Rafael Madero (ambos do SIC), Adolfo Cappelletti, Hugo Porta (ambos do Banco de la Nación), Ricardo Landajo (Pueyrredón), Tomás Petersen (SIC), Héctor Silva (Los Tilos), Gabriel Travaglini (CASI), Alejandro Iachetti (Hindú), Ricardo Passaglia (La Tablada de Córdoba), Hugo Nicola (Curupaytí), Alejandro Cubelli (Belgrano Athletic) e Alejandro Cerioni (Pueyrredón).

Inglaterra: Kevin Bushell, Peter Squires, Peter Warfield, Paul Dodge, Mike Slemen, John Horton, Chris Gifford, Barry Nelmes, Peter Wheeler, Fran Cotton, Bill Beaumont, Maurice Colclough, Peter Dixon, Mike Rafter e John Scott.

Os pontos argentinos vieram com tries de Campo e Passaglia e com Porta acertando uma conversão e um penal. Os ingleses marcaram com tries de Gifford e Squires, uma conversão de Bushell e um drop goal de Horton.

Em 1981, seria a vez de a seleção inglesa, pela primeira vez, visitar o adversário, com quem empatou novamente, em 19 a 19, embora depois vencesse por 12 a 6. A Rosa aportara justamente quando se desenrolaria um Sul-Americano, o que fez os argentinos deixarem de participar da competição continental. O Uruguai, então, venceria aquela que ainda é a única das 34 edições não faturada pelos Pumas.

Ainda naquela mesma turnê europeia de 1978, em que Porta completou 94 dos 157 pontos argentinos, houvera uma derrota por 6 a 19 para a Itália, no primeiro duelo contra os Azzurri.

Já em 1979, a Argentina esteve pela primeira vez na Oceania, para compromissos contra a Nova Zelândia: derrotas honrosas por 9 a 18 e 6 a 15, após os atropelos de 9 a 21 e 6 a 26 ocorridos dentro da Argentina em 1976, quando os neozelandeses foram confrontados pela primeira vez pelos hermanos. Também se enfrentou a Austrália, mas com esta de visita ao Rio da Prata. Os Pumas conseguiram vencer por 24 a 13, em 27 de outubro, no primeiro pega contra os Wallabies.

Esse jogo marcou a estreia internacional de Enrique Rodríguez, personagem das duas seleções. Quatro anos depois, foi a vez de os argentinos visitarem a Austrália, e lá ele defendeu a terra natal pela última vez, ficando na dos cangurus, adotando-a tão bem que estaria no plantel australiano quarto colocado da Copa de 1987, ano em que jogaria pela última vez pelos auriverdes, contra a própria Argentina, em Buenos Aires. El Topo atuou ainda por outras duas seleções, uma delas a do Taiti.

Os Jaguares: a seleção sul-americana criada para burlar o boicote

A outra seleção por que passou Rodríguez foi a da América do Sul. Ela foi reunida em 1980, 1982 e 1984 para burlar o boicote à racista África do Sul, intensificado a partir da década de 1970 por conta do Massacre de Soweto, e enfrentar os Springboks, que viviam um ostracismo por conta do cada vez mais polêmico apartheid.

Esse selecionado sul-americano foi formado basicamente por argentinos em todas as ocasiões, e seu apelido foi justamente Jaguares, o animal presente no distintivo do rúgbi argentino.

Os únicos rugbiers brasileiros presentes foram Diego Padilla, em 1982, do Alphaville, imigrante argentino naturalizado, e Pedro Cardoso, em 1980 e 1982, do Niterói. Paraguaios, uruguaios e chilenos também foram representados em números mínimos na delegação, e nenhum entraria em campo. O único Jaguar não argentino a sair da reserva contra os sul-africanos, ironicamente, nem sul-americano era: foi o espanhol Tomás Pardo Vidal, em 1984, nas partidas que marcaram também os últimos tests do primeiro Bok negro, Errol Tobias.

Antes, em 1980, Héctor Silva, um daqueles que diante dos Junior Springboks em 1965 se tornaram os primeiros Pumas, encerrou seu ciclo diante da seleção sul-africana, desta vez a principal.

3 de abril de 1982: a única vitória sobre a África do Sul

Nesses oito jogos em que os argentinos ostentaram um brasão que reunia o seu jaguar, a águia do Chile, o quero-quero do Uruguai, o jacaré do Paraguai e a vitória-régia do Brasil, e vestiram as cores de todos esses países, conseguiram a única vitória sobre a seleção principal da África do Sul.

Este triunfo Jaguar ocorreu em 3 de abril de 1982. Os argentinos disfarçados vinham de um acachapante 18 a 50 na semana anterior contra os mesmos Springboks, o que só aumentou o choque dessa vitória.

Sudamérica XV: Eduardo Sanguinetti (CUBA), Guillermo Varone (CASI), Marcelo Loffreda, Rafael Madero (ambos do SIC), Alejandro Puccio (CASI), Hugo Porta (Banco de la Nación), Alfredo Soares Gache (SIC), Jorge Allen (CASI), Ernesto Ure (CUBA), Mario Negri (Alumni), Eliseo Branca (CASI), Carlos Bottarini (Banco de la Nación), Pablo Devoto, Andrés Courreges (ambos do CASI) e Serafín Dengra (San Martín). Foram os quinze por trás do histórico 21 a 12 no Free State Stadium.

Porta foi o personagem principal: além de ser o capitão, todos os pontos sul-americanos foram concluídos por ele, através de um try, uma conversão, quatro penais e um drop goal.

África do Sul: Johan Heunis, Willie du Plessis, Carel du Plessis, Danie Gerber, Ray Mordt, Naas Botha, Divan Serfontein, Rob Louw, Wynand Claassen, Theuns Stofberg, Louis Moolman, Burger Geldenhuys, Ockie Oosthuizen, Willie Kahts e Hempies du Toit. Gerber fez um try, e Botha completou os pontos sul-africanos com uma conversão e dois penais.

1983: a primeira vitória fora de casa, sobre a Austrália

Rigorosamente falando, porém, a Argentina ainda não havia vencido longe de casa seleções principais do alto escalão, já que oficialmente o triunfo de 1982 foi do Sudamérica XV. Todas as vitórias alvicelestes contra estas, incluindo ainda um 34 a 22 e um 38 a 16 em Fiji em 1980, um 35 a 0 no Canadá em 1981 e, contra o Resto do Mundo, um 36 a 22 em 1980 e 28 a 20 em 1983, foram em torno da Bacia do Rio da Prata.

Tal pendência seria resolvida no ano seguinte ao triunfo dos Jaguares, na primeira visita à Austrália. Em 31 de julho de 1983, os Wallabies foram derrotados por sonoros 3 a 18 no Ballymore Stadium, em Brisbane, por metade e algo mais da escalação daquela vitória sobre a África do Sul.

Argentina: Bernardo Miguens (CUBA), José Palma (Pucará), Marcelo Loffreda, Rafael Madero, Marcelo Campo, Hugo Porta, Alfredo Soares Gache, Ernesto Ure, Buenaventura Mínguez, Tomás Petersen (ambos do SIC), Gustavo Milano (Jockey Club de Rosario), Eliseo Branca, o futuro australiano Enrique Rodríguez (Tala de Córdoba), Andrés Courreges e Serafín Dengra.

Petersen e Mínguez anotaram um try cada, e Porta assinou o resto: duas conversões, um penal e um drop goal.

O único ponto australiano foi de David Campese, que seria o homem a mais marcar tries por uma seleção, 64, só sendo superado por Daisuke Ohata, aposentado em 2011 com 69 pelo Japão. Ainda assim, foi de penal que Campese marcou. Os colegas desse ponta foram Roger Gould, Andrew Slack, Mike Hawker, Brendan Moon, Mark Ella, Dominic Vaughan (Tony Parker), David Codey, Simon Poidevin, Chris Roche, Duncan Hall, Spider Hillhouse, Stan Pilecki, Bill Ross e Declan Curran.

1985: a França batida e o empate com os All Blacks

Os novos feitos do período viriam em 1985. Em 22 de junho, os Pumas enfim venceram o antigo bicho-papão que atendia pela seleção francesa, em um 24 a 16. Em 2 de novembro, foi a vez de um histórico 21 a 21 com a Nova Zelândia, na única vez em que não se perdeu para ela.

Hugo Porta foi mais uma vez o nome desses logros. Contra os gauleses, ele conseguiu duas conversões, em tries de Ernesto Ure e Fabián Turnes, além de marcar um drop goal e três penais.

Já sobre os temidos All Blacks, Porta, a exemplo daquela vitória jaguar, marcou todos os pontos, com quatro penais e três drops. Isso renderia ao abertura, posição equivalente ao meia-armador, ou enganche para os argentinos, no futebol, então com 34 anos, as premiações de melhor esportista argentino do ano, o Olimpia de Oro, e de melhor jogador de rúgbi do mundo, na opinião da revista francesa Midi Olympique. A premiação oficial da International Rugby Board só começaria em 2001.

Argentina contra a França: Bernardo Miguens, Juan Lanza (ambos do CUBA), Diego Cuesta Silva (SIC), Fabián Turnes, Ricardo Annichini, Hugo Porta (os três, do Banco de la Nación), Javier Miguens, Ernesto Ure (ambos do CUBA), Tomás Petersen (SIC), Jorge Allen, Eliseo Branca (ambos do CASI), Gustavo Milano (Jockey Club de Rosario), Diego Cash (SIC), Alejandro Cubelli (Belgrano Athletic) e Fernando Morel (CASI). Pedro Lanza (CUBA) entrou no lugar de Annichini e Guillermo Holmgreen (Olivos), no de Javier Miguens, para a partida contra os neozelandeses. Rafael Madero, nestes dois jogos, do SIC, e Sergio Carosio, no segundo, do Olivos, também participaram, vindos do banco.

