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Que dureza!

Desde Buenos Aires – Quem já esteve alguma vez no estádio Nuevo Gasómetro, casa do San Lorenzo, faz ideia do por que o clube de Boedo é chamado de Ciclón ou simplesmente Ciclone no português.
Numa noite fria e de muita ventania, o estádio mais parecia estar localizado no meio de uma tormenta. E no olho do furacão estava um perdido San Lorenzo.
Contrastando com essa intranquilidade, o Atlético Rafaela parecia navegar num mar de calmaria. Chegou com um propósito bem definido de se defender, apostando nas jogadas de contra-ataque e na qualidade individual de seus dois homens de frente: Federico González e Darío Gandín.
Apesar do placar em branco no final da primeira etapa, o jogo havia se mostrado equilibrado com uma leve superioridade da equipe visitante. No San Lorenzo, todas jogadas passavam pelos pés de Romagnoli, que atuava bem aberto pela esquerda. A equipe local levava perigo principalmente nas bolas paradas.
Mas quando começa o segundo tempo e os ventos novamente voltam a soprar, o que se viu foi uma tragédia em azul e grená.
Aos 24 minutos, enquanto o San Lorenzo atacava, Bottinelli pede ao banco de suplentes outro par de chuteiras. Começa a trocá-las dentro de campo, mas é obrigado pelo bandeirinha fazer a mudança fora do terreno de jogo. Aproveitando-se da momentânea vantagem numérica, o Atlético Rafaela ataca no vazio deixado por Bottinelli no lado esquerdo da defesa. González avança sem encontrar qualquer resistência, cruza e Gandín finaliza a queima roupa, 1 a 0 Rafaela.
Após o gol, o San Lorenzo saiu desesperadamente atrás da igualdade. No instante em que parte da tribuna onde se encontravam os sócios já ensaiava algumas vaias, Romagnoli fez boa jogada individual e encontrou González livre dentro da área. Empate em 1 a 1 aos 43 minutos e que já parecia ser o resultado definitivo.
Mas outra infelicidade de Bottinelli colocaria o Atlético novamente em vantagem. Já nos acréscimos, o defensor tenta recuar de cabeça para o goleiro Migliore, mas toca quase sem força na bola que sobra limpa para González empurrar para dentro do gol, 2 a 1 Rafaela. Mais vaias da torcida local que ainda assistiu o terceiro gol da equipe visitante, após Gandín sofrer pênalti numa bela jogada individual. Durante as reclamações, Romeo foi expulso e o único do San Lorenzo a sair aplaudido na noite de ontem. Castro cobrou e colocou números finais no encontro, Atlético Rafaela 3 a 1.
Nos vestiários o clima era de tensão. Havia mais policias do que jornalistas e somente após quase uma hora de encerrada a partida, começaram a sair os primeiros atletas. Todos passavam sem falar com a imprensa. Ao fundo escutavam-se os insultos de alguns torcedores. O último a sair foi Bottinelli. Cabisbaixo e com um olhar perdido, assumiu a responsabilidade pela derrota.
“Eu errei e o San Lorenzo perdeu por minha culpa. Errei numa jogada pontual, quando havíamos alcançado o empate. Minha função é de evitar que façam gols e hoje fizeram por culpa minha. Foi uma noite complicada para mim” lamentou o defensor.
Graças à vitória do Banfield sobre o All Boys, o San Lorenzo saiu da zona de promoção. Já o Atlético Rafaela dormiu líder do Apertura, enquanto espera o confronto de hoje entre Lanús e Boca.

San Lorenzo: Migliore, Palomino (Alvarado), Bottinelli, Tula, Meza, Romagnoli, Bazán, Kalinski, Telechea (González), Gigliotti, Méndez (Romeo)
Atlético Rafaela: Sara, Fontanini, Carniello, Martín, Iriarte, Serrano, Juárez (Cáceres), Fissone, Castro, Federico González, Gandín
Gols: Gandín (24’ ST), González (43’ ST), Federico González (45’ ST) e Castro (48’ ST)

Leonardo Ferro

Jornalista e fotógrafo paulistano vivendo em Buenos Aires desde 2010. Correspondente para o Futebol Portenho e editor do El Aliento na Argentina.

View Comments

  • Basta dar uma olhada no plantel do CASLA... Enquanto depender de Romagnoli e Romeo, a situação não irá mudar.

  • Torcedores do San Lorenzo que me perdoem, mas estão implorando de joelhos pra fazer companhia ao River na B Nacional. Se não abrir o olho...

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