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Racing Club

Escudo do Racing Club

O Racing Club é um dos clubes mais tradicionais do futebol argentino, conhecido como El Primer Grande por ter sido o primeiro a dominar a era amadora do país e, décadas depois, o primeiro campeão mundial argentino. Fundado em 25 de março de 1903, o clube nasceu de jovens estudantes argentinos na região hoje conhecida como Avellaneda, diferente da origem imigrante de clubes como o Boca. O nome veio de uma revista francesa de automobilismo, e as cores, azul-celeste e branco, espelham a bandeira nacional.

O Racing é um dos cinco grandes do futebol argentino e protagoniza com o Independiente o Clássico de Avellaneda, o segundo mais importante do país, atrás apenas do Superclássico entre Boca e River. Os dois clubes ficam a poucas centenas de metros um do outro. Ao longo de sua história, o clube revelou ou recebeu nomes como Juan José Pizzuti, técnico do título mundial de 1967, e Diego Milito, ídolo que retornou para liderar a reconstrução dos anos 2010.

O heptacampeonato e o nascimento da Academia

Entre 1913 e 1919, o Racing conquistou sete campeonatos nacionais consecutivos, um domínio sem precedentes na era amadora do futebol argentino, incluindo os primeiros tetra, penta, hexa e hepta da história do país. Esse futebol vistoso e vencedor deu ao clube o apelido de La Academia, uma referência a jogar bem como quem ensina os outros a jogar.

O Cilindro e o Equipo de José

A transição para o profissionalismo, em 1931, não apagou a tradição vencedora do clube, que ganhou nova casa em 1950, com a inauguração do Estádio Presidente Perón. Por causa do formato perfeitamente circular, ficou conhecido como El Cilindro, com capacidade para mais de 50 mil pessoas.

Em 1965, sob o comando de Juan José Pizzuti, formou-se o Equipo de José. Depois de conquistar a primeira Copa Libertadores do clube, em 1967, o Racing venceu o Celtic, da Escócia, numa disputa de três jogos pela Copa Intercontinental, tornando-se o primeiro clube argentino campeão mundial.

A falência e a ressurreição

As décadas seguintes trouxeram dificuldades. Depois de um rebaixamento na década de 1980, o clube chegou à sua hora mais sombria em 1999, quando foi declarado judicialmente falido. Mesmo proibido de entrar em campo numa rodada daquele ano, milhares de torcedores lotaram o Cilindro apenas para mostrar que o clube seguia vivo.

A reconstrução veio em 2001, quando o técnico Reinaldo Mostaza Merlo encerrou um jejum de mais de três décadas sem título nacional, sob o lema paso a paso, que se tornou parte da identidade do clube.

O retorno ao topo continental

A partir de 2014, com o retorno do ídolo Diego Milito, o Racing voltou a ser protagonista, somando novos títulos nacionais em 2019 e conquistas sobre o Boca Juniors em 2022 e 2023. Em 2024, o clube venceu o Cruzeiro por 3 a 1, em Assunção, e conquistou sua primeira Copa Sul-Americana, cortando um longo jejum de títulos internacionais. Em fevereiro de 2025, superou o Botafogo por 4 a 0 no placar agregado e ergueu a Recopa Sul-Americana.

Mais de um século depois do heptacampeonato que lhe deu o apelido, o Racing segue sendo, para sua torcida, o clube que sobreviveu à própria extinção para provar, de novo, por que é El Primer Grande.

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