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Palermo se despede com chave de ouro na vitória do Boca sobre o River

Um Superclássico histórico. Simples definição de tudo que envolveu o enredo desta partida especial na Bombonera. Uma despedida com lágrimas de alegria, pois Palermo não abandonaria seu jogo predileto sem marcar por uma última vez. Outra despedida, mas essa ainda especulada, pois Carrizo não renovou com o River Plate ainda, e ficará marcado por duas falhas bizarras nesta tarde de domngo (15/5). E com a vitória por 2 x 0, o Boca Juniors se alegram por empurrarem os arquirrivais para o desespero contra o descenso.

A torcida auriazul agora se torna aurinegra, pois depende de um vitória do Olimpo em Bahia Blanca que Independiente e River Plate dividam uma vaga na zona de Promoción. Neste caso, Rojos e Millonários disputariam um jogo extra para saber quem jogaria a repescagem contra o 4º colocado da Nacional B.

Para a surpresa dos críticos e da maioria local, o início do jogo contrariou o estilo de jogo das duas equipes. Afinal, o River não se intimidou pela Bombonera lotada, pois tocava a bola com calma, qualidade e na zona de ataque. Além disso, a marcação em pressão impedia que o Boca sequer pensasse em como revidar. Riquelme estava distante da bola, e seus companheiros mau trocavam cinco passes em sequência.

Infelizmente para os visitantes, o conjunto de Juan José Lopez não converteu este domínio em chances de perigo contra os comandados de Júlio César Falcioni.  No máximo, lamentaram alguns lances de entradas ríspidas dos zagueiros, principalmente Insaurralde, em que pediram pênalti. Patrício Loustau, no entanto, mandou o jogo seguir em todos eles.

Por ironia, neste momento de superioridade Millonária que o Boca achou forças para abrir o marcador na Bombonera. O River sofreu com “fogo amigo”, e os Xeneizes souberam aproveitar. Mouche cruzou na área, Monzón desviou e Carrizo se atrapalhou todo. Com a mão esquerda, empurrou a bola para as próprias redes: 1 x 0, aos 27 minutos.

No outro gol, por mais que o goleiro tenha falhado uma vez mais, os holofotes se voltaram todas ao personagem principal do Super desta tarde. Após o bate e rebate confuso na grande área, a bola procurou a cabeça de Martín Palermo. El Loco viu a indecisão de Carrizo e o encobriu de cabeça: 2 x 0, aos 30. E Palermo foi as lágrimas por marcar no último clássico da carreira.

Ao voltar dos vestiários, o orgulho Millonário tomou conta do time de Nuñez. Se lançaram ao ataque com toda a força, e se não fosse a a falha na mira de Pavone, teriam, ao menos, descontado a vantagem Xeneize. Do outro lado, os contragolpes balanceavam as chances de perigo. Pablo Mouche teve duas ótimas chances de liquidar a fatura, mas Carrizo e a trave os impediram.

Entretanto, nem foi preciso mais um gol para garantir a vitória no Superclássico. O Boca Juniors se organizou defensivamente, e ao River Plate acabaram os lances de criatividade que vieram no ímpeto do ínicio do segundo tempo. Para a posteridade, o destaque da ovação em massa à Palermo após sua substituição na partida. A nota triste vai para a briga de Clemente e Almeyda nos acréscimos do jogo. Ambos expulsos, mas o volante Millonário ainda saiu brigando e xingando a torcida local.

BOCA JUNIORS: Lucchetti; Clemente Rodríguez, Caruzzo, Insaurralde e Monzón; Chávez, Somoza e Colazo; Riquelme (Noir); Palermo (Viatri) e Mouche (Erviti). DT: Júlio César Falcioni

RIVER PLATE: Carrizo; Maidana (Pirez), Ferrero e Román; Ferrari, Acevedo (Lanzini), Almeyda e Pereyra; Lamela; Funes Mori e Pavone. DT: Juan José López

Próximos confrontos: Arsenal x Boca; River x San Lorenzo

Paulo Whitaker-Reuters
Rodrigo Vasconcelos

Rodrigo Vasconcelos entrou para o site Futebol Portenho no início de julho 2009. Nascido em Buenos Aires e torcedor do Boca Juniors, acompanha o futebol argentino desde o fim da década passada, e escreve regularmente sobre o Apertura, o Clausura e a seleção albiceleste

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