Sabella e os primeiros sinais do novo ciclo na Seleção Argentina

O novo ciclo de Sabella estreou contra a Nigéria numa atuação longe de exuberante, com escalação questionável.

A atuação da Argentina contra a Nigéria foi longe de ser exuberante. A escalação também pode ser questionada. Mas a grande novidade do jogo é que Alejandro Sabella parece disposto a deixar de lado dois conceitos que prejudicaram o trabalho de seus antecessores:

1) “É preciso fazer Messi jogar como no Barcelona”. Essa idéia fixa de Sergio Batista foi a chave da ruína de seu trabalho à frente da seleção argentina. Messi nunca jogará na Argentina o que joga no Barcelona. A equipe catalã tem um plantel muito superior e treina durante o ano todo. E as características dos jogadores que lá estão são distintas dos jogadores argentinos. Muito melhor esquecer o Barcelona e encontrar uma maneira pela qual a seleção argentina jogue de forma sólida, e no qual Messi possa ficar à vontade para demonstrar seu futebol.

2) “É preciso encontrar um lugar para os principais jogadores argentinos da atualidade”. Há muitos excelentes jogadores argentinos atualmente, mas todos são meias ou atacantes. Maradona e Batista se esforçaram para encontrar lugar para o maior número possível deles. É compreensível: dá água no boca imaginar um time que tenha Messi, Tevez, Higuaín, Di Maria, Aguero, Pastore.. Sem falar que deixar um ou outro de fora pode trazer insatisfações dentro e fora do grupo, insatisfações que podem explodir a qualquer momento. O resultado é que Maradona e Batista terminaram por formar equipes cheias de craques trombando uns com os outros e sem saber exatamente qual sua função em campo. Enquanto isso, um meio campo vazio deixava a frágil defesa albiceleste exposta.

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Hoje Sabella colocou em campo o velho 3-4-2-1 com o qual conquistou o Apertura 2010 pelo Estudiantes. Três zagueiros de área, dois alas essencialmente marcadores, dois volantes centrais (um dos quais com características de armador), dois enganches e um atacante. A atuação de hoje não foi brilhante (nem poderia, tendo em vista o tempo que Sabella teve para trabalhar com o grupo) e certamente há muito o que melhorar. Mas a grande notícia é: aparentemente a Argentina finalmente tem um treinador de verdade, que tem como meta formar uma equipe sólida, protegendo a defesa e povoando o meio campo, para que os jogadores de frente possam mostrar todo o seu talento. Se o projeto de Alejandro Sabella de fato é esse, a Argentina está no caminho certo.

E o mais irônico, é que se esse sistema funcionar bem, é provável que Messi jogue melhor do que nunca pela seleção argentina. Pois o que La Pulga necessita para isso não é ter um sistema mal definido que faça com que os demais jogadores atuem fora de suas funções esperando que o craque do Barça resolva. Messi precisa daquilo que Maradona teve nos tempos de Bilardo: uma equipe bem montada e sólida, na qual os jogadores certos estejam nas funções certas, com espaço para o brilho individual de um craque. Essa é a grande missão de Sabella. E a se julgar pelo jogo de hoje, ele parece ciente disso.