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River tropeça em casa e pode voltar a promoción se perder o superclássico

¡El que no salta, se va a la B! O canto do torcedor do All Boys em pleno estádio Monumental de Núñez ao River Plate era algo totalmente inesperado na noite de hoje. Pode se dizer histórico, principalmente vindo de um time que acabou de retornar a primeira divisão após 30 anos longe da elite. E justamente a equipe mais vencedora da Argentina que hoje voltou a jogar como pequena, perdendo por 2×0, sendo o último gol sem Carizzo no arco.

Esse pode ser um dos preços a se pagar por querer ser precavido para o superclássico. Em poucos momentos durante a semana, falou-se do All Boys. O assunto mais falado era da possibilidade do time chegar com vários desfalques para o superclássico por conta de suspensões (cinco jogadores estavam pendurados) e isso, definitivamente, deixou o time com pouco foco para uma partida que também era de suma importância para si, já que uma derrota colocaria o time bem próximo da zona de rebaixamento.

E justamente na semana em que JJ López declarou que o River já deveria se preocupar mais com títulos do que propriamente com o descenso (mesmo sendo uma brincadeira), o River Plate caiu para um concorrente direto que jogou como um dos grandes. O All Boys, apesar de muitas vezes agredido, defendeu como alguém que pensa no presente e não no além. Nicolas Cambiasso foi um dos principais jogadores da equipe do bairro da Floresta, impedindo inúmeras situações de gol do River. Um paredão.

Sim, o River jogou como um time que pensava na vitória, buscou o gol em inúmeras oportunidades, principalmente nos primeiros 15 minutos. Mas, depois disso, o time caiu de produção, não conseguia mais acertar mais de cinco passes consecutivos e via o All Boys entrar na partida. E Emanuel Gigliotti percebeu isso. Começou a chamar a partida e fazia o que queria quando tinha a bola nos pés. A primeira oportunidade o atacante passou como quis dos defensores – que mais se preocupavam em não ficarem suspensos do que jogar futebol – e armou uma boa jogada para Juan Pablo Rodriguez bater colocado e Carrizo salvar.

Era um presságio. Minutos depois, o All Boys chegou ao seu primeiro gol. Gigliotti arrancou pela direita e no meio de dois marcadores, arriscou um belo chute cruzado na entrada da área que o arqueiro nada pode fazer. 1×0 de certa forma injusto pelo que produziu o River nos primeiros minutos de jogo, mas de certa forma merecido pela precisão do time da Floresta.

Na segunda etapa não foi muito diferente. O River buscou a partida enquanto o All Boys arriscava-se nos contragolpes. O time de JJ, todavia, parava em Cambiasso que mostrou o porquê vem sendo muito elogiado, principalmente em partidas contra os times grandes da Argentina. Pior para o River, que via o tempo passar e mais um ponto escapar pelas mãos.

Para piorar, o segundo gol. Após um desespero de todo River Plate para tentar ao menos o empate, Juan Pablo Carizzo deixou arco para cabecear. Mal sabia ele que foi o seu maior erro desde a humilhante derrota para a Bolívia, no 1-6. A cobrança de escanteio não saiu tão perfeita e a bola sobrou para Rodriguez. Sem ninguém a sua frente, o atacante levou até a grande área para estufar as redes e sacramentar a vitória e praticamente garantir o time por mais uma temporada na primeira divisão.

Com o resultado, o All Boys chega aos 16 pontos no Clasura, mas aos 42 pontos no agregado da temporada. Especula-se que com mais cinco pontos o time escape da degola. Já o River terá mais com o que se preocupar durante a semana. O time terá a obrigação de vencer o Boca Juniors para manter-se fora da zona de rebaixamento. Isso porque uma derrota somada a um simples empate do Olimpo contra o Independiente coloca o River Plate na zona de rebaixamento direto.

Thiago Henrique de Morais

Fundador do site Futebol Portenho em 2009, se formou em jornalismo em 2007, mas trabalha na área desde 2004. Cobriu pelo Futebol Portenho as Eliminatórias 2010 e 2014, a Copa América 2011 e foi o responsável pela cobertura da Copa do Mundo de 2014

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  • Excelente texto! Só gostaria de chamar atenção para o gritante erro de português do último parágrafo, linha 2: "Especulasse", quando o certo seria "Especula-se". Sou amante do futebol e professor de português e, portanto, não me contive!
    Grande abraço

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Thiago Henrique de Morais

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