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Boca Juniors

Escudo do Boca Juniors

O Club Atlético Boca Juniors é um dos maiores e mais populares clubes do futebol argentino, com a maior torcida do país segundo pesquisas de opinião, o que sustenta o apelido que a torcida usa para si mesma, La Mitad Más Uno (a metade mais um), a ideia de que o Boca reúne sozinho mais da metade dos torcedores da Argentina. Fundado em 3 de abril de 1905, nas docas do bairro de La Boca, o clube nasceu da imigração italiana, sobretudo genovesa, que então dominava a região. Dessa origem veio o apelido Xeneize, forma genovesa para “genovês”. As cores azul e amarelo têm origem contada como lenda: a de que os fundadores decidiram adotar a bandeira do primeiro navio a entrar no porto, um cargueiro que teria sido sueco.

O Boca manda seus jogos na Bombonera, inaugurada em 25 de maio de 1940, erguida num terreno pequeno que forçou a arquitetura característica de arquibancadas quase verticais em três níveis. O nome oficial do estádio, Alberto J. Armando, só foi adotado em 27 de dezembro de 2000, em homenagem ao ex-presidente do clube, sessenta anos depois da inauguração.

O Boca é um dos cinco grandes do futebol argentino e protagoniza com o River Plate o Superclássico, a rivalidade mais famosa do país, que ganhou contorno também geográfico quando o River se mudou para o norte mais próspero da cidade, enquanto o Boca permaneceu em La Boca. Ao longo de sua história, o clube revelou ou recebeu nomes como Diego Maradona, Juan Román Riquelme, Martín Palermo e o técnico Carlos Bianchi.

Os primeiros anos e a excursão europeia

Antes mesmo da profissionalização do futebol argentino, em 1931, torneio que o Boca venceu logo na primeira edição, o clube já havia se apresentado na Europa. A excursão de 1925, a primeira de uma equipe argentina ao continente, resultou em 15 vitórias, um empate e três derrotas em 19 jogos e no título honorário de “Campeão de Honra”, um marco na projeção internacional do futebol sul-americano.

A era Lorenzo e o primeiro ciclo internacional

Na década de 1970, sob o comando de Juan Carlos Lorenzo, o Boca venceu o River na final do Nacional de 1976 e conquistou suas duas primeiras Copas Libertadores, em 1977 e 1978. Na primeira delas, tornou-se campeão intercontinental ao vencer o Borussia Mönchengladbach.

Maradona, a crise e o Fibronazo

Em 1981, com um jovem Diego Maradona no elenco, o Boca foi campeão argentino. Mas a década seguinte trouxe uma crise financeira grave: em 1984, os jogadores profissionais entraram em greve por salário atrasado, e o clube escalou a equipe de juniores contra o Atlanta. Como as cores dos dois times se pareciam, o Boca jogou de camisa branca de treino, com os números pintados à mão, que foram borrando conforme os jogadores suavam. Perdeu por 1 a 2, no episódio que ficou conhecido como Fibronazo.

A dinastia Bianchi

A virada do milênio marcou a era mais vitoriosa do clube em competições internacionais. Sob o comando de Carlos Bianchi, com Juan Román Riquelme e Martín Palermo em campo, o Boca conquistou as Libertadores de 2000, 2001 e 2003, além de vencer o Real Madrid e o Milan nas respectivas Copas Intercontinentais daqueles anos. Em 2007, com Riquelme novamente decisivo, o clube venceu o Grêmio na final e conquistou sua sexta Libertadores.

Os anos recentes

O Boca voltou a duas finais de Libertadores na década seguinte, mas sem repetir o título: perdeu para o River em 2018, em Madri, e para o Fluminense em 2023, no Maracanã, na busca pela sétima conquista.

Com uma das maiores torcidas do mundo e uma identidade forjada na origem operária e imigrante de La Boca, o clube segue definido pela entrega física em campo, a exigência conhecida como jogar “a lo Boca”, e pelo orgulho de ser, segundo a própria torcida, La Mitad Más Uno do futebol argentino.

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