França: Serge Blanco, venezuelano de nascimento, Jean-Baptiste Lafond, Didier Codorniou, Philippe Sella, Éric Bonneval, Jean-Patrick Lescarboura, Pierre Berbizier, Jean-Luc Joinel, Éric Champ, Jacques Gratton, Alain Lorieux, Jean Condom, Jean-Pierre Garuet-Lempirou, Philippe Dintrans e Pierre Dospital.

Nova Zelândia: Kieran Crowley, John Kirwan, Warwick Taylor, Victor Simpson, Craig Green, Wayne Smith, David Loveridge, Mark Shaw, Murray Mexted, Jock Hobbs, Gary Whetton, Andy Haden, Brian McGrattan, Hika Reid e Steve McDowall.

Hugo Porta e as capas da El Gráfico

Porta, de qualquer forma ainda o único argentino e americano a ser eleito o melhor jogador mundial do esporte, foi naturalmente o rugbier que mais apareceu na primeira página da El Gráfico, quando essa revista, mais voltada ao futebol, resolveu estampar manchetes sobre a bola oval.

Além de personalizar as vitórias da seleção nas capas, ele chegou a aparecer também com a tenista Gabriela Sabatini, o piloto Guillermo Maldonado, o pugilista Uby Sacco e, do futebol, Enzo Francescoli, o uruguaio do River Plate que fora o primeiro não argentino eleito o melhor jogador da liga nacional, e Claudio Borghi, estrela do nanico Argentinos Juniors vencedor da Libertadores, em uma edição dedicada aos feitos e protagonistas de 1985.

Em 2009, a publicação completou 90 anos e lançou três edições especiais, cada uma retratando períodos de três décadas de sua história. Na dedicada aos heróis modernos, de 1979 a 2009, Porta voltou a aparecer com Sabatini e Francescoli, além de Maradona, Martín Palermo e, da geração dourada do basquete argentino, Manu Ginóbili.

Outra das capas foi a da edição de 6 de abril de 1982: mesmo com letreiros dedicados a uma eventual compra definitiva de Maradona pelo Boca Juniors, não concretizada, uma vez que Diego, que estava emprestado, rumou ao Barcelona após a Copa, e à Guerra das Malvinas, a imagem escolhida foi a do capitão dos Jaguares a vencerem os Springboks.

O maior público de rúgbi da Argentina

O público abarrotou tanto, nas duas partidas de 1985, o Arquitecto Ricardo Etcheverri, o campo do Ferro Carril Oeste, que, por conta disso, a seleção passou a usar o do arquirrival Vélez Sarsfield em 1986, em nova série de jogos contra a França.

Em uma nova vitória, por 15 a 13, registrou-se no estádio José Amalfitani o maior público de um jogo de rúgbi na Argentina, com estimadas 48.500 pessoas na cancha velezana. El Fortín de Liniers acabaria firmando-se como a nova casa puma a partir da década seguinte.

Ainda que 1986 reservasse uma malsucedida gira pela Austrália, que venceu os tests por 39 a 19 e 26 a 0, todo esse histórico colocou os Pumas como uma das principais equipes a participarem da primeira Copa do Mundo, um ano depois, cuja final reuniria exatamente França e Nova Zelândia. Chegar ao menos às quartas de final era algo plausível.

A Copa do Mundo de Rúgbi e a entrada da Argentina

A partir de 1987, a cada quatro anos vem se disputando o terceiro torneio esportivo mais acompanhado no planeta, a Copa do Mundo de Rúgbi, de audiência inferior apenas às da Copa do Mundo da FIFA e das Olimpíadas de Verão. A Argentina é a única nação sul-americana presente em todas as edições.

O rúgbi foi o último grande esporte de bola a criar a sua Copa. Na realidade, mundiais já vinham sendo realizados desde 1954, mas da modalidade League, a menos difundida no globo: apenas na Austrália, a grande dominadora dessa outra Copa, e na Papua-Nova Guiné, onde é o esporte nacional, ela é mais popular que a modalidade Union.

A primeira Copa da FIFA foi realizada no Uruguai por conta do domínio que a Celeste impunha na América do Sul e nas Olimpíadas. Com o primeiro mundial de rúgbi, o critério foi similar, com a superpotência Nova Zelândia sendo a anfitriã, ainda que com a vizinha Austrália como subsede. Outra semelhança com o mundial de futebol de 1930 esteve no fato de que as nações chegaram sob convite, e ainda não por eliminatórias.

As duas sedes se juntaram às demais nações do International Rugby Board: Inglaterra, Escócia, Gales, Irlanda e França, e aos convidados. A África do Sul foi o único membro do IRB excluído da festa, por conta do boicotado apartheid, embora tenha sido ela a persuadir ingleses e galeses pela criação do evento, já que os quatro britânicos vinham sendo contra. Os convites foram distribuídos às emergentes Argentina, Canadá, Fiji, Itália, Japão, Romênia, Tonga, Zimbábue e União Soviética, a única a recusá-lo. Foi substituída pelos rivais Estados Unidos.

1987: a estreia frustrada e a despedida de Porta

A primeira delegação argentina em uma Copa de Rúgbi foi composta principalmente por jogadores do CASI, com cinco: Jorge Allen, Eliseo Branca, Roberto Cobelo, Fernando Morel e Gabriel Travaglini. Seu arquirrival SIC teve três: Diego Cash, Diego Cuesta Silva e Rafael Madero. Mesmo número dos de Pueyrredón, Marcelo Campo, Alejandro Schiavio e Martín Yangüela, e do Banco de la Nación, o capitão Hugo Porta, Fabio Gómez e Fabián Turnes.

Foram chamados ainda dois cada de La Plata, Guillermo Angaut e Julián Manuele, e do CUBA, os irmãos Juan e Pedro Lanza, e um de Olivos, Sergio Carosio, Universitario de Santa Fé, Julio Clement, San Martín, Serafín Dengra, Jockey Club de Rosario, Gustavo Milano, Los Tarcos de Tucumán, Luis Molina, Manuel Belgrano, José Mostany, Alumni, Sebastián Salvat, e Tala de Córdoba, Hugo Torres.

O grupo sorteado para eles foi o 3, justamente o mesmo dos principais anfitriões. Ainda assim, uma classificação à segunda fase não era tida como das mais difíceis. Os demais oponentes seriam Fiji e Itália.

A primeira zebra da história das Copas de Rúgbi

Fiji, principalmente, era visto como o menos complicado. Perdera os dois embates já travados até então contra a Argentina, quando visitaram o país em 1980, por 22 a 34 e 16 a 38, ocasião em que foram derrotados também pelo SIC, 11 a 28. E contra os fijianos seria realizada a estreia hermana em mundiais. O jogo ocorreu no Rugby Park de Hamilton, em 24 de maio, em cotejo arbitrado pelo escocês Jim Fleming.

Argentina: Salvat, Campo, Cuesta Silva, Turnes, Juan Lanza, Porta, Gómez, Mostany, Travaglini, Allen, Milano (Schiavio), Branca, Morel, Cash e Molina. Os técnicos eram Héctor Silva e Ángel Guastella, ambos presentes no divisor de águas da seleção, a vitória sobre os Junior Springboks em 1965, Silva em campo e Guastella como treinador. Outros Pumas originais de 1965 também estavam na delegação, casos de Aitor Otaño e Luis García Yáñez.

Fiji: Severo Koroduadua Waqanibau, Serupepeli Tuvula, Epineri Naituku, Tomasi Cama, Kavekini Nalaga, Willie Rokowailoa, Pauliasi Tabulutu, Manasa Qoro, John Sanday, Peceli Gale (Samu Vunivalu), Koli Rokoroi, Ilaitia Savai, Rusiate Namoro, Salacieli Naivilawasa e Sairusi Naituku.

Os alvinegros protagonizaram a primeira zebra das Copas de Rúgbi. Não apenas venceram, como o fizeram de forma elástica: 28 a 9. O cachetazo fijiano foi construído com tries de Gale, Naivilawasa, Nalaga e Savai, duas conversões e dois penais de Koroduadua Waqanibau e uma conversão de Rokowailoa. Os sul-americanos retiraram-se de campo tendo pontuado apenas com um try de Gómez e um penal e uma conversão assinalados pelo veterano capitão Hugo Porta. Já com 36 anos, o melhor rugbier do mundo de dois anos antes se programava para deixar a seleção.

A primeira vitória em Copas, sobre a Itália

Quatro dias depois, no Lancaster Park de Christchurch, foi a vez de encarar a Itália. Contra os europeus veio a primeira vitória puma nas Copas, um 25 a 16.

Itália: Daniele Tebaldi, Marcello Cuttitta, Stefano Barba, Fabio Gaetaniello, Massimo Mascioletti, Fulvio Lorigiola, Oscar Collodo, Antonio Colella, Gianni Zanon, Marzio Innocenti, Mario Pavin, Mauro Gardin, Guido Rossi, Antonio Galeazzo e Tito Lupini. Os Azzurri pontuaram com tries de Innocenti e Cuttitta e uma conversão e dois penais de Collodo.

Argentina: Salvat, Juan Lanza, Cuesta Silva, Madero, Pedro Lanza, Porta, Yangüela, Schiavio, Travaglini, Allen, Branca, Carosio, Molina, Cash e Dengra.

Mesmo ali houve problemas. Yangüela contundiu-se e teve de ser cortado do torneio, tendo seu lugar ocupado por Marcelo Faggi, jogador do Estudiantes de Paraná, equipe que estava em excursão pela Nova Zelândia na época.

Gómez, que substituiu Yangüela no decorrer da partida, assinalou um dos tries alvicelestes, o outro sendo de Juan Lanza. Porta voltou a mostrar sua eficiência nos chutes, garantindo cinco penais e uma conversão.

Porém, além de torcer pela derrota de Fiji, com quem concorreriam na última rodada pela segunda colocação, era necessário tirar uma diferença de tries, primeiro critério de desempate, para com os algozes da estreia. E o compromisso argentino seria diante da temida anfitriã.

