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Mohamed: “Comemorei o gol do Boca no vestiário”

Antonio Mohamed viveu uma das semanas mais duras de sua vida. De um lado, a desconfiança generalizada de que poderia entregar o jogo para favorecer a equipe de seu coração. De outro, a dor de poder ajudar a rebaixar o seu amado Huracán. Ao fim, um final feliz: o Independiente ganhou fácil, Mohamed mostrou integridade, e seu amado Huracán ainda luta pela sobrevivência.

Ao fim do jogo, El Turco expressou seu alívio: “Estou feliz porque o Huracán tem chance de se salvar, mas ainda mais pelo profissionalismo que o Independiente demonstrou hoje. Provamos que o futebol argentino é totalmente transparente e provamos que há gente com boca grande demais, que não pode estar em nosso futebol”, uma evidente alfinetada em Ricardo Caruso Lombardi, treinador do Quilmes, que durante a semana afirmou claramente que Mohamed poderia entregar o jogo.

Ainda em relação a Lombardi, El Turco disse que “hoje esse que tanto falou vai ter de ir com suas palavras até sua casa. E todos no Huracán entenderam que sou profissional e fiz o que tinha de fazer, mesmo que isso me doesse. As palavras dele me aborreceram, pois o Independiente teve suas dificuldades, e fez tudo o que tinha de fazer, algo que outras equipes não fizeram”.

Ao ser perguntado sobre o gol do Boca que livrou o Huracán, ao menos por enquanto, do descenso, Mohamed foi sincero: “Gritei o gol no vestiário, minha alma voltou ao meu corpo. Foi um presente dos céus, e agora só quero que o Huracán continue na primeira divisão. Acho que o gol de Cellay é uma prova de que existe alguém lá em cima que coloca as coisas em seu lugar. Milagres existem”, disse Mohamed, visivelmente aliviado por não ser responsável por enviar seu clube à segunda.

Mohamed encerrou a entrevista dizendo: “Se o Huracán caísse eu ficaria marcado. A verdade é que sofri o tempo todo, nem vi o jogo. Achei até que tinhamos ganho apenas de 4 a 1!”.

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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