Em um ato sem precedentes na história do futebol argentino, cerca de 800 torcedores do Independiente que não têm nenhum vínculo com os “barra-bravas” se mobilizaram ontem para um ato a favor do presidente do clube, Javier Cantero. A crise entre a diretoria do Independiente e as “barra-bravas” do clube tem aumentado consideravelmente depois que Cantero decidiu acabar com as regalias dos torcedores organizados, que revidaram invadindo o gabinete do presidente e enviando falsas ameaças ao colégio que se situa no clube.
Os torcedores se reuniram em frente ao prédio da sede social do clube, em Avellaneda. Com cantos de que o clube pertence aos sócios, os manifestantes também insultaram “Bebote” Alvarez, líder histórico dos “barras”, que comentou que poderia ir à sede do Independiente para conversar com Cantero. Quando se soube que o líder não apareceria mais, os torcedores festejaram e apareceu até um torcedor do Racing que, aplaudido, veio externar seu apoio pelo protesto.
Javier Cantero veio para agradecer o apoio e avisou que continua firme na luta contra os “barras”: “Desta vez eles não vão ganhar de nós. Julio Grondona me disse que quer sair da AFA com esse assunto encerrado. Somos o primeiro clube que enfrenta esse flagelo que todos dizem que é impossível. Tenho um papel para cumprir e não vou deixar de fazê-lo por medo. Nunca esqueceremos esse ato por amor ao clube”.
Tais palavras inflaram ainda mais os torcedores, que passaram a gritar e cantar: “Não à barra”, “Nós somos Independiente” e “Força Cantero”. O protesto terminou pacificamente e nem o anúncio de que outra manifestação estava sendo feita em paralelo pelos “barras” desanimou os torcedores. Para o jogo de hoje contra o All Boys a segurança será reforçada. Será aplicado o direito de admissão contra os “barras” do clube e grande efetivo policial será enviado para as cercanias do estádio Libertadores da América.