Um dia antes, em 31 de maio, a derrota fijiana surpreendentemente ocorrera: os já eliminados italianos lograram sua primeira vitória em Copas com um 18 a 15. Contra cada um desses dois, os All Blacks haviam somado setenta pontos ou mais, 70 a 6 contra os europeus e 74 a 13 contra seus vizinhos da Oceania. Contra a Argentina, em 1º de junho, obtiveram apenas 46 a 15. A derrota honrosa não salvou os sul-americanos, que só conseguiram um try, com Juan Lanza.

Porta foi o autor dos demais pontos, com uma conversão e três penais, despedindo-se do seu único mundial com a agridoce eliminação precoce somada à artilharia do elenco hermano. Além do capitão, o outro argentino a ter se salvado na competição foi Enrique Rodríguez, ex-puma que vinha jogando pela Austrália, quarta colocada.

Com Rodríguez, os Wallabies vieram à Argentina para dois amistosos no fim do ano, e não venceram: 19 a 19 e 19 a 27 foram os resultados, no estádio do Vélez Sarsfield, na despedida inicial de Porta. Esses test matches acabaram por ser uma solitária alegria para a seleção em 1987. Curiosamente, os jogos marcaram a despedida internacional também de El Topo Rodríguez, que havia se despedido, em 1983, e também debutado, em 1979, pela Argentina exatamente contra a Austrália.

Entre 1987 e 1991: decepções e uma vitória histórica

Por ocasião da segunda Copa, em 1991, houve muitas mudanças. Se antes do primeiro mundial os resultados para a seleção eram animadores, nos quatro anos até o segundo as decepções contra os grandes oponentes tomaram conta.

Em 1988, venceu um e perdeu os outros três jogos contra a França, 15 a 18 e 18 a 6 na Argentina, 9 a 29 e 18 a 28 na Europa. No ano seguinte, derrotas largas na visita à Nova Zelândia, 9 a 60 e 12 a 49 para os All Blacks. Em 1990, em passagem pelas Ilhas Britânicas, reveses para Irlanda, 18 a 20, Irlanda B, 12 a 27, Escócia, 3 a 49, e Barbarians, 22 a 34, na primeira vez contra a equipe que reúne os melhores jogadores do mundo para amistosos festivos.

A primeira vitória sobre a Inglaterra

A grande exceção foi na visita que a Inglaterra realizou em 1990. O primeiro jogo foi contra o Banco de la Nación, clube que um Hugo Porta à beira da aposentadoria levara ao título no ano anterior. Ele e colegas impuseram um 29 a 21. Depois, a seleção de Tucumán perdeu por estreitos 14 a 19, para em seguida a de Buenos Aires lograr um 26 a 23 e a do Cuyo, um dramático 22 a 21. A de Córdoba também saiu-se honrosamente, perdendo por 12 a 15. Já contra os Pumas, a Rosa até venceu o primeiro test, por 25 a 12. Mas, no último compromisso, perdeu a revanche.

Argentina: Alejandro Scolni (Alumni), Hernán Vidou (Buenos Aires CRC), Marcelo Loffreda, Diego Cuesta Silva (ambos do SIC), Sebastián Salvat (Alumni), Rafael Madero (SIC), Fabio Gómez (Banco de la Nación), Marcos Baeck (Pueyrredón), Miguel Bertranou (Los Tordos de Mendoza), Pablo Garretón (Belgrano Athletic), Eliseo Branca (CASI), Alejandro Iachetti (Hindú), Diego Cash, Juan José Angelillo (ambos do SIC) e Manuel Aguirre (Alumni). Iachetti era o remanescente do histórico 19 a 19 obtido em Twickenham em 1978.

Inglaterra: Simon Hodgkinson, Nigel Heslop, Will Carling, John Buckton, Chris Oti, David Pears, Richard Hill, Dean Ryan, Peter Winterbottom, Mickey Skinner, Nigel Redman, Wade Dooley, Jeff Probyn, Brian Moore e Jason Leonard.

Só que, ainda em 1990, a Inglaterra enfrentou a Argentina em novembro. E venceu por 51 a 0, na referida turnê pelas Ilhas Britânicas. Foi nela a despedida definitiva de Hugo Porta, que voltara para a seleção especialmente para a viagem e que ali se tornou o mais velho a jogar por ela, superando em pouco mais de um ano os 38 anos com os quais Fairy Heatlie contava no jogo inaugural da Argentina, em 1910. O ano de 1990, ao menos, assinalou também a entrada plena da Argentina no IRB, após apoio de Austrália e França.

As mudanças no cenário doméstico

Outras mudanças vinham no cenário doméstico. Os clubes de San Isidro, CASI e SIC, deixaram a cidade sem ser campeã em 1989, na primeira vez desde 1970 que ela ficou sem título. O Banco de la Nación dividiu ali a taça com o Alumni. Este, grande potência do futebol na primeira década do século XX, seria ainda campeão isolado de 1990 a 1992, logrando de forma seguida seus quatro primeiros títulos no rúgbi.

Mais sentida ainda foi a quebra da hegemonia da seleção de Buenos Aires no campeonato argentino de províncias. Os bonaerenses haviam conquistado todos desde 1966 até 1985, quando a seleção de Tucumán quebrou a escrita, conseguindo ainda um tetra de 1987 a 1990 e o bi de 1992 e 1993. A lista para a Copa do Mundo de 1991 seria marcada pela grande presença de jogadores tucumanos.

1991: a pior campanha em Copas

Ricardo Le Fort, Santiago Mesón, José Santamarina e Martín Terán foram convocados do Tucumán. Outros da província homônima presentes foram Pablo Garretón (Universitario), Pablo Buabse (Los Tarcos) e Luis Molina (Lawn Tennis). O grande Alumni do momento cedeu Manuel Aguirre, Gonzalo Camardón e Mariano Lombardi. La Plata, com Guillermo Angaut e Germán Llanes, Olivos, com Mariano Bosch e Mario Carreras, SIC, com Diego Cash e Diego Cuesta Silva, Pueyrredón, com Hernán García Simón e Agustín Zanoni, e Pucará, com Gustavo Jorge e Eduardo Laborde, forneceram dois cada.

A convocação foi completada com um cada de CASI, Matías Allen, Belgrano Athletic, Lisandro Arbizu, Jockey Club de Rosario, Guillermo del Castillo, Newman, Francisco Irarrázaval, Curupaytí, Pedro Sporleder, e Mendoza, Federico Méndez, na escolha dos técnicos Luis Gradín, outro puma original de 1965, e Guillermo Lamarca.

O que não se alterou foi o fraco desempenho em um mundial. Na verdade, houve mudança, só que para pior: os Pumas perderam todos os seus compromissos. Se Porta conseguira somar 32 pontos em 1987, o goleador argentino da ocasião, Martín Terán, faria apenas 12.

Em uma Copa multinacional, já que a Inglaterra foi a sede principal, mas houve jogos também na Escócia, França, Gales e nas Irlandas, que no rúgbi são unidas em uma só seleção, as derrotas para a futura campeã Austrália, 32 a 19, e para o tradicional País de Gales, 7 a 16, foram seguidas pelo mais vexaminoso. Assim como em 1987, um pequeno arquipélago da Oceania sacudiu os Pumas. Já eliminados, levaram de 12 a 35 da surpreendente Samoa Ocidental, a estreante da Copa.

Entre 1991 e 1995: os primeiros duelos com a África do Sul

Ainda em 1991, os maus resultados incluiriam largas derrotas para a Nova Zelândia na Argentina, 14 a 28 e 6 a 36, e o rebaixamento do outrora poderoso CASI, em jejum desde 1985.

Até a Copa de 1995, o principal ineditismo foram os primeiros jogos contra a seleção principal da sede do mundial, a África do Sul, que oficialmente já havia enfrentado, e até perdido uma vez, para a América do Sul, ainda que de seleção composta apenas por argentinos.

A seleção de Buenos Aires chegou a vencer os Springboks na visita destes em 1993, por 28 a 27, mas os sul-africanos nunca conheceriam outro resultado que não a vitória diante dos Pumas: 29 a 26 e 52 a 23 naquela viagem e, em casa, 42 a 22 e 46 a 26 no ano seguinte.

Até 1995, cabe destacar também uma vitória sobre a França em Nantes, em 1992, por 24 a 20, após derrotas para os mesmos Bleus em Buenos Aires naquele ano, 12 a 27 e 9 a 33; os primeiros jogos contra a principal força asiática, o Japão, 30 a 27 e 45 a 20 em visita nipônica de 1993; e múltiplas vitórias argentinas em visita da Escócia em 1994, 25 a 11 para a seleção de Cuyo, 27 a 24 para a de Rosário e, para os Pumas, um 16 a 15 e um 19 a 17.

A reorganização do rúgbi argentino

Fora a seleção, em 1993, ano em que o CASI foi rebaixado outra vez, após ter voltado à elite no anterior, foi criado um campeonato nacional de clubes, vencido pelo rival SIC. Com isso, a União Argentina de Rúgbi deixou, em 1995, de administrar o principal campeonato provincial, o de Buenos Aires. Para ele fora criada, em 1994, a União de Rúgbi de Buenos Aires, a URBA.

No último campeonato bonaerense feito pela UAR, um campeão novo: o La Plata. Foi um ano forte para o esporte platense, que viu, no futebol, o Estudiantes vencer a segunda divisão após rebaixamento em 1994 e, no rival Gimnasia y Esgrima, que originara o La Plata, um dramático vice-campeonato para o San Lorenzo. O La Plata ainda foi vice no nacional, onde perdeu para um CASI reascendido.

O ano de 1995 foi também o que marcou a permissão oficial para o profissionalismo no rúgbi, justamente o motivo principal para que, exatos cem anos antes, em 1895, clubes dissidentes ligados a atletas operários tivessem criado a modalidade League. A Argentina é precisamente o único país do alto escalão da modalidade Union a manter ferrenhamente o amadorismo nela.

