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Racing: um elenco em crise

Se as atitudes de Teo Gutierrez antes e durante a partida contra o Boca Juniors  geraram incômodo e silêncio nas primeiras 24 horas, logo em seguida o caldo entornou de vez. O estopim foram as declarações do colombiano contra os companheiros de grupo, gerando respostas agressivas de jogadores como Hauche e Licht. Tudo através da imprensa.

O caldeirão da Academia ferveu definitivamente com a entrevista de Teo à rádio Del Plata na segunda-feira. O colombiano disse que “não acho que tenha de pedir desculpas aos meus companheiros. Me aborrece que me chamem de mau caráter. Me entrego completamente em campo. Reconheço que cometi erros, mas me chateio que nenhum deles tenha me dito isso frente à frente”, uma clara referência a colegas como Yacob e Saja, que nas entrelinhas deixaram implícito o descontentamento com as atitudes do atacante.

A resposta foi imediata. Em entrevista ao canal TyC Sports, Gabriel Hauche disse que “é preciso acertar as coisas no vestiário, pois estamos parecendo um teatro de revista”, uma referência à célebre frase de Diego Latorre de 1998, “o Boca é um cabaré”. Segundo o atacante, “isso não é um show de TV. Se alguém não estiver satisfeito, a solução não é ir falar com a imprensa. Me dá vergonha”.

Mais direto foi Lucas Licht, que disse à rádio la Red: “é preciso ser profissional e treinar o máximo possível. Ele deveria ter treinado a semana toda. Contra o San Martin não jogou porque estava cansado, e nós falamos sobre isso com ele. Não sei porque está dizendo agora que ninguém o tratou como homem. Assim ele está fazendo mal ao Racing”. As fortes declarações do lateral escancaram de vez o clima interno da Academia. É evidente que os demais jogadores repudiam as ações do bom atacante colombiano, que parece não se importar com isso, chegando a provocar publicamente os companheiros. Vale conferir a atitude da diretoria e do treinador Diego Simeone para saber como a história vai terminar.

 

 

Tiago de Melo Gomes

Tiago de Melo Gomes é bacharel, mestre e doutor em história pela Unicamp. Professor de História Contemporânea na UFRPE. Autor de diversos trabalhos na área de história da cultura, escreve no blog 171nalata e colunista do site Futebol Coletivo.

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  • O Racing está na verdade um circo,onde faltam palhaços para animar o show,mas sobram apresentadores que querem roubar a cena,a cada momento,triste para um time bom que tem a academia,parece que para algumas pessoas falta cabeça para saber a camisa que representam.

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