Categories: Arquivo

Messi precisa ser Messi na Seleção, não Messias

Foto: Matthias Hangst/Getty Images

Genial! A frase que tem me feito refletir nos últimos dias é do jornalista argentino Esteban Bekerman, que fez uma pontual alusão ao jogo coletivo, sobretudo com Messi na Seleção, que as vezes vejo em falta, ou simplismente não encontro por aí. Messi nos acostumou mal, é verdade. E o tempo para que essa geração argentina descarregue o peso de não vencer um título por ela e outras passadas começou a chegar em sua reta final. A Copa América, logo logo, e o Mundial 2018, parecem ser as últimas chances palpáveis. Na semana passada Agüero declarou que se esta geração não vencer nada, vão se arrepender por toda a vida. A pressão externa é grande.

Voltando à frase de Esteban, após alguns tropeços e feridas, como a do Mundial no Brasil, que provavelmente não se fechará, me recordo que Sabella seguia muito bem quando rodeou Messi de Di María, Agüero, Higuaín e a trajetória era promissora até as lesões destes, na véspera e durante o Mundial. O coletivo esteve longe de suas condições ideais e o talento de Messi resolveu até onde pode.

Estou sempre atrás de opiniões para tentar expandir melhor algumas observações pessoais. Tenho conversado muito não só com torcedores da Seleção Argentina por aí, mas também com admiradores do futebol da Albiceleste, e nessas resenhas ainda noto muita rejeição e dúvidas sobre o trabalho de Martino no comando. Não discordo, mas sou mais cauteloso. Considero o trabalho na Seleção um tanto complexo, principalmente pela dificuldade que um treinador sofre em relação ao tempo que possui para imprimir seus conceitos e achar um tempo viável para treiná-los num curto período antes dos amistosos nas datas FIFA. A edição de maio da Revista AFA abriu um espaço para que os torcedores fizessem perguntas a Tata Martino, que para a minha surpresa, me respondeu um questionamento:

Revista da AFA/Maio de 2015.

Martino tem conceitos que podem resgatar a essência de um romantismo um tanto esquecido na Seleção Argentina. Protagonismo com a bola nos pés, marcar no campo adversário para ter a bola consigo o mais rápido possível, volantes técnicos, de bom pé, são palavras e marcas nas coletivas e treinamentos de Martino, que aos poucos vai tendo seu justo tempo para mostrar a que veio. Não se sabe, mas pode dar certo. E foi justamente numa recente entrevista que o treinador ganhou minha atenção, ao falar sobre Messi e o tal jogo coletivo. Tata destacou a necessidade de armar um jogo para que o camisa 10 receba em vantagem, num espaço vazio, ou no mano a mano, e não dar a bola para que Lionel drible quatro rivais e faça o gol, como muitas vezes, no calor do jogo esbravejei, confesso. Que não haja exclusão entre coletividade e talento, e que Messi seja Messi.

Júnior Marques

Sul-matogrossense Bacharel em Esporte pela Universidade Estadual de Londrina. Preparação Física e Cardiologia. Gabriel Batistuta nas peladas de infância, Hincha Albiceleste!

Recent Posts

Elementos em comum entre Flamengo e Lanús

Valido. Volante. Fleitas Solich. Quem buscar ícones do Flamengo pré-Zico, invariavelmente vai resvalar nesses três…

2 semanas ago

Elementos em comum entre Estudiantes e Racing, os primeiros campeões mundiais da Argentina

A semifinal argentina que o Flamengo abortou na Libertadores 2025 se converteu na final do…

3 meses ago

Todos os argentinos do Flamengo

Originalmente publicado pelos 120 anos do clube, em 2015 - e revisto, ampliado e atualizado.…

3 meses ago

Ramos Delgado, o capitão negro da Argentina que brilhou no Santos de Pelé

Nota originalmente publicada em 27 de agosto de 2015, para celebrar os 80 anos que…

3 meses ago

Afro-argentinos no futebol

Originalmente publicado em 2012 e revisto, atualizado e ampliado. Na imagem acima, o trio Alejandro…

4 meses ago

Héctor Baley, o argentino negro campeão mundial na Copa de 1978

Originalmente publicado no aniversário de 65 anos, em 16 de novembro de 2015 - e…

4 meses ago

This website uses cookies.