1995: a terceira eliminação precoce e o carrasco argentino

Para a Copa, os tucumanos continuaram bem presentes: Le Fort, Mesón e Santamarina, do Tucumán, e Buabse, dos Tarcos, foram reconvocados. Salvat, Cuesta Silva, Arbizu, Guillermo del Castillo, Llanes, Méndez e Sporleder, igualmente presentes nos mesmos clubes de 1991, também.

Os clubes que mais cederam novatos foram o SIC, com Diego Albanese, José Cilley, Matías Corral e Rolando Martín, e o Jockey Club de Rosario, com Rodrigo Crexell, Fernando del Castillo, Ezequiel Jurado e Martín Sugasti. Francisco García (Alumni), Nicolás Bossicovich (Gimnasia y Esgrima de Rosario), Sebastián Irozqui (Palermo Bajo de Córdoba), Patricio Noriega (Hindú), Marcelo Urbano (Buenos Aires CRC), Cristián Viel (Newman) e o futuro símbolo Agustín Pichot (CASI) foram outros a irem para a sua primeira Copa.

As novidades do mundial foram duas estreantes, ambas africanas: a Costa do Marfim e a África do Sul, primeira anfitriã única do evento. Os Springboks teriam uma campanha redentora após anos de ostracismo por conta do apartheid, rendendo até filme de Clint Eastwood, o belo Invictus.

O conjunto dos técnicos Alejandro Petra e Ricardo Paganini, por sua vez, só perdeu, apesar de demonstrar boa técnica. O artilheiro, com 26 pontos somados, seria Cilley. Inglaterra e, novamente, Samoa Ocidental venceram respectivamente por 24 a 18 e 32 a 26, mas por conta de súbitos apagões argentinos. Contra os ingleses, foram derrotados pela falta de pontaria, tendo errado cinco penais e caindo mesmo tendo aplicado dois tries e não levado nenhum.

Já os samoanos estavam sendo vencidos por 12 a 26 até os últimos 18 minutos, quando iniciaram uma espetacular virada. Os sul-americanos despediram-se contra os italianos, que também os venceriam por seis pontos de diferença, 31 a 25.

Diego Domínguez, o puma que virou azzurro

Essa última derrota contou com shows de ex-pumas: Mario Gerosa marcou um try e Diego Domínguez, não só outro como também duas conversões e quatro penais, em um duelo entre eliminados. O reserva Diego Scaglia era outro argentino, mas sem ter sido puma, entre os adversários. Domínguez fez o try da vitória no último minuto, revertendo a vitória parcial de 25 a 24 da terra natal.

Domínguez, ex-La Tablada de Córdoba, defendera a Argentina duas vezes em 1989, e Gerosa, ex-Atlético del Rosario, duas em 1987. Em 1995, Domínguez comandava o time de rúgbi do Milan. Não foi o primeiro hermano entre os Azzurri, mas abriu portas para outros: é o maior artilheiro da Itália, com 983 pontos, muitos deles nas primeiras vitórias italianas sobre Irlanda, em 1995, França, em 1997, Escócia, em 1998, e Gales, em 2003.

A Velha Bota ainda não ganhou precisamente das campeãs mundiais, Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Inglaterra, mas, antes de ter o cordobês, só havia derrotado, das nações do alto escalão, justamente a Argentina, em 1978.

Somando-se os 27 pontos que Domínguez fizera como puma, ele é um dos cinco a terem marcado mil pontos por seleções. Foi o segundo a atingir a marca, precisamente na vitória sobre Gales, em sua penúltima partida pelos europeus. Antecedido pelo galês Neil Jenkins, depois recebeu a companhia do inglês Jonny Wilkinson, do irlandês Ronan O’Gara e do neozelandês Dan Carter nesse grupo milenar.

1996 a 1999: a profissionalização da UAR e o técnico estrangeiro

O ano da Copa anterior, 1995, foi marcado por uma das maiores mudanças do rúgbi: a permissão para o profissionalismo. Na Argentina, isso ainda não vigorou entre os jogadores, com o amadorismo ainda sendo obrigatório. Mas a União Argentina de Rúgbi percebeu que precisava, sim, deixar o órgão mais profissional. Nem de preparador físico a seleção dispunha. Além de um departamento apropriado de recursos humanos, a UAR correu atrás de patrocinadores e contratos televisivos.

Pela última vez, a UAR organizou o campeonato provincial de Buenos Aires, para, a partir do ano seguinte, deixá-lo a cargo da União de Rúgbi regional e focar-se enfim no rúgbi nacional e na seleção. Tal mudança foi acompanhada de outras novidades: em 1996, o Hindú sagrou-se pela primeira vez campeão do torneio da URBA, ainda hoje o mais prestigiado, e do nacional de clubes, do qual atualmente é o maior vencedor. Já o título provincial fora dividido com o Atlético del Rosario, campeão pela primeira vez desde que se religara aos bonaerenses, em 1985.

Naquele ano, o ex-jogador e técnico puma Luis Gradín assumiu a presidência da UAR. Em meio ao desconforto dos conservadores, ele impôs a presença de um técnico estrangeiro para acompanhar o treinador José Luis Imhoff: Alex Wyllie, que dirigira sua terra natal, a Nova Zelândia, na Copa de 1991.

Outro tabu quebrado em 1996 também envolveu o exterior: pela primeira vez, a seleção convocou um jogador que atuava fora do país, mudando a postura antiga de deixar esquecidos os jogadores que estivessem no estrangeiro. Freddie Méndez, integrante dos mundiais de 1991 e 1995 como atleta do Mendoza, estava em 1996 no clube sul-africano Natal Sharks, de Durban. Além de primeiro puma gringo, ele foi igualmente o primeiro rugbier profissional na seleção. Méndez, naquele ano, foi vice-campeão da primeira edição do Super Rugby, principal torneio interclubes do hemisfério sul.

O que não mudou foram os maus resultados, uma constante para a seleção desde 1987. Em 1996, França e África do Sul obtiveram largas vitórias mesmo como visitantes, 34 a 27 e 34 a 15 para os Bleus, 46 a 15 e 44 a 21 para os Springboks. Na visita à Inglaterra, a decepção foi por conta de ter perdido um test que se vencia até o final. Seria a primeira vitória sobre a seleção inglesa dentro do templo Twickenham, mas a Rosa terminou vencedora com um 20 a 18.

Até a Copa de 1999, os únicos grandes triunfos ocorreram em 1997, ambos no estádio do Ferro Carril Oeste: 33 a 13 na Inglaterra e 18 a 16 na Austrália. Só que ambos os visitantes também lograram vitórias em suas passagens, e mais largas, respectivamente 46 a 20 e 23 a 15. Além disso, 1997 reservou acachapantes 8 a 93 e 10 a 62 contra a Nova Zelândia, em uma viagem ao país. Os 8 a 93 ainda são a pior derrota dos Pumas.

O ano de 1998 também foi bem amargo: além de novos reveses para os franceses, 18 a 35 e 12 a 37 em Buenos Aires, 14 a 34 em Nantes, derrotas não só também para a Itália, 19 a 23 em Piacenza, e Gales, 30 a 43 em Llanelli, mas até para o Japão, 29 a 44 em Tóquio.

O ambiente azedou mais em 1999, após outras derrotas para os galeses, desta vez em Buenos Aires, 26 a 36 e 16 a 23. O técnico Imhoff acabaria desligando-se da delegação por conta das desavenças com os jogadores.

A quatro meses da Copa de 1999, Héctor Méndez foi recrutado para ser a nova dupla de Wyllie, mas El Pipo também se retiraria em choque com os atletas, após tentar realizar mudanças na convocação que Imhoff listara para o mundial. Com isso, o neozelandês ficou como treinador único.

Unido, o grupo conseguiu em agosto a primeira vitória da Argentina contra uma seleção britânica no Reino Unido: 31 a 22 na Escócia, no Murrayfield de Edimburgo, no dia 21 de agosto. Uma semana depois, no último test antes do torneio, derrota de 24 a 32 para a Irlanda, resultado que logo teria seu troco.

1999: a primeira grande campanha

Na lista de jogadores, Newman, SIC e Hindú foram os clubes mais presentes na convocação, de cada um partindo cinco: Agustín Canalda, Martín Scelzo e os gêmeos Felipe e Manuel Contepomi, do primeiro; Diego Albanese, José Cilley, Gonzalo Longo e Rolando Martín, do segundo; Lucas Ostiglia, Gonzalo Quesada e outros irmãos, Juan e Nicolás Fernández Miranda, do terceiro.

Atlético del Rosario, com Octavio Bartolucci e José Orengo, CUBA, com Ignacio Corleto e Fernando Díaz Alberdi, Curupaytí, com Mario Ledesma e Pedro Sporleder, e Liceo Naval, com Ignacio Fernández Lobbe e Eduardo Simone, enviaram duplas. Alejandro Allub (Jockey Club de Córdoba), Gonzalo Camardón (Alumni), Raúl Pérez (Duendes de Rosario), Santiago Phelan (CASI) e Miguel Ruiz (Mendoza) foram os demais saídos do rúgbi nacional.

Por fim, completaram a lista cinco jogadores estrangeiros: o capitão Lisandro Arbizu, do Brive, ex-Belgrano Athletic; Roberto Grau, do Saracens, ex-Mendoza; Omar Hasan, do Agen, ex-Natación y Gimnasia de Tucumán; Agustín Pichot, do Bristol, ex-CASI; e Mauricio Reggiardo, do Castres Olympique, ex-Pueyrredón de Mar del Plata.

O formato e as novidades da Copa de 1999

A Copa de 1999 teve os mesmos anfitriões de 1991, agora com o País de Gales sendo a sede principal. Outra diferença foi no número de participantes, subindo de 16 para 20, ocasionando três estreantes: a Namíbia, nove anos após tornar-se independente da África do Sul, e duas nações hispânicas, a Espanha e o Uruguai, o segundo sul-americano a marcar presença no torneio.

