Verbete
Barracas Central

O Club Atlético Barracas Central nasceu em 5 de abril de 1904, como Barracas Central del Sud, renomeado em 1913 para o nome atual. Na mitologia do tango e do subúrbio portenho, o guapo era o valentão respeitado que resolvia disputas na lâmina do facão, e foi dessa figura que o clube herdou o apelido El Guapo. Viveu seus primeiros anos de glória na era amadora, disputando a elite entre 1920 e 1934, antes de um longo exílio de 88 anos pelas divisões de acesso depois da chegada do profissionalismo.
Foi nesse período de travessia que o clube produziu um dos recordes mais duradouros do futebol argentino de acesso: na temporada 1987/88, o goleiro Daniel Tremonti passou 1.113 minutos sem sofrer gol, superando a marca até então de Carlos Barisio. O feito só seria batido seis anos depois. Enquanto isso, nas quadras, o Barracas Central se tornou potência do futsal nacional, coroada com o título argentino de 2021 sobre o Boca Juniors.
A dinastia Tapia
O retorno do Barracas Central à elite do futebol de campo é inseparável do poder nos bastidores da AFA. Claudio Chiqui Tapia usou a presidência do clube como trampolim até o cargo máximo do futebol argentino, e a família se tornou parte central da instituição: o filho Matías assumiu a presidência do Barracas aos 25 anos, enquanto o outro filho, Iván Tapia, vestia a camisa 10 e a braçadeira de capitão em campo. O acesso definitivo veio em dezembro de 2021, decidido nos pênaltis contra o Quilmes, e a permanência na elite passou a ser acompanhada de escrutínio constante sobre a influência da família no futebol nacional.
O novo clássico do poder
Essa nova realidade institucional mudou até a geografia das rivalidades do clube. Onde antes os grandes clássicos eram contra o Sportivo Barracas ou o vizinho San Telmo, hoje o duelo de maior repercussão acontece contra o Deportivo Riestra, outro clube que viveu ascensão rápida e controversa. O confronto entre os dois deixou de ser dérbi de bairro para se tornar o retrato da nova geopolítica interna do futebol argentino, o clássico das equipes que hoje concentram poder dentro da própria AFA.
Hoje mandando seus jogos no estádio que leva o nome de Claudio Chiqui Tapia, o Barracas Central é mais do que sobrevivente histórico: é a prova viva de que, no futebol argentino, a força de um clube pode se medir tanto nos corredores do poder quanto no gramado.
No acervo
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