Verbete

River Plate

O clube mais popular da Argentina, entre a Copa Libertadores e o rebaixamento

Escudo do River Plate

O Club Atlético River Plate é um dos maiores e mais tradicionais clubes do futebol argentino, e o maior campeão isolado da Primeira Divisão do país, com mais de 35 títulos de liga. Fundado em 25 de maio de 1901, no bairro de La Boca, em Buenos Aires, o clube nasceu da fusão de Santa Rosa e La Rosales. Desde os primeiros anos, adotou a camisa branca cruzada por uma faixa diagonal vermelha, detalhe que deu origem ao apelido A Banda. O nome River Plate veio da expressão em inglês usada para o Río de la Plata, vista nas caixas dos trabalhadores do porto de Buenos Aires.

Sediado no bairro de Belgrano, o River manda seus jogos no Estádio Monumental, inaugurado em 26 de maio de 1938. O estádio se tornou um dos grandes símbolos do clube e, em 1978, recebeu a final da Copa do Mundo.

O River é um dos cinco grandes do futebol argentino e protagoniza com o Boca Juniors o Superclásico, principal rivalidade do país. Ao longo de sua história, revelou ou recebeu nomes como José Manuel Moreno, Adolfo Pedernera, Alfredo Di Stéfano, Ángel Labruna, Norberto Alonso, Daniel Passarella, Enzo Francescoli e Marcelo Gallardo.

Os primeiros títulos e a Máquina

Filiado à Associação Argentina de Futebol em 1905, o River chegou à primeira divisão em 1908. A profissionalização do futebol, em 1931, trouxe investimento pesado em jogador e o apelido Los Millonarios. O primeiro título profissional veio em 1932, num desempate direto contra o Independiente, vencido por 3 a 0 em 20 de novembro, com gols de Ferreyra, Peucelle e Zatelli. Bernabé Ferreyra, contratado por quantia recorde para a época, abriu o placar. O River voltou a ser campeão em 1936 e 1937, com uma geração formada por José Manuel Moreno e Adolfo Pedernera.

Em 1942 surgiu La Máquina: Juan Carlos Muñoz, José Manuel Moreno, Adolfo Pedernera, Ángel Labruna e Félix Loustau formavam o ataque que definiu o paladar negro exigido pela torcida até hoje. Vieram títulos em 1941, 1945 e 1947, este último com Alfredo Di Stéfano, ainda jovem, como artilheiro. Labruna se consolidou como o maior artilheiro da história do clube, posto que manteria por décadas.

Domínio, jejum e tragédia

Entre 1952 e 1957, o River foi campeão cinco vezes em seis temporadas, com Labruna, o goleiro Amadeo Carrizo e uma geração vitoriosa. Sua despedida, em 1959, fechou o ciclo.

Os anos 1960 não trouxeram título nacional algum, apesar de jogadores como Luis Artime, Ermindo Onega e Oscar Más. Em 1966, o River chegou à primeira final de Libertadores, mas perdeu para o Peñarol depois de desperdiçar dois gols de vantagem. Em 23 de junho de 1968, a Tragédia da Porta 12 marcou o clube para sempre: após um jogo contra o Boca Juniors, no Monumental, 71 pessoas morreram.

A reconstrução e a glória internacional

Em 1975, Ángel Labruna voltou como treinador e encerrou o jejum. Com Ubaldo Fillol, Daniel Passarella, Roberto Perfumo e Norberto Alonso, o River conquistou títulos em 1975, 1977, 1979, 1980 e 1981.

Em 1986, a primeira Copa Libertadores, contra o América de Cali, seguida da Copa Intercontinental, vencendo o Steaua București por 1 a 0 em Tóquio, gol de Antonio Alzamendi.

A década mais vitoriosa

Os anos 1990 reuniram grandes treinadores formados no clube e uma geração de talentos: Ariel Ortega, Enzo Francescoli, Hernán Crespo, Pablo Aimar e Javier Saviola. Em 1996, a segunda Libertadores, de novo contra o América de Cali. A década fechou com mais um título argentino em 1999.

Centenário e o início da crise

Em 2001, o clube celebrou o centenário. Em 2002, novo título argentino, com Ariel Ortega e Fernando Cavenaghi. O River venceu ainda o Clausura de 2004, mas as eliminações seguidas em competição internacional expuseram uma crise que se aprofundaria: em 2008, apesar de um título doméstico, terminou o ano na última colocação do torneio seguinte.

O rebaixamento de 2011

A crise chegou ao ponto máximo em 2011. Depois de terminar o Clausura na zona de risco, o River enfrentou o Belgrano numa repescagem: perdeu por 2 a 0 em Córdoba e, mesmo empatando por 1 a 1 no Monumental em 26 de junho, não reverteu o placar agregado. Pela primeira vez na história, o clube caiu para a segunda divisão. Sob Matías Almeyda, voltou à elite já na temporada seguinte.

O renascimento com Marcelo Gallardo

A partir de 2014, com o título argentino e a primeira Copa Sul-Americana, começou a era de Marcelo Gallardo, ídolo do clube como jogador e depois como treinador. Em 2015, a terceira Libertadores, contra o Tigres. Em 2017, uma das maiores viradas da história da competição: depois de perder por 3 a 0 para o Jorge Wilstermann, o River goleou por 8 a 0 no Monumental.

O ponto mais alto veio em 2018. Na final da Libertadores contra o Boca Juniors, com o jogo de volta transferido para o Santiago Bernabéu, em Madri, o River venceu por 3 a 1 na prorrogação, em 9 de dezembro, conquistando a quarta Libertadores.

Depois de 2018

Em 2019, o River voltou à final da Libertadores, perdendo para o Flamengo por 2 a 1 nos minutos finais. Em 2021, conquistou a Supercopa Argentina.

Com uma das maiores torcidas da Argentina e um estádio que virou símbolo nacional, o River Plate construiu identidade própria: A Banda, Los Millonarios, e um clube que atravessou o fundo do poço em 2011 para voltar ao topo do continente em 2018.

No acervo

Verbete mantido pela Redação do Futebol Portenho. Não é aberto para edição de visitantes.