Outra novidade trazida pela quarta Copa de Rúgbi foi o primeiro caso de irmãos se enfrentando, na primeira fase, onze anos antes de isso ocorrer pela primeira vez também em uma de futebol, com Jérôme e Kevin-Prince Boateng, respectivamente alemão e ganês, em 2010. No rúgbi, os pioneiros foram os neozelandeses Graeme e Stephen Bachop. Já haviam competido por países diferentes na de 1991: Graeme jogara pela terra natal naquele mundial e no de 1995, e defenderia o Japão em 1999. Já Stephen, como em 1991, competiria pela Samoa das raízes. E ambos seriam adversários também dos argentinos na fase inicial de 1999.

Outra dupla fraterna separada, igualmente neozelandesa, foi a de Mike e Tana Umaga, com o primeiro também integrando o plantel samoano e o segundo sendo All Black. Além de Graeme Bachop, outros vira-casacas mundialistas da ocasião foram Va’aiga Tuigamala, neozelandês em 1991 e samoano em 1999, Jamie Joseph, neozelandês em 1991 e 1995 e japonês em 1999, e Adrian Garvey, zimbabuano em 1991 e sul-africano em 1999.

Ao contrário das Copas seguintes, em que vêm havendo quatro grupos de cinco, para a de 1999 a divisão foi de cinco grupos de quatro, cada um tendo um anfitrião: além de Gales, também França, Inglaterra, Escócia e Irlanda. Os líderes de cada um iriam diretamente às quartas de final. Já os cinco segundos colocados e o melhor terceiro se pegariam em play-offs para definir as demais três vagas.

A abertura contra Gales e a virada sobre Samoa

A Argentina ficou na chave galesa e, contra a sede principal, abriu o evento, no Millennium Stadium de Cardiff. Gonzalo Quesada demonstrou já ali que seria a peça principal dos sul-americanos. Sempre de penal, marcou todos os pontos argentinos, que chegaram a estar à frente no placar no primeiro tempo. Mas, assim que conseguiu a dianteira, Gales soube preservá-la e confirmou a constante superioridade que vinha exercendo recentemente sobre os argentinos. Ainda assim, venceu só por 23 a 18.

O adversário seguinte seria Samoa, seguidamente uma carrasca nas Copas de 1991 e 1995. Ao fim do primeiro tempo, conseguia impor um terceiro revés seguido, indo para os vestiários do Stradey Park, em Llanelli, com uma vantagem de 16 a 3.

Quesada e a sua pontaria certeira seriam as grandes figuras de uma mudança espetacular após o intervalo. Aos 24 da segunda etapa, ele, que de penal fizera os pontos argentinos da primeira, já havia colocado 18 a 16 no escore após acertar outros quatro penais e um drop goal. A vitória foi garantida com um try de Alejandro Allub e mais três penais de Quesada, um destes do meio de campo. Os argentinos voltavam a conseguir uma vitória em Copas depois de doze anos.

Aquele ainda é o único triunfo em quatro jogos já realizados contra os samoanos, a única nação do pelotão intermediário a ter retrospecto favorável diante dos Pumas.

Samoa: Silao Leaegailesolo, Afato So’oalo, George Leaupepe, Va’aiga Tuigamala, Brian Lima, Stephen Bachop (Tanner Vili), Steven So’oalo, Pat Lam, Junior Paramore, Sene Ta’ala, Lama Tone (Kalolo Toleafoa), Opeta Palepoi (Ohenunga Matauiau), Robbie Ale, Trevor Leota (Isaac Feau’nati, que interpretou Jonah Lomu no filme Invictus) e Brendan Reidy (Mike Mika).

Argentina: Manuel Contepomi, Bartolucci, Simone, Arbizu, Albanese, Quesada, Pichot, Longo, Martín, Phelan, Fernández Lobbe, Allub, Hasan, Ledesma e Reggiardo. Scelzo, Camardón e Ruiz também fariam parte, entrando no decorrer da partida nos respectivos lugares de Hasan, Bartolucci e Longo.

Contra o já eliminado Japão, que perdera por 9 a 43 para os samoanos e por 15 a 64 para os galeses, a Argentina precisava vencer por 69 pontos de diferença para se garantir logo nas quartas de final, como líder da chave. De volta ao Millennium Stadium, venceu apenas por 33 a 12, a derrota menos elástica dos orientais, restando aos Pumas somente a terceira colocação. Quesada demonstrou sua importância: se os 21 pontos que marcou, todos de penais, fossem retirados, o jogo teria terminado empatado.

O drama contra a Irlanda em Lens

Os argentinos, justamente os melhores terceiros colocados, conseguiram ao menos passar de fase pela primeira vez. Pelo sorteio, pegariam os irlandeses no Stade Félix Bollaert, em Lens. O jogo opôs dois grandes chutadores, em um duelo de Quesada contra David Humphreys. O primeiro tempo encerrou-se em 15 a 9 para os de Trevo no peito, com os pontos marcados de penais pelo artilheiro de cada equipe.

No começo do segundo tempo, Humphreys acertou novo penal e também um drop goal, colocando os europeus na frente com 21 a 9. Queso respondeu com dois penais, mas o goleador irlandês acertou mais um, ficando em parcial de 24 a 15, diminuído para 24 a 18 após novo penal acertado pelo abertura argentino.

A oito minutos do fim, então, os Pumas ganharam cinco metros de terreno em um scrum. O half-scrum Pichot habilitou a bola para Felipe Contepomi, que a repassou para o ponta-direito Camardón. Este último entregou-a para o outro ponta, Albanese, galgar rapidamente pela esquerda e conseguir um try. Quesada entrou novamente em ação, marcando no chute de conversão e colocando os alvicelestes enfim na frente: 25 a 24. No penúltimo minuto, Quesada acertou novo penal, dando números finais à histórica classificação argentina para as quartas de final.

Conta-se que Santiago Phelan, curiosamente descendente de irlandeses, esgotado, precisava perguntar a colegas onde estavam os de verde para que pudesse interceptá-los.

Irlanda: Conor O’Shea, Justin Bishop, Brian O’Driscoll, Kevin Maggs, Matt Mostyn, David Humphreys, Tom Tierney, Dion O’Cuinneagain, Kieron Dawson, Andy Ward, Malcolm O’Kelly, Jeremy Davidson, Paul Wallace, Keith Wood e Reggie Corrigan. Perderam por 24 a 28.

Os classificados estavam alinhados com praticamente o mesmo conjunto que vencera Samoa, com Corleto e Camardón escolhidos nos lugares originais de Manuel Contepomi e Bartolucci. No meio do cotejo, Felipe Contepomi entraria no lugar de Corleto, e Scelzo, no de Hasan.

As quartas de final contra a França

Depois de vencerem a Irlanda na França, seria a vez de medir forças com a França na Irlanda, no Lansdowne Road de Dublin. Os franceses começaram frenéticos, conseguindo um 17 a 0 ainda aos dez minutos. A primeira etapa terminou reequilibrada com um 27 a 20 para os europeus, com o onipresente Quesada acertando um penal e os chutes de conversão dos tries argentinos, alcançados por Pichot e Arbizu.

A desvantagem de sete pontos permaneceu até os 33 minutos, agora em um 33 a 26, com Speedy Gonzalo somando seu 102º ponto na Copa ao acertar um penal, e Felipe Contepomi, outro. Os Bleus, porém, também tinham seu pé calibrado: Christophe Lamaison. Este já havia acertado quatro penais e três chutes de conversão na partida. Aos 33 e aos 39 da segunda etapa, então, pontuou com outras duas conversões, após os desequilibrantes tries de Philippe Bernat-Salles e Xavier Garbajosa.

Naquele 24 de outubro, os Pumas repetiram quase toda a escalação que funcionara diante da Irlanda, desta vez com Roberto Grau iniciando no lugar de Hasan. O intenso decorrer do jogo obrigou Wyllie a realizar diversas outras substituições: Manuel Contepomi no lugar de Simone, Felipe Contepomi no do artilheiro Quesada, Nicolás Fernández Miranda no de Pichot, Ostiglia no de Phelan, Ruiz no de Fernández Lobbe, Scelzo no de Reggiardo e Canalda no de Ledesma.

Os Bleus, que eliminariam ainda a favorita Nova Zelândia do superastro Jonah Lomu em sua última Copa, em espetacular virada de 10 a 24 para 43 a 24, venceram por 47 a 26 com Xavier Garbajosa, Philippe Bernat-Salles, Richard Dourthe, Christophe Dominici, Émile Ntamack, Christophe Lamaison, Fabien Galthié, Christophe Juillet, Olivier Magne, Olivier Brouzet, Abdelatif Benazzi, Marc Lièvremont, Franck Tournaire, Raphaël Ibañez e Cédric Soulette. Ugo Mola, Stéphane Glas, Stéphane Castaignède, Arnaud Costes, Michel Auradou, Marc Dal Maso e Pieter de Villiers substituíram Garbajosa, Dourthe, Galthié, Juillet, Benazzi, Ibañez e Soulette, respectivamente.

Quesada, o sucessor de Porta

Gonzalo Quesada terminou como goleador do mundial. Quando Marc Lièvremont, enfrentado por ele nas quartas de final, assumiu o comando técnico da seleção francesa, recrutou-o para treinar os chutadores gauleses.

Queso, maior símbolo da primeira grande campanha argentina em um mundial de rúgbi, acabaria eleito o esportista do ano no país em 1999. Foi o terceiro e ainda último rugbier a receber o Olimpia de Oro, coroando ainda mais o ano em que a União Argentina de Rúgbi completou o seu centenário.

Os antecessores de Quesada na premiação foram os capitães Aitor Otaño, em 1965, ano em que a seleção se tornou puma após vencer os Junior Springboks, e Hugo Porta, em 1985, quando este, eleito também o melhor rugbier do mundo, fora o principal homem por trás da primeira vitória sobre a França e da única não derrota contra a Nova Zelândia.

