Quando um dirigente peitou Grondona

Há mais de 32 anos, Julio Humberto Grondona está à frente da presidência da AFA. Ali, ninguém o tira, ninguém o trata com desrespeito. Principalmente se tratando de dirigentes do alto escalão. Isso, até ontem.

A atuação do árbitro Pablo Loustau no superclássico argentino deixou o presidente do River Plate, Daniel Passarella, revoltado pelos “cinco pênaltis não marcados”, segundo o próprio cartola. Tanto que após uma ríspida conversa com o Grondona, o cartola Millonario pediu a renuncia do comitê executivo da entidade e exigiu que o próprio algoz renunciasse ao cargo da AFA.

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Passarella apareceu na AFA na noite de ontem com a intenção de pedir formalmente a suspensão de Loustau. Mas, em vão. O árbitro que, segundo Passarella, prejudicou o River Plate em duas oportunidades no Clausura (partidas contra Godoy Cruz e Boca Juniors), apitará Vélez e Gimnasia LP neste fim de semana. Isso fez com que aumentasse o rancor de Passarella, que saiu do prédio da AFA aos gritos.

Em entrevista ao Diário Olé, Passarella revelou que a partida do último domingo foi ‘um roubo’ e que ‘por muito menos o Brazzenas (Huracán x Vélez em 2009) não apita mais e o Loustau vai apitar neste domingo’. “Parece que a nossa opinião não importa para ele. Mandamos uma carta a AFA para suspenderem, mas não o fizeram. Loustau deixou de marcar cinco pênaltis e vai apitar esse fim de semana! Não penso que foi proposital, mas…“ destacou o Passarella, que se queixou do “autoritarismo de sempre”, de Grondona ao responder os pedidos do clube.

A discussão acontece justamente a poucas rodadas do fim do Clausura e com o River Plate a beira da promoção (partida repescagem contra um time da B Nacional). Passarella jura que não tem medo de que o presidente do conselho de árbitros, o próprio Julio Grondona, o prejudique nesta reta final. “Não tenho medo que ele nos mande ao rebaixamento. Nunca tive medo disso. O único medo que tenho é quando vem a mente o filho que perdi”, destacou.

Passarella admitiu ainda que sua decisão de pedir a renuncia de Julio Grondona foi algo verdadeiro e que muitos dirigentes argentinos também gostariam de ver o cartola da AFA a sair da entidade. “Disse apenas o que sentia há muito tempo. E mais. Incluo muitos que pensam igual. Mas, nunca ninguém falou para manter a politicagem. Sei que ele não vai sair. Mas, deveria ser coerente até pela idade dele. O importante é que disse isso na cara do Grondona. Meu voto, como presidente, seria esse”.

Grondona: “Ele é um dirigente muito novo”
O presidente da AFA respondeu as declarações de Daniel Passarella em uma entrevista a Rádio 10 e ironizou a forma em que o presidente do River tratou o assunto. “A experiência de diretor de um clube não se adquire em um ano e três meses. Quando vê que as coisas não estão  ao seu favor, sempre vai sair dos trilhos. Tem que ser tranquilo. Ele é novinho como dirigente, tem um caráter forte e sempre vem com probleminhas. Quando ganha, ele nunca fala, mas se perde ou empata ele é sanguíneo”.

Contudo, Grondona admitiu que esse cumprirá o mais um mandato a frente da AFA, caso seja reeleito (eleição acontece em outubro) e depois iria se aposentar. “Parece que em outubro terá eleições e sempre sou candidato. Se querem que eu siga, eu continuo. Se não, eu vou embora. Mas, será o meu último mandato”, finalizou.