O River Plate que o Brasil verá

A partir do próximo fim de semana os brasileiros viverão a experiência inédita de acompanhar a B Nacional argentina na TV (mais especificamente na ESPN Brasil). E verão um River Plate que luta pela ponta do torneio.

O River Plate que os brasileiros poderão ver é muito diferente daquele que foi rebaixado. Dos 11 jogadores que entraram em campo na partida fatídica contra o Belgrano, apenas Diaz e Maidana são titulares atualmente. O clube reformulou completamente seu plantel após o descenso, priorizando a mescla de jogadores tarimbados e jovens egressos da base do clube.

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O resultado é uma equipe que poderia perfeitamente disputar a primeira divisão argentina. No gol Vela talvez seja o titular mais questionado, já que muitos preferem Chichizola, titular no primeiro turno do campeonato, disputado no segundo semestre de 2011. A defesa mescla Maidana e Diaz, os experientes sobreviventes do descenso, com os jovens e promissores Abecasis e Ramiro Funes Mori.

O meio de campo normalmente joga em uma linha de quatro jogadores. Pela direita o uruguaio Carlos Sanchez, destaque do Godoy Cruz na temporada anterior. Pela esquerda o jovem Lucas Ocampos, que já foi sondado por gigantes do futebol europeu, como Bayern e Internazionale. Pelo meio a dupla de volantes é formada pelo experiente Ponzio (que trocou a titularidade no Zaragoza pela 2ª divisão argentina) e o promissor Cirigliano, ótimo na marcação e na saída de jogo.

O ataque é formado por jogadores de alta qualidade: Dominguez e Cavenaghi (artilheiro do campeonato, com 17 gols). Mas a chegada de Trezeguet fez com que o treinador Matias Almeyda experimente na partida de sábado uma nova alternativa. Na partida contra o Lobo a equipe jogará em um 4-3-1-2, com a saída de Cirigliano para a entrada de Trezeguet, com “Chori” Dominguez sendo recuado para a posição de enganche.

No entanto, mesmo com esse forte elenco a campanha tem tido altos e baixos. E o River passou a maior parte do tempo em segundo lugar, atrás do Instituto e seguido de perto por Rosario Central e Quilmes (No momento Instituto tem 49 pontos, River 48, Rosario Central 46 e Quilmes 45. O Gimnasia é o primeiro fora do G4, com 39). Isso acontece por algumas razões.

Em primeiro lugar, o River tem um treinador inexperiente, Matias Almeyda, que era titular da equipe na campanha do rebaixamento e se converteu imediatamente em treinador. “El Pelado” tem sido muito criticado por não conseguir dar padrão de jogo à equipe, que frequentemente ganha as partidas mais pela superioridade individual de seus jogadores que propriamente por um jogo coletivo de qualidade.

Associado a esse fator há um segundo: o fato de o River frequentemente enfrentar equipes pequenas mas bem montadas, com treinadores experientes, com muitos anos nas divisões de acesso. Não é incomum que a equipe de Almeyda sofra bastante justamente com equipes menos conhecidas: foi derrotado pelos humildes Aldosivi e Boca Unidos, e empatou as duas partidas contra o Defensa y Justicia (em ambas esteve mais perto da derrota que da vitória).

E há um terceiro motivo, do qual o River não tem culpa: o alto nível do torneio nesta temporada. Além do Milo, a B Nacional 2011/2012 tem mais cinco clubes que ostentam títulos de primeira divisão (Huracán, Quilmes, Chacarita Jrs., Ferro e Rosário Central), além de clubes tradicionais, com grandes torcidas (Gimnasia La Plata, Instituto, Atletico Tucumán, etc.). O resultado é que o torneio está muito mais competitivo que a média.

Para se ter uma ideia, o Gimnasia La Plata, quinto colocado atualmente, tem um aproveitamento de 52%, enquanto o Belgrano ficou em quarto lugar ano passado com um aproveitamento de 51,7%. O River Plate conquistou 64% dos pontos que disputou, o que lhe daria 73 pontos ao fim do campeonato, enquanto o vice da última temporada, o Unión, marcou 69 pontos.

Esse é o River Plate que os brasileiros verão na ESPN Brasil. Um gigante com uma boa equipe, mas sofrendo para se consolidar no topo de um torneio disputadíssimo, desconhecido para o Milo, que além de tudo é comandado por um treinador inexperiente. Que ninguém se engane: a equipe é forte mas a luta será acirrada até o fim.