Rumo a 2003: as surras e os jogos decididos por pouco

Depois de finalmente ter passado da primeira fase em uma Copa do Mundo, na bela campanha de 1999, o caminho até o mundial seguinte foi agridoce para os Pumas.

A trilha rumo à própria Austrália, sede de 2003, incluiu verdadeiras surradas, como os 6 a 53 para ela e 0 a 19 para a Inglaterra em 2000, e um 19 a 67 para a Nova Zelândia em 2001, ainda que todas essas tenham ocorrido fora de casa. E histórias que deixaram por pouco de ocorrer: a África do Sul, até então não derrotada pela seleção argentina, venceu por 37 a 33 em 2000 em Buenos Aires e por um ainda mais apertado 26 a 25 em 2003, esta em plena Port Elizabeth. Houve também uma honrosa derrota de 20 a 24 para a Nova Zelândia, em Buenos Aires, em 2001.

Quanto às vitórias, o maior destaque foram as três nos três tests realizados em visita francesa, também em 2001. Por muito tempo uma assombração para a Argentina, os Bleus, que os eliminaram arduamente na Copa de 1999, foram se tornando um adversário menos temível.

Outro acontecimento de 2001 foi o último uso do Arquitecto Ricardo Etcheverri, o estádio do Ferro Carril Oeste, em um 38 a 27 na Itália. Casa mais regular da seleção desde os anos 1960, El Templo de Madera foi trocado pelo campo do rival Vélez Sarsfield, o José Amalfitani.

Cabe destacar também os primeiros argentinos vencedores da Heineken Cup, a Liga dos Campeões do rúgbi: Federico Méndez e Martín Scelzo participaram da campanha do inglês Northampton Saints em 2000.

2003: a maior goleada em Copas e a eliminação por um ponto

Para a Copa da Austrália, o emergente Hindú foi a equipe mais numerosa na lista dos técnicos Marcelo Loffreda e Daniel Baetti. Dela, os irmãos Juan e Nicolás Fernández Miranda e Lucas Ostiglia foram reconvocados do mundial de 1999, acompanhados agora por Hernán Senillosa.

Fora o Hindú, os clubes franceses foram a maioria, a começar pelo Castres Olympique, dos também reaproveitados Ignacio Fernández Lobbe, Mario Ledesma e Mauricio Reggiardo. Outros remanescentes de 1999 que estavam na França eram Gonzalo Longo, Martín Scelzo, os dois do Narbonne, Ignacio Corleto, Agustín Pichot, ambos do Stade Français, Omar Hasan, do Agen, José Orengo, do Grenoble, e Gonzalo Quesada, do Béziers Hérault.

Também do rúgbi gaulês vieram os novatos Patricio Albacete (Colomiers), Rimas Álvarez Kairelis (Arlequins Perpignanais) e Martín Gaitán (Biarritz Olympique). Os ingleses Diego Albanese (Leeds Tykes) e Rodrigo Roncero (Gloucester) e o irlandês Felipe Contepomi (Leinster) foram outros chamados do estrangeiro.

Completaram a lista Pablo Bouza (Duendes de Rosario), Manuel Contepomi (Newman), Martín Durand (Champagnat), Roberto Grau (Liceo de Cuyo), Juan Martín Hernández (Deportiva Francesa e sobrinho de Patricio Hernández, ex-Estudiantes de La Plata que estivera na Copa de 1982), Rolando Martín (SIC), Federico Méndez (Mendoza), José Núñez Piossek (Huirapuca de Tucumán), Santiago Phelan (CASI) e o veterano Pedro Sporleder (Curupaytí), em sua quarta Copa.

Quem não pôde ir pela quarta vez foi Lisandro Arbizu: uma lesão o impediu, e Phelan o substituiu como capitão. E quem chegou pela primeira vez foi a Geórgia, a estreante da Copa.

Assim como em 1999, a Argentina abriu o torneio, jogando diante do anfitrião, os detentores do título na época, os Wallabies. Sem dar muitas chances, os australianos venceram esperada e facilmente, por 24 a 8.

Mas, contra as frágeis Namíbia, 67 a 14, e Romênia, 50 a 3, os argentinos conseguiram se manter vivos na disputa. A vitória sobre os africanos ainda é a mais larga dos Pumas em Copas. Houve simplesmente dez tries, com direito a um para cada irmão Fernández Miranda. Quesada, o goleador de 1999, manteve a pontaria, acertando sete conversões e um penal.

O último jogo, contra a Irlanda, seria um confronto direto pela segunda vaga, em uma reedição do play-off de 1999 que colocara os argentinos, pela primeira vez, nas quartas de final. Quesada entrou novamente em ação, tendo acertado quatro chutes a gol, três penais e um drop. Seu rival no jogo de 1999, David Humphreys, apenas dois, um penal e um drop.

Todavia, os irlandeses conseguiram levar a melhor. Chegaram a estar atrás do placar, com 10 a 12, mas conseguiram virar para 16 a 12 e, mesmo sufocados no fim, mantiveram um agoniante 16 a 15.

A eliminação foi a última partida de Quesada pela Argentina. Artilheiro do mundial anterior, Queso despediu-se novamente como máximo pontuador da delegação alviceleste, com 33 pontos na Copa de 2003.

2005: o empate com os Lions setenta anos depois

O caminho à Copa seguinte também teve seus paradoxos. Derrotas em casa para Gales, 20 a 35 em 2004 e 20 a 27 em 2007, e África do Sul, 7 a 39 em 2004, contrastavam com bons resultados fora: honrosos 19 a 25 contra a Nova Zelândia e 26 a 27 contra a França em 2006, e vitórias sobre Irlanda, 21 a 19 em 2004, Escócia, 23 a 19 em 2005, e Itália, 23 a 16 em 2006.

Para o bem e para o mal, o ano mais marcante foi 2005, o mesmo que quebrou o jejum de vinte anos do CASI sem títulos da URBA e dez sem nenhum título, desde o nacional de 1995. Foi em um agônico 18 a 17 obtido de virada nos últimos minutos da final, que, para completar, fora diante do arquirrival SIC, tricampeão seguido.

Já para a seleção, 2005 se encerrou com largos reveses caseiros para Samoa, 12 a 28, e África do Sul, 22 a 34, resultados que não apagaram uma grande conquista prévia.

Foi num 25 a 25 no Millennium Stadium de Cardiff, contra os British and Irish Lions, que se preparavam para uma turnê pela Nova Zelândia. A seleção que reúne para amistosos as quatro nações britânicas não era enfrentada desde 1936. Primeira adversária da Argentina, em 1910, sempre a havia vencido, e como visitante.

Em casa, os Lions teriam pela frente uma equipe cheia de reservas, em razão do afastamento de alguns titulares após desentendimentos destes com o então presidente da União Argentina de Rúgbi, Alejandro Risler.

Argentina: Bernardo Stortoni (Bristol), José Núñez Piossek (Castres Olympique), Lisandro Arbizu (Aviron Bayonnais), Felipe Contepomi (Leinster), Francisco Leonelli (La Tablada de Córdoba), Federico Todeschini (Béziers Hérault), Nicolás Fernández Miranda (Hindú), Juan Manuel Leguizamón (SIC), Martín Schusterman (Plymouth Albion), Federico Genoud (Los Tordos de Mendoza), Mariano Sambucetti (Brive), Pablo Bouza (Duendes de Rosario), Mauricio Reggiardo, Mario Ledesma (ambos do Castres Olympique) e Federico Méndez (Mendoza).

British and Irish Lions: Geordan Murphy, Denis Hickie (irlandeses), Ollie Smith (inglês), Gordon d’Arcy (irlandês), Shane Williams (galês), Jonny Wilkinson (inglês), Gareth Cooper, Michael Owen (galeses), Lewis Moody, Martin Corry, Danny Grewcock (ingleses), Donncha O’Callaghan, John Hayes, Shane Byrne (irlandeses) e Graham Rowntree (inglês).

Os personagens foram Wilkinson e Todeschini, cada um a acertar seis penais e uma conversão para os seus lados. Os tries foram feitos por Smith e Núñez Piossek, recordista nisso pela Argentina. Vale ressaltar que os visitantes teriam vencido se Wilkinson não acertasse um penal no fim e o árbitro Stuart Dickinson não desse oito minutos de acréscimo.

Foi uma das últimas aparições de Arbizu pelos Pumas. O capitão se retiraria naquele 2005, tendo o recorde de presenças como jogador, 87, e também como capitão argentino, 48.

2006: a primeira vitória sobre a Inglaterra em Twickenham

Outro destaque rumo a 2007 ocorreu um ano antes da Copa da França. Foi na primeira vitória argentina sobre a Inglaterra dentro da maior catedral do rúgbi mundial, o estádio londrino de Twickenham.

Inglaterra: Iain Balshaw, Paul Sackey, Jamie Noon, Anthony Allen, Ben Cohen, Charlie Hodgson, Shaun Perry, Pat Sanderson, Lewis Moody, Martin Corry, Ben Kay, Danny Grewcock, Julian White, George Chuter e Perry Freshwater.

El Ninja Todeschini voltou a se destacar, anotando 22 dos 25 pontos argentinos, com um try, uma conversão e cinco penais. Contepomi acertou outro. A Rosa fez 18 pontos, com tries de Balshaw e Sackey e chutes de Hodgson, uma conversão e um penal, e Toby Flood, um penal, que o substituíra.

Argentina: Juan Martín Hernández (Stade Français), José Núñez Piossek (Aviron Bayonnais), Gonzalo Tiesi (London Irish), Miguel Avramovic (Worcester Warriors), Pablo Gómez Cora (Lomas), Felipe Contepomi (Leinster), Agustín Pichot (Stade Français), Gonzalo Longo (Clermont Auvergne), Juan Fernández Lobbe (Sale Sharks), Juan Manuel Leguizamón (London Irish), Patricio Albacete (Stade Toulousain), Ignacio Fernández Lobbe (Sale Sharks), Omar Hasan (Stade Toulousain), Mario Ledesma (Clermont Auvergne) e Marcos Ayerza (Leicester Tigers). Todeschini só entrou no decorrer do jogo.

