Uruguai campeão: a décima quinta Copa América da Celeste

O Uruguai campeão da Copa América desmentiu quem dizia que o futebol sul-americano tinha perdido garra e raça.

De Buenos Aires/ARG – Dizem que o futebol sul-americano morreu. Que não há mais garra, não há mais raça. Que daqui, ficaram apenas os dribles sem qualquer objetividade e um individualismo mais do que exagerado. Mas, um dos percussores do futebol de nossa terra conseguiu resgatar isso nesta Copa América. E assim, com um grupo, raça, vontade e, principalmente, futebol, o Uruguai venceu por 3×0 o Paraguai e sagrou-se campeão da América pela 15ª vez.

Poucos acreditavam em tal seleção simplesmente por ela não ter um jogador que podia desequilibrar, principalmente após a fraca temporada que Forlán fez com a camisa do Atlético Madrid. Diziam que a defesa era frágil e que os uruguaios só sabiam bater. Que com a lesão de Cavani, o Uruguai não poderia chegar longe. Mas, diferente de Argentina e Brasil, os uruguaios não dependiam apenas de um jogador, e sim de um conjunto. Uma solidez armada por Oscar Tabárez, um verdadeiro maestro.

E com tal maestria, Tabárez armou um time que soube como jogar antes os paraguaios e com todos os seus rivais. Mesmo com Gerardo Martino jogando com o regulamento debaixo do braço, assim como fez durante toda fase eliminatória (vale lembrar que o Paraguai sofreu gols de empate ante Brasil e Venezuela nos acréscimos na fase de grupos) – os uruguaios dominaram o jogo. E mais do que isso, foram eficientes.

Nos primeiros minutos, dava a impressão que Justo Villar novamente roubaria a cena. Fez dois milagres em menos de 10 minutos. Sem contar que o Uruguai chegou a ser prejudicado por um pênalti não marcado após mão de Ortigoza. Nada que abalasse a celeste.

O time manteve a sua postura ofensiva, marcando pressão no campo adversário. E assim saiu o gol de Suarez, num chute cruzado, que bateu na trave antes de entrar. Meia hora depois, foi a vez de Forlán quebrar um jejum de 12 jogos sem marcar com a Celeste e estufar a rede com uma bomba na entrada da área. O título era questão de 45 minutos.

No segundo tempo, os paraguaios voltaram dispostos a apresentar o futebol da fase de grupos. Em vão. O time parou na defesa uruguaia e só em uma oportunidade chegou com perigo, num chute de Valdez que desviou em Muslera e foi no travessão. Apesar de menor posse de bola, os uruguaios eram superiores e vez ou outra chegava com perigo, como no chute de Eguren que Villar, novamente ele, salvou.

Mas, o melhor goleiro da competição não pode evitar o terceiro charrua, o segundo de Forlán no jogo, aos 45 minutos, com um toque mágico que o próprio jogador não podia acreditar. Era a quebra de um jejum de 16 anos sem títulos. É o 15º título uruguaio, o maior vencedor de Copa América, sendo três títulos em solo argentino.