2007: o terceiro lugar e o auge dos Pumas

Na sexta Copa do Mundo, os estrangeiros já eram a maioria da delegação puma, notadamente os da liga francesa. Da sede do evento, Loffreda e Baetti, que seguiram como técnicos, chamaram Mario Ledesma, Gonzalo Longo, Martín Scelzo (do Clermont Auvergne), Martín Durand, Federico Todeschini (Montpellier Hérault), Rimas Álvarez Kairelis, Federico Martín Aramburu (Arlequins Perpignanais), Patricio Albacete, Omar Hasan (Stade Toulousain) e Lucas Ostiglia (Agen). Ainda viria Eusebio Guiñazú, também do Agen, que no decorrer do torneio substituiria um lesionado Ledesma.

Ainda da França vieram Lucas Borges, Ignacio Corleto, Juan Martín Hernández, Agustín Pichot e Rodrigo Roncero, todos do Stade Français, que acabara de encerrar um jejum de 90 anos sem títulos na elite. Pichot era o capitão do time, tornando-se o primeiro argentino capitão campeão francês de rúgbi.

Outros forasteiros foram os ingleses Juan Manuel Leguizamón, Gonzalo Tiesi (os dois do London Irish), os irmãos Ignacio e Juan Fernández Lobbe (ambos do Sale Sharks), Martín Schusterman (Leeds Carnegie) e Marcos Ayerza (Leicester Tigers), além de Santiago González Bonorino (Capitolina, da Itália) e Felipe Contepomi (Leinster).

Já Horacio Agulla, Nicolás Fernández Miranda, Hernán Senillosa (todos do Hindú), Albert Vernet Basualdo (Alumni), Esteban Lozada (CASI), Manuel Contepomi (Newman) e Federico Serra Miras (SIC) eram os representantes da casa. Em uma única Copa, o conjunto igualaria as seis vitórias já obtidas pela Argentina no torneio.

A vitória sobre a França na abertura

A Copa da França, que teve jogos também na galesa Cardiff e na escocesa Edimburgo, foi a primeira a contar com uma nação lusófona: Portugal, o estreante da ocasião. Outro acontecimento foi o do ainda único jogador a participar de um quinto mundial, o samoano Brian Lima, seguidamente adversário dos argentinos nos de 1991, 1995 e 1999.

Argentina: Corleto, Borges, Manuel Contepomi, Felipe Contepomi, Agulla, Hernández, Pichot, Leguizamón, Juan Fernández Lobbe, Ostiglia, Albacete, Ignacio Fernández Lobbe, Scelzo, Ledesma e Roncero.

França: Cédric Heymans, Aurélien Rougerie, Yannick Jauzion, Damien Traille, Christophe Dominici, David Skrela (Frédéric Michalak), Pierre Mignoni (Jean-Baptiste Élissalde), Imanol Harinordoquy, Rémy Martin (Julien Bonnaire), Serge Betsen, Jérôme Thion, Fabien Pelous (Sébastien Chabal), Pieter de Villiers, Raphaël Ibañez (Dimitri Szarzewski) e Olivier Milloud.

Os franceses haviam sido derrotados nos últimos cinco dos seis jogos que fizeram contra os Pumas, mas ainda assim, como anfitriões, eram favoritíssimos. Os argentinos não os deixaram jogar, porém. A defesa alviceleste soube segurar todo o ímpeto adversário, enquanto Felipe Contepomi colocava os visitantes na frente já aos 4 minutos, em penal.

Skrela, da mesma maneira, igualou aos 7, mas Contepomi colocou a bola por cima do H aos 10 e aos 24. Três minutos depois, um fulminante contra-ataque resultou em try de Corleto. Skrela ainda acertou mais dois penais, mas o primeiro tempo deixou a plateia do Stade de France, no subúrbio parisiense de Saint-Denis, emudecida: 17 a 9 para a Argentina, com Contepomi tendo acertado outro penal. O máximo que os Bleus conseguiram no restante foi novo penal com Skrela, deixando o jogo no 17 a 12.

Mesmo com a façanha, Pichot tratou de alertar os colegas: esto recién empieza, isso acaba de começar, no sentido de que o mais difícil logo viria.

A fase de grupos e o troco na Irlanda

A fase de grupos deu razão ao capitão: ainda que os Pumas tenham vencido todos os jogos, só dominaram totalmente a Namíbia, 63 a 3. Os 33 a 3 na também frágil Geórgia, no primeiro encontro contra os caucasianos, só vieram com força a partir do segundo tempo.

A última parada era contra a Irlanda, pela terceira vez seguida no caminho mundialista. E os irlandeses chegaram a estar duas vezes na frente, mas os penais de El Mellizo Contepomi e os drop goals de El Mago Hernández desequilibraram o placar. Com um 30 a 15 no Parc des Princes, os sul-americanos eliminaram os do Trevo e devolveram-lhes a queda na primeira fase ocorrida quatro anos antes.

As quartas de final e o Superclássico antecipado

Nas quartas de final, um oponente novo em Copas, a Escócia. A expectativa na Argentina era bem alta: jamais havia vencido todos os jogos iniciais, muito menos terminado na liderança do grupo. Além do mais, os escoceses já eram uma das duas nações da elite do rúgbi contra quem os Pumas tinham retrospecto favorável, sendo a Itália a outra.

Em uma verdadeira Pumamania, em 7 de outubro, nada menos que um Boca Juniors x River Plate no mesmo dia teve o seu horário antecipado, para que o país todo pudesse acompanhar tanto o Superclásico quanto os Pumas, de volta ao Stade de France e com uma escalação quase idêntica à da estreia, com Longo no lugar de Leguizamón como única alteração.

Escócia: Rory Lamont, Sean Lamont, Simon Webster, Rob Dewey, Chris Paterson, Dan Parks, Mike Blair, Simon Taylor, Allistair Hogg, Jason White, Jim Hamilton, Nathan Hines, Euan Murray, Ross Ford e Gavin Kerr.

Parks assustou no início, acertando um penal aos 16, mas Felipe Contepomi continuou a se demonstrar um grande sucessor de Gonzalo Quesada e Hugo Porta. Dois penais e uma conversão sua, após try de Longo, deixaram a parcial de 13 a 6 ao fim do primeiro tempo.

Paterson, de penal, fizera os outros pontos dos britânicos. Estes vieram com tudo no segundo tempo: um try seguido de acerto na conversão os colocaria à frente. Conseguiram o intento, com Chris Cusiter apoiando a bola na linha de fundo e Paterson convertendo. Todavia, para os Cardos, tal jogada ocorreu um tanto tarde, aos 22 minutos, já após Contepomi e Hernández terem ampliado a vantagem argentina com suas respectivas especialidades, penal e drop.

O escore final foi 19 a 13, em uma partida cansativa, cheia de substituições: Álvarez Kairelis no lugar de Ignacio Fernández Lobbe, Leguizamón no de Ostiglia, Hasan no de Scelzo e Senillosa no de Manuel Contepomi; e Andrew Henderson no de Dewey, Craig Smith no de Kerr, Scott MacLeod no de Hamilton, Kelly Brown no de Hogg, Cusiter no de Blair, Scott Lawson no de Ford e Hugo Southwell no de Rory Lamont.

A semifinal contra a África do Sul

A escalação inicial usada contra os escoceses foi mantida para a inédita semifinal, contra a África do Sul.

África do Sul: Percy Montgomery, J. P. Pietersen (Ruan Pienaar), Jaque Fourie, François Steyn (Wynand Olivier), Bryan Habana, Butch James (André Pretorius), Fourie du Preez, Danie Rossouw (Bobby Skinstad), Juan Smith, Schalk Burger, Victor Matfield, Bakkies Botha (Johannes Muller), C. J. van der Linde, John Smit (Bismarck du Plessis) e Os du Randt, único remanescente do título mundial sul-africano de 1995, substituído por Jannie du Plessis.

Felipe Contepomi, novamente, foi o mais visível personagem argentino, acertando dois penais e também uma conversão, esta após try de seu irmão gêmeo Manuel. Todavia, a munição puma se esgotou aí. Já aos 6 minutos, os Springboks conseguiram um try, com Du Preez. Os adversários souberam tanto aproveitar os numerosos erros argentinos como quebrar rapidamente as senhas dos arremessos laterais dos alvicelestes, ganhando sucessivamente a disputa neles.

Habana, o maior marcador de tries do torneio, conseguiu dois, e Rossouw, outro. E os hermanos, que tanto golearam a Namíbia, seriam bem vazados por um Bok namibiano: Percy Montgomery, o artilheiro da Copa, com 105 pontos, e da seleção adversária, com 893. Acertou as quatro conversões e os três penais que chutou. Os já confortáveis 24 a 6 da primeira etapa se transformaram em 37 a 13 na segunda, dando fim ao sonho argentino de fazer ainda mais história.

O bronze e a surra na França

Restava a consolação do bronze. O mesmo time-base dos dois jogos anteriores, com algumas alterações, Martín Aramburu no lugar de Borges, Durand no de Ostiglia, Álvarez Kairelis no de Ignacio Fernández Lobbe, Hasan no de Scelzo e Vernet Basualdo no de Ledesma, reencontrou os franceses, mais modificados.

França: Clément Poitrenaud, Rougerie, David Marty, Skrela, Dominici, Frédéric Michalak, Jean-Baptiste Élissalde, Harinordoquy, Thierry Dusautoir, Yannick Nyanga, Thion, Lionel Nallet, Nicolas Mas, Ibañez e Jean-Baptiste Poux.

O natural desânimo puma pós-eliminação desapareceu em um passeio sobre os anfitriões, ainda que estes, com Élissalde, tenham aberto o placar, de penal, aos 16 minutos. Felipe Contepomi assinou doze dos outros dezessete pontos do primeiro tempo, todos argentinos: aos 20, de penal; aos 27, marcando um try em seguida convertido por ele mesmo; e, aos 31, convertendo o try logrado por El Turco Hasan.

Qualquer reação gaulesa no segundo tempo foi esfriada cedo, com Martín Aramburu conseguindo novo try sul-americano. Contepomi errou na conversão, mas a fatura mostrou-se praticamente liquidada. Martín Aramburu e Corleto deram mais ares de vexame azul, com tries aos 24 e aos 28, também não convertidos por El Mellizo. Mas o grande personagem argentino da Copa, mesmo já sem precisar, redimiu-se ao fim da melhor forma: convertendo outro try que alcançara, a quatro minutos do fim, completando 92 pontos no torneio e ficando na artilharia dos argentinos.

A surra na França, 34 a 10, ficou simbolizada em um avassalador tackle de Leguizamón no monstruoso Sébastien Chabal, que substituíra Thion. L’Homme des Cavernes ficou estirado no chão em um lance que ficou folclórico, ainda que irregular: o icônico oitavo francês foi agarrado, sem bola, pelo alto, duas infrações que fizeram o argentino receber cartão amarelo, o que no rúgbi significa dez minutos de expulsão.

O jogo pelo terceiro lugar foi o último de Pichot pela seleção. O capitão, posteriormente, seria alçado ao hall da fama do International Rugby Board, honra que só coube a outro argentino: a lenda Hugo Porta. É também o argentino com mais aparições pelo Barbarians, tendo sido chamado pela primeira vez em 1996, quando ainda estava no rúgbi nacional, no CASI.

2011 e o ingresso no Rugby Championship

Os feitos pumas, apesar de certa instabilidade pós-Copa, com 14 derrotas e 5 vitórias em tests, enfim os colocaram em um torneio anual da nata do rúgbi. Após anos pleiteando um lugar no Seis Nações, que reúne Inglaterra, Escócia, Gales, Irlanda, França e Itália, ou no Três, com África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, em 2009 anunciou-se que em 2012 eles seriam aceitos neste último, convertido no Rugby Championship.

Uma nova conquista viria em 2011. Meses antes da sétima Copa do Mundo, o Pampas XV, um selecionado de um plano de alto rendimento da UAR para jogadores-promessas, venceu a Vodacom Cup, o segundo torneio doméstico sul-africano em importância. Nove Pampas conseguiram assim cavar lugar no mundial, na lista escolhida pelo novo técnico, Santiago Phelan, também dominada por clubes franceses.

Maximiliano Bustos, Agustín Creevy, Santiago Fernández, Juan Figallo, Lucas González Amorosino (Montpellier Hérault), Felipe Contepomi, Martín Rodríguez, Rodrigo Roncero (Stade Français), Alejandro Campos, Martín Scelzo (Agen), Patricio Albacete, Nicolás Vergallo (Stade Toulousain), Marcelo Bosch, Manuel Carizza (Biarritz Olympique), Mario Ledesma (Clermont Auvergne), Juan Manuel Leguizamón (Lyon Olympique), Juan Fernández Lobbe (Racing Toulonnais) e Nicolás Sánchez (Bordeaux Bègles) saíram todos do Top 14, o campeonato gaulês.

As demais vagas foram preenchidas com os ingleses Horacio Agulla, Marcos Ayerza (Leicester Tigers), Tomás Vallejos Cinalli (Harlequins), Genaro Fessia (London Wasps), Gonzalo Camacho (Exeter Chiefs) e os caseiros Julio Farías Cabello (Tucumán), Leonardo Senatore (Gimnasia y Esgrima de Rosario), Agustín Gosio (Newman) e Juan José Imhoff (Duendes de Rosario), além de Mariano Galarza e Alfredo Lalanne, ambos sem clube. Lucas Borges, do Pucará, seria selecionado no meio da competição, para o lugar do machucado Tiesi.

A preparação incluiu jogos contra combinados especiais: os Barbarians franceses, 23 a 19 e 18 a 21 em junho, e uma reeditada seleção da América do Sul, 78 a 15 em agosto, usada nos anos 1980 para permitir jogos dos argentinos contra os boicotados sul-africanos. O mundial teve a Rússia como estreante, e a campanha argentina terminou nas quartas de final, com a eliminação frente à anfitriã e futura bicampeã Nova Zelândia.

Felipe Contepomi supera Hugo Porta

Já a lista de Tati Phelan para o primeiro Rugby Championship, em 2012, naturalmente contou com muitos remanescentes da boa Copa de 2011: Albacete, Ayerza, Bosch, Bustos, Camacho, Carizza, Creevy, Farías Cabello, Fernández, Fernández Lobbe, Figallo, González Amorosino, Leguizamón, Rodríguez, Roncero, Sánchez e Vergallo. Outros foram Agulla, agora no inglês Bath, Vallejos Cinalli, já no galês Scarlets, Senatore, no francês Racing Toulonnais, e Imhoff, do Racing Métro.

O Racing Métro, clube poliesportivo parisiense cuja equipe de futebol inspirara o nome do Racing de Avellaneda, foi precisamente o clube que mais forneceu os nomes que não estiveram na Nova Zelândia em 2011: Álvaro Galindo, Juan Pablo Orlandi e a estrela Juan Martín Hernández, que havia se lesionado. Também da França saíram Martín Bustos Moyano (Montpellier Hérault), Rafael Carballo (Bordeaux Bègles), Agustín Figueroa (Brive) e Eusebio Guiñazú (Biarritz Olympique).

Tomás Cubelli (Belgrano Athletic), Martín Landajo (CASI), Tomás Leonardi (SIC) e Manuel Montero (Pucará) foram os escolhidos vindos da própria Argentina.

Já Felipe Contepomi, que em junho de 2012, contra a Itália, superou Hugo Porta como maior pontuador da seleção, com 628 pontos contra 590 de Porta, foi surpreendentemente deixado de lado.

2012 em diante: o Rugby Championship e o fim dos tabus

A entrada no Rugby Championship, em 2012, cumpriu o que se esperava dela. Enfrentar África do Sul, Austrália e Nova Zelândia três vezes por ano, todo ano, elevou o nível competitivo dos Pumas de uma forma que os amistosos esparsos nunca haviam conseguido.

Os resultados demoraram. A primeira vitória argentina no torneio só veio em 2014, sobre a Austrália, em Mendoza. Mas o processo produziu efeito, e os dois maiores tabus da história da seleção acabaram caindo.

2020: a primeira vitória sobre a Nova Zelândia

Em 14 de novembro de 2020, em Sydney, a Argentina venceu a Nova Zelândia pela primeira vez, por 25 a 15. O jogo valia pelo Tri Nations daquele ano, versão reduzida do torneio por conta da pandemia.

Era a 30ª partida entre as duas seleções. Até ali, a Argentina tinha 29 derrotas e o empate de 1985, aquele em que Hugo Porta marcou todos os pontos. O tabu que este especial registrava como intacto, e que já durava 35 anos, caiu.

Os Pumas voltariam a vencer os All Blacks em agosto de 2022, em Christchurch, desta vez dentro da Nova Zelândia.

A África do Sul e o Rugby Championship

O outro tabu, o dos Springboks, também caiu: a Argentina venceu a África do Sul em 2015, em Durban, por 37 a 25, e voltaria a fazê-lo outras vezes, incluindo em 2024.

As Copas do Mundo depois de 2011

2015: a segunda semifinal

Na Copa do Mundo da Inglaterra, os Pumas tiveram sua melhor campanha desde o bronze de 2007. Estrearam contra a Nova Zelândia, em Wembley, perdendo por 26 a 16, com try de Guido Petti e conversão e três penais de Nicolás Sánchez.

Venceram os três jogos seguintes do grupo, avançaram e eliminaram a Irlanda nas quartas de final por 43 a 20, em uma das melhores atuações da história da seleção. Na semifinal, caíram para a Austrália por 29 a 15. Na disputa pelo terceiro lugar, perderam para a África do Sul.

2019: a queda na primeira fase

No Japão, a Argentina caiu ainda na fase de grupos, em uma chave que continha França e Inglaterra. Foi a primeira eliminação precoce desde 2003.

2023: a terceira semifinal

Na Copa da França, os Pumas estrearam perdendo para a Inglaterra por 27 a 10, mas se recuperaram e avançaram em segundo no grupo.

Nas quartas de final, no Stade Vélodrome de Marselha, veio a atuação que ficou: a Argentina saiu perdendo por 10 a 0 para o País de Gales e virou para 29 a 17, com try decisivo de Nicolás Sánchez nos instantes finais. Era a terceira semifinal de Copa do Mundo da história argentina.

A semifinal, no Stade de France, foi contra a Nova Zelândia, e não houve jogo: 44 a 6 para os All Blacks, com sete tries sem resposta. Foi o quarto encontro entre as duas seleções em Copas do Mundo, e nas quatro vezes os neozelandeses chegaram à final.

Na disputa pelo terceiro lugar, a Argentina perdeu de novo para a Inglaterra. O título ficou com a África do Sul, que bateu a Nova Zelândia por 16 a 15 na final e se tornou a primeira tetracampeã mundial.

Onde os Pumas estão hoje

Somadas, a Argentina tem três semifinais de Copa do Mundo, em 2007, 2015 e 2023, e um terceiro lugar, o de 2007, que segue sendo a melhor campanha. É a única seleção sul-americana presente em todas as edições do torneio.

A próxima Copa do Mundo será disputada na Austrália, em 2027, e a Argentina já garantiu sua vaga pela classificação obtida na fase de grupos de 2023.

Nota de edição

Este especial reúne as seis partes da série História dos Pumas, publicadas pelo Futebol Portenho em 2012, em um único texto. Nenhum trecho foi cortado.

Sobre o capítulo final: a série original foi escrita em 2012, acompanhando a primeira participação argentina no torneio então chamado Quatro Nações, hoje Rugby Championship, e a narrativa parava naquele ano. O capítulo que cobre de 2012 até hoje foi escrito agora, para que o especial chegue